O Ministério Público acusou o presidente da Câmara Municipal de Vizela de um crime de violência doméstica. No despacho de acusação, o diretor do Departamento de Investigação e Ação Penal de Braga — que chamou a si o processo depois de uma decisão anterior de arquivamento — descreve como Victor Hugo Salgado atingiu a mulher com “múltiplos socos na face, com particular incidência nas regiões labial e nasal”, como a “manietou pelo pescoço e braços, projetou-a com violência contra a parede e o chão e, colocando-se em cima dela, pressionou-a com o peso do seu corpo, provocando-lhe asfixia temporária por compressão das regiões cervical e torácica”.
https://observador.pt/2025/04/18/violencia-domestica-autarca-de-vizela-reage-a-instrumentalizacao-da-vida-privada-psd-espera-que-nao-passe-de-um-equivoco/
O processo tinha sido arquivado em maio do ano passado, por decisão da procuradora do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da 2.ª Secção de Guimarães. O arquivamento aconteceu um dia depois de a mulher do autarca ter desistido da queixa, sem que o suspeito tivesse sido interrogado ou constituído arguido, apesar de o processo incluir vários documentos oficiais com relatos das agressões e dos ferimentos que terão provocado.
https://observador.pt/2025/07/01/caso-de-vizela-reaberto-ministerio-publico-vai-fazer-novas-diligencias-por-suspeitas-de-violencia-domestica-contra-victor-hugo-salgado/
Mais tarde, e confrontada com questões do Observador sobre o arquivamento, a Procuradoria-Geral da República confirmou a reabertura do caso. “Confirma-se que foi determinada a reabertura do inquérito com vista à realização de diligências complementares”, referiu a PGR ao Observador já em julho de 2025.
https://observador.pt/especiais/foi-um-complo-um-dia-na-campanha-de-victor-hugo-salgado-investigado-por-violencia-domestica/
Suspeitas de violência doméstica contra filhos menores foi arquivada
Depois das suspeitas de violência doméstica contra a mulher — que resultaram agora numa acusação do Ministério Público —, Victor Hugo Salgado foi também alvo de um segundo inquérito do Ministério Público por suspeitas de violência contra os dois filhos menores. O diretor do DIAP de Braga juntou os dois processos e acabou por não avançar com qualquer acusação relativamente aos filhos do casal.
“Da análise dos autos, impõe-se concluir pela manifesta ausência de elementos indiciários que apontem para a prática, por parte do arguido, de qualquer conduta penalmente ilícita contra os seus filhos menores”, refere o procurador João Paulo Amaro, no despacho assinado a 4 de novembro. “Com efeito, o acervo probatório reunido em sede de inquérito é insuficiente para demonstrar que os menores tenham sido vítimas, diretas ou indiretas, de violência doméstica ou de outro ilícito criminal”, acrescenta-se no despacho.
Durante o inquérito, e a propósito das suspeitas de violência sobre os menores — cuja denúncia chegou à Procuradoria-Geral da República por email —, o procurador ouviu a mãe das crianças (e mulher de Victor Hugo Salgado), a professora dos menores, o diretor de formação do clube onde o filho do casal está inscrito, a professora de um centro de tempos livres frequentado pelas duas crianças e ainda a diretora de turma do filho e os sogros do autarca. Em nenhum desses casos foram reportadas suspeitas de que qualquer uma das crianças fosse vítima de atos de violência por parte do pai.
“Inexistem indícios de que o arguido haja exercido qualquer ato de agressão física ou psicológica dirigido especificamente contra os filhos. Esta conclusão é respaldada pelos depoimentos das testemunhas inquiridas (que privaram e/ou privam regularmente com os menores), as quais foram unânimes em declarar que nunca observaram quaisquer marcas de lesão física ou indícios de perturbação ou maus-tratos psicológicos. Também a mãe dos menores descreveu o arguido como um pai carinhoso, presente e focado no bem-estar das crianças, nunca os tendo maltratado”, refere ainda o procurador.
O Observador contactou Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara Municipal de Vizela, e o seu advogado, e aguarda resposta.