A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) divulgou na quinta-feira à noite que a paragem automática do reator da Unidade I da central nuclear espanhola de Almaraz “não apresenta consequências para Portugal”, acrescentando que está a acompanhar a situação.
https://observador.pt/2026/11/06/central-nuclear-espanhola-de-almaraz-reporta-paragem-de-reator/
A central nuclear de Almaraz, na província de Cáceres (Estremadura espanhola), perto da fronteira com Portugal, notificou na quinta-feira o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de Espanha sobre a paragem da Unidade I na sequência “da atuação dos sistemas de proteção da turbina”.
De acordo com a APA, a situação “não apresenta consequências para Portugal que justifiquem medidas adicionais de proteção da população ou do ambiente”.
Em comunicado, a APA explicou que mantém “o acompanhamento da situação, incluindo os resultados da investigação e as informações adicionais divulgadas pelo regulador espanhol”, através do Departamento de Emergências e Proteção Radiológica.
“Em paralelo, a APA assegura a monitorização permanente dos níveis de radiação ambiental no território nacional através da Rede Nacional de Alerta de Radioatividade no Ambiente (RADNET), cujos dados estão disponíveis para consulta pública”, explicou ainda.
A agência portuguesa realçou também que irá divulgar “informação adicional sempre que existam desenvolvimentos relevantes“.
Segundo o operador da instalação espanhola, a Unidade I encontra-se “com todos os parâmetros estáveis“, estando a equipa técnica da central “a realizar as verificações necessárias para proceder à sua reativação”.
A operadora assegurou na quinta-feira que os sistemas de segurança atuaram conforme previsto no projeto da instalação, e que a unidade se encontra parada de forma segura. O operador da central está a realizar as verificações necessárias para confirmar a integridade dos equipamentos envolvidos.
Com base na informação disponível até agora, o evento está classificado como nível 0 na Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES) e a Unidade II está a operar normalmente, a 100% da sua potência, noticiou a agência Efe.
O CSN confirmou na quinta-feira que a “paragem automática” de um dos reatores da central de Almaraz, ocorrida “enquanto a central operava em potência máxima”, foi provocada pela paragem da turbina principal, devido à “atuação de um sistema de proteção do alternador”.
A paragem não teve “impacto na segurança da instalação, das pessoas ou do ambiente”, segundo o comunicado do CSN.
O organismo esclareceu, ainda, que a causa da ocorrência foi a atuação de uma proteção elétrica do transformador principal, facto que se encontra, neste momento, sob investigação.
Em agosto, o ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO) renovou até junho de 2030 a licença de operação das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz.
O encerramento gradual dos dois reatores estava inicialmente previsto para 1 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II.