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EDP vê "ciclo virtuoso" no sistema elétrico português e antecipa lucros recorde para 2026

A EDP reviu em alta previsão de lucro para 1,4 a 1,5 mil milhões no final de 2026. CEO diz que mercado nacional vive um bom momento, com preços finais baixos, menos custos e procura a crescer.

Ana Suspiro
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Portugal vive um “círculo virtuoso” em termos de sistema elétrico, com preços acessíveis para clientes finais, redução de custos e aumento da procura. Este quadro foi defendido pelo presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, que destacou como a empresa está bem posicionada para tirar partido destas condições. Um dia depois de a elétrica ter anunciado lucros de 1.191 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, a gestão da EDP reviu em alta as previsões para o final do ano e antecipa um lucro anual recorde entre os 1,4 e 1,5 mil milhões de euros.

Segundo Miguel Stilwell de Andrade, o atual momento que o mercado nacional atravessa é “perfeito para consumidores e elétricas”. E aponta vários fatores.

O preço da eletricidade é acessível e está bem abaixo da média da União Europeia — 37 euros por MW hora para clientes finais — os custos estruturais do sistema continuam a cair e a dívida do sistema, que chegou a superar os 5.000 milhões de euros, deverá ser totalmente paga até 2028.

A suportar este ciclo está um crescimento da procura que deverá atingir os 3,4% em 2026, acima do crescimento de Espanha e muito acima do da União Europeia, que é alimentado pela expansão da mobilidade elétrica — 59% das novas matrículas em setembro foram de carros elétricos — e pelo consumo de grandes clientes. Para 2027, a EDP antecipa maiores consumos da Galp — 100 megawatts (MW) dos projetos na refinaria de Sines — e dos centros de dados da Merlin — 80 MW — e da Start Campus — 180 MW.

São sinais da situação competitiva do país que tem “uma posição única na Europa” para atrair grandes consumidores de energia como os centros de dados. São também “boas notícias”, face ao “cenário extremo” vivido há alguns anos quando Portugal era visto como um risco. Agora é um “ativo. E isso deixa-nos orgulhosos”.

Ainda assim, o presidente executivo da EDP aponta ainda para a existência de estrangulamentos no licenciamento de capacidade renovável cuja instalação tem de acelerar para responder ao aumento da procura.

A puxar pelos resultados da EDP está também o negócio das redes, para o qual estão previstos investimentos de quatro mil milhões de euros, e a disponibilidade hídrica que foi acima da média este ano. A elétrica tem vindo a ganhar com o aumento da bombagem nas suas barragens, tirando partido dos preços baixos durante as horas solares para comprar energia, e depois produzir e vender quando o sol desaparece, a procura sobe e os preços grossistas disparam.

Os últimos meses sem chuva já estão a afetar a capacidade de produção hídrica, mas o gestor mostrou-se confiante nas previsões que antecipam chuva forte para os próximos dias em Portugal. “Devemos ser uma das poucas empresas que fica entusiasmada quando há muita chuva e vento forte”.

Se a subida dos preços grossistas foi positiva para a produção, trouxe também uma perda de 200 milhões de euros para a comercialização devido à subida dos custos da energia comprada para abastecer os clientes. Ainda assim, o Stilwell de Andrade sublinhou que a elétrica teve uma campanha de sucesso na angariação de clientes travando as perdas dos últimos anos.

Com base numa performance “sólida” nos primeiros nove meses do ano, em que os lucros cresceram 25% face ao mesmo período de 2025, a EDP reviu em alta os resultados para o final de 2026 que deverão situar-se entre os 1,4 e 1,5 mil milhões de euros, sem contar elementos recorrentes. A margem bruta, EBITDA, deverá fixar-se nos 5,4 mil milhões de euros. Esta é a terceira revisão em alta para os resultados deste ano.

Para Miguel Stilwell de Andrade, que esta semana anunciou que não vai fazer um novo mandato, a situação da EDP “dá muita confiança” para tomar a decisão de sair, manifestando orgulho no percurso que fez com a empresa ao longo dos 25 anos que lá trabalha. O gestor aproveitou para elogiar a equipa, dizendo que a EDP está em muito boas mãos e prometeu foco total nos últimos meses de mandato.

A EDP anunciou que vai abrir um processo de recrutamento para a comissão executiva que, para além de Miguel Stilwell de Andrade perde também Vera Pinto Pereira, aberto a candidatos internos e externos com o objetivo de encontrar um novo CEO até à assembleia geral de abril de 2027.