O preço dos combustíveis vai baixar em valores próximos dos 9 cêntimos por litro a partir de segunda-feira. Esta será uma das descidas mais acentuadas desde que começou a crise dos produtos petrolíferos, em março deste ano, e irá levar o preço médio da gasolina a recuar para menos de 2 euros por litro.
Estimativas avançadas pelo Automóvel Clube de Portugal e por fontes do setor apontam para uma redução entre os 10 e os 11 cêntimos no gasóleo e na casa dos 12 cêntimos na gasolina. Estes cálculos não tinham ainda em conta o fecho dos mercados desta sexta-feira, nem consideravam o efeito do ajustamento da taxa do imposto petrolífero (ISP). Este ajustamento visa garantir a neutralidade fiscal do sobe e desce dos preços dos combustíveis, devolvendo no ISP o que é cobrado a mais no IVA
Sempre que os preços baixam, e a cobrança do IVA acompanha essa baixa, o Governo aproveita para recuperar uma parte do desconto atribuído no ISP. As taxas entretanto publicadas para a próxima semana mostram uma recuperação (subida) do imposto em três cêntimos por litro na gasolina e em dois cêntimos por litro no gasóleo. Com esta redução do desconto fiscal, a descida dos preços finais deverá ser inferior aos 10 cêntimos por litro. Ainda assim, será suficiente para que o preço médio, que está pouco acima dos dois euros por litro, fique abaixo desta fasquia.
Já o gasóleo, que esta semana registou um preço médio por litro de 2,2 euros, vai continuar a custar mais de 2 euros por litro.
A descida dos preços dos combustíveis resulta de uma queda repentina das cotações dos produtos refinados no mercado internacional que reflete vários fatores. Um deles é a maior disponibilidade de produto no mercado, o que pode ser explicado pela libertação de reservas estratégicas no quadro de um acordo entre vários países europeus e a Agência Internacional de Energia.
Mas também há o impacto do resultado das eleições americanas que ditou uma derrota para Trump. O petróleo registou uma queda superior a 10%, negociando abaixo dos 100 dólares por barril. Por outro lado, os operadores que estavam a armazenar combustíveis na expetativa de os venderem mais caros terão libertado produto, antecipando uma possível descida mais acentuada dos preços internacionais.