Um avião que foi alvo de uma ameaça de bomba aterrou esta manhã no Aeroporto de Lisboa, avançou a CNN Portugal. Por volta das 7h20, quando o voo FR8196 da Ryanair ainda estava “em aproximação” à pista, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recebeu a informação de uma possível bomba dirigida ao voo FR8197 — que seria realizado de seguida, com a mesma aeronave, entre Lisboa e Roma, comunicou posteriormente a PSP ao Observador. A ameaça, contudo, veio a revelar-se falsa.
O voo FR8196 descolou às 5h48 do horário local (4h48 em Lisboa) do aeroporto de Fiumicino e aterrou no aeroporto Humberto Delgado às 8h27, segundo o site de monitorização aérea Flight Aware. A PSP afirmou ter recebido a informação de ameaça de bomba “através dos mecanismos de cooperação policial internacional”.
“Perante a natureza da ameaça e os elementos disponíveis, a PSP desencadeou os procedimentos de segurança aeroportuária previstos para este tipo de ocorrências, em articulação com a entidade gestora aeroportuária, a companhia aérea e as restantes autoridades competentes”, é referido no texto. Uma “vistoria de segurança” na aeronave foi realizada por polícias da Unidade Especial de Polícia (UEP), que não detetaram “qualquer engenho explosivo ou objeto suspeito”.
Os passageiros que aguardavam o embarque para o voo FR8197 e as respetivas bagagens foram novamente submetidos aos procedimentos de rastreio de segurança. O voo terá descolado de Lisboa às 11h27, com quase três horas de atraso.
Foram feitas também outras “diligências destinadas ao esclarecimento da origem e das circunstâncias da ameaça, não sendo, nesta fase, divulgados elementos adicionais suscetíveis de comprometer a investigação”, disse a PSP.
Durante a manhã, porém, nas chegadas do aeroporto de Lisboa o ambiente foi de tranquilidade. O Observador não encontrou qualquer reforço visível de presença policial, nem quaisquer medidas de segurança ou de restrição diferentes. No exterior, a circulação de carros e táxis também decorre sem perturbações. No ecrã do terminal aéreo, constava apenas a informação de que o voo FR8196 aterrou e que as malas dos passageiros estavam a ser entregues. Não se sabe até ao momento se tal efetivamente ocorreu e se os passageiros já passaram pela zona de chegadas.
À Rádio Observador, o presidente do OSCOT (Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), o coronel Francisco José Martins Rodrigues, explica que casos como este requerem “muitas horas de trabalho”.
“Estas situações já estão, desde o início deste mês, a ser bastante repetitivas, o que leva à desestabilização do ambiente aeroportuário europeu”, afirmou.
Ameaças também em França, Itália, República Checa, Dinamarca e Roménia
Após o episódio em Lisboa, o aeroporto de Praga também registou ameaças desta mesma natureza nos voos que chegavam ou partiam do terminal aéreo. Um voo da companhia Wizzair, que seria realizado entre Praga e Roma, chegou a ser desviado para Veneza após um comunicado anónimo feito à torre de controlo do aeroporto de Fiumicino sobre uma bomba a bordo, noticiou a ANSA.
O voo RO226 (da companhia aérea Tarom), que seguiria de Praga para Bucareste, emitiu um código de emergência (mais tarde desmentido) antes de aterrar na capital romena.
Em Copenhaga, a polícia local está a investigar “ameaças diretas ao tráfego aéreo” no aeroporto daquela capital, segundo a CNN Portugal. A primeira avaliação daquela força de segurança concluiu que “não existe ou existiu qualquer perigo para passageiros ou utilizadores do aeroporto”.
Em França, foi dado o alerta de ameaça para quatro aviões a sobrevoar aquele país, noticiou o The Guardian com informações do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
Estes casos estão entre os vários incidentes deste tipo registados em aeroportos europeus na última semana, quando foram registadas ameaças em 24 voos — sendo dezoito na passada quinta-feira. No entanto, nenhum explosivo foi encontrado nas aeronaves.
Resposta coordenada a ameaças de bomba contra aviação
A Comissão Europeia ativou na passada quinta-feira um mecanismo de partilha de informações entre os Estados-membros para coordenar a resposta às ameaças de bomba que têm afetado voos em vários países europeus, estando em contacto com autoridades nacionais e comunitárias.
“Neste momento, a nossa função é coordenar os Estados-membros, de modo a garantir uma visão global e completa do que está a acontecer. Por esse motivo, o comissário responsável pelos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, esteve ontem [quinta-feira] em contacto com a nossa Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação [EASA] e ativámos o mecanismo de partilha de informações ao nível da UE”, disse esta sexta-feira a porta-voz do executivo comunitário para a área dos Transportes, Anna-Kaisa Itkonen.
Falando na conferência de imprensa da instituição, em Bruxelas, Anna-Kaisa Itkonen explicou que este é “um mecanismo presidido pela Comissão Europeia, que junta representantes dos Estados-membros para trocar informações”.
“É isso que a Comissão está a fazer neste momento”, apontou, referindo também o “contacto muito próximo com as autoridades nacionais para obter informações sobre o que está a acontecer”. Nestas declarações à imprensa europeia, Anna-Kaisa Itkonen frisou: “Levamos estas ameaças muito a sério. Quaisquer ameaças contra civis são absolutamente inaceitáveis, sendo a nossa principal prioridade proteger e garantir a segurança dos nossos cidadãos”.
A responsável contextualizou que, “nestas situações, a principal responsabilidade pela investigação e análise dos casos cabe aos Estados-membros” da União Europeia (UE).
“O que estamos a fazer é, por exemplo, manter contactos com a EASA, que analisa os aspetos relacionados com a segurança da aviação e avalia se estas ameaças à segurança podem ter algum impacto na segurança operacional da aviação, no âmbito das suas competências”, adiantou.