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Novos resgates de migrantes nas Canárias fazem subir total para quase 4.000 em seis dias

Número de migrantes irregulares que tentaram entrar em Espanha quase chega aos 4.000 em menos de um semana. Nesta sexta-feira mais de 340 foram salvos enquanto tentavam chegar às Canárias.

Agência Lusa
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Mais de 340 pessoas foram resgatadas esta sexta-feira pelas autoridades marítimas espanholas quando tentavam chegar de barco à ilha de El Hierro, nas Canárias, reforçando os alarmes dos serviços de assistência, que já somam quase 4.000 migrantes numa semana.

A primeira embarcação, onde viajavam 174 migrantes, foi detetada à 1h00 (0h00 em Lisboa) a cerca de 17 quilómetros da ilha, sendo que, três horas depois, foi resgatado um outro bote, praticamente no mesmo local, mas cujo número de pessoas a bordo ainda não está contabilizado.

Pouco depois, um terceiro barco, com 166 migrantes, foi localizado a pouco mais de 20 quilómetros de El Hierro, tendo as autoridades de resgate levado as pessoas para La Restinga, no sul da ilha.

Com estes resgates, o número de migrantes irregulares que tentaram entrar em Espanha nos últimos seis dias atinge quase 4.000 pessoas, tendo sido usados não só os habituais pequenos barcos frágeis, conhecidos como cayucos, como até jangadas, apesar de a rota ser feita através do Atlântico.

O número já gerou alarme em vários serviços de assistência, uma vez que se aproxima de índices que não se viam nesta rota desde os recordes de 2023 e 2024.

Em outubro de 2023, registou-se o número de chegadas às Canárias mais alto de sempre, quando 15.729 migrantes percorreram a rota para entrar no país, mas em novembro de 2024 também houve um grande fluxo, com a entrada de 7.338 migrantes irregulares registados.

Desde o início de 2025, a tendência mudou, com uma queda acentuada de chegadas, mas este ano parece ter voltado a ser uma escolha preferencial de quem pretende entrar em Espanha.

No mês passado foram resgatadas 6.164 pessoas (46% do total do ano) e, nos últimos dias, o ritmo de chegadas sugere que o número será provavelmente ultrapassado este mês, sobretudo devido ao número de barcos que têm partido do Senegal.

Desde o fim de semana passado, já entraram nas ilhas de El Hierro e Lanzarote, ambas nas Canárias, mais de 3.700 pessoas através da rota do Atlântico.

Esta rota de migração, que parte de Marrocos e Saara Ocidental, no seu caminho mais curto, e da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali, nas travessias mais longas, é considerada uma das mais perigosas do mundo, com as travessias a poderem demorar vários dias ou mesmo semanas em mar aberto.

O Atlântico é conhecido pelas suas correntes violentas e há registos de embarcações encontradas meses depois do outro lado do mundo (como no Brasil ou nas Caraíbas) com todos os ocupantes mortos.

Apesar da diminuição de travessias em direção às Canárias nos últimos dois anos, a letalidade da rota aumentou por causa da abertura de trajetos mais longos e perigosos (como os que partem da Guiné-Conacri ou da Gâmbia).

O fluxo de embarcações na rota costuma intensificar-se no outono — um fenómeno conhecido localmente como “a crise dos cayucos” — devido sobretudo a uma típica calmaria dos ventos na zona durante este período, o que deixa o mar mais fácil de navegar.

As redes de imigração ilegal e os próprios migrantes monitorizam de perto as previsões meteorológicas e os traficantes costumam aproveitar estas alturas para realizar saídas em massa simultâneas a fim de sobrecarregar os sistemas de vigilância costeira africanos e as equipas de salvamento espanholas.

Estimativas da ONU apontam que, em 2025, chegaram às ilhas espanholas 17.788 migrantes irregulares, a bordo de 263 embarcações.

As Nações Unidas documentam ainda a morte ou desaparecimento no mar de pelo menos 416 pessoas, enquanto a organização não governamental (ONG) Caminando Fronteras aponta para 1.906 mortes nesta rota atlântica só em 2026.

O Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM) regista pelo menos 4.857 mortes e desaparecimentos oficiais entre 2014 e meados de 2024, mas a própria agência reconhece que o número real deverá ser substancialmente maior.