É oficial. O IPMA acaba de confirmar a primeira tempestade oficial desta época. A Bruna chega ao continente no domingo, dia 8, depois de afetar Madeira e Açores, e traz chuva forte e persistente que se vai prolongar ao longo da próxima semana, pelo menos até sexta, 13.
A chuva regressa ao país já esta sexta-feira, e há vários distritos sob aviso amarelo no litoral: Setúbal, Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo. O mau tempo afetará nestes primeiros dias sobretudo o norte e o centro até à chegada da Bruna, domingo.
https://x.com/Parungo2/status/2118404638680494397
Nessa altura a chuva alargar-se-á a todo o país, poderá em algumas ocasiões chegar sob a forma de trovoada, e como as várias frentes vão passar nas mesmas regiões, estão previstos acumulados de chuva que poderão ultrapassar 200 mm, sobretudo nas zonas montanhosas, com modelos a projetarem até 300 mm. O risco aumenta se várias frentes descarregarem chuva nas mesmas zonas, sobretudo em rios ou ribeiros, porque aumenta a possibilidade de cheias rápidas, inundações e ‘cascatas’ pelas encostas. As áreas recentemente afetadas por incêndios são sempre as mais problemáticas.
Além da chuva, o vento também será forte, com rajadas até 70 km/h no litoral oeste e nas zonas mais altas. Estão também previstas ondas de sudoeste na costa ocidental, que podem chegar aos 4 a 5 metros na segunda-feira, dia 9.
https://x.com/samurivas_meteo/status/2118387682485088370
Na Madeira, a situação agrava-se, com chuva forte, já no sábado e domingo, e os acumulados podem ser superiores a 90 mm. Quanto ao vento, de sul/sudoeste, as rajadas podem atingir 110 km/h nas montanhas. Já foram emitidos avisos laranja e amarelo.
Nos Açores, a Bruna já está a influenciar o arquipélago, através de uma frente. Há aviso amarelo para chuva por vezes forte no Grupo Oriental a partir do final desta sexta-feira, 6.
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A tempestade Bruna faz parte de uma vasta região depressionária no Atlântico, onde se vão formar outros núcleos de tempestades, que se podem influenciar entre si (efeito Fujiwara) ou até se juntarem. O IPMA prevê que a depressão, com 988 hPa, um valor relativamente baixo, que revela uma depressão profunda, bem desenvolvida, e com potencial para provocar vento forte e precipitação intensa e já alguns estragos.
No sábado, a depressão Bruna deverá estar centrada no Atlântico, a cerca de 800 quilómetros a oeste-noroeste do Porto e 700 km a norte-nordeste da ilha das Flores, nos Açores.
https://x.com/MeteoredES/status/2118415999384916183
Depois dos dias de maior atenção, segunda e terça-feira, o IPMA mantém a previsão de sucessivas ondulações frontais, a partir de dia de S. Martinho, quarta-feira, 11. O facto de a Bruna estar integrada numa vasta região depressionária onde se formarão vários núcleos, aumenta a possibilidade de se desenvolverem outros centros depressionários secundários, alguns suficientemente fortes ou profundos para alterarem a circulação e a distribuição da chuva e do vento. Podemos estar a falar de duas ou mais depressões a dirigir-se para a Península Ibérica, mas é impossível afirmar com certeza a sua trajetória e que os seus impactos previstos lhe deem direito a nome. O risco depende da posição e da evolução das frentes que lhes estão associadas.
https://x.com/LusoMeteo/status/2118422751945830761
Depois de Portugal chegar a novembro com altas temperaturas, que lhe valeram mais uma onda de calor, a décima em 10 meses (o valor mais elevado desde 1940), a circulação atmosférica no Atlântico Norte alterou-se por completo. Depressões, frentes e rios atmosféricos têm agora via livre para afetar Portugal. A circulação poderá favorecer a passagem sucessiva de sistemas, em vez de uma única frente isolada, e podemos chegar à situação dos “comboios de tempestades”. Aliás, não há praticamente nada no Atlântico que não pareça vir na nossa direção.
Além do mais, estas depressões podem interagir entre si. Ou podem até unir-se. Quando dois centros depressionários se aproximam suficientemente, podem influenciar mutuamente as suas trajetórias, rodar em torno de um centro comum — o chamado efeito Fujiwhara. O que pode alterar a trajetória, a velocidade de deslocação e a organização dos sistemas.
E há ainda um último cenário, que aparece em vários modelos meteorológicos. A possibilidade de se desenvolver um sistema com características tropicais ou subtropicais no Atlântico. Um ciclone tropical ou subtropical não é a mesma coisa que a Bruna, uma depressão extratropical. Uma depressão como a Bruna forma-se essencialmente pelos contrastes entre massas de ar quente e frio e surge acompanhada por frentes atmosféricas. Os ciclones tropicais retiram a sua energia do calor e da humidade dos oceanos. Mas ambos são perigosos: as depressões extratropicais também podem provocar ventos violentos, chuva intensa e inundações.
Como afirma o IPMA, a Bruna tem a particularidade de trazer ventos sul/sudoeste, também conhecidos por ábregos. Trata-se de um ar marítimo relativamente quente e muito húmido. Por isso as temperaturas máximas vão manter-se amenas, acima de 20°C em alguns distritos, e as mínimas vão aproximar-se muito das máximas, e subir bastante. Braga passa de 2°C para 13°C, Viana do Castelo de 4°C para 14°C e o Porto de 6°C para 15°C.
https://x.com/AEMET_Divulga/status/2118396433690763338
O transporte de humidade será reforçado por um rio atmosférico, um enorme corredor de vapor de água vindo das Caraíbas. Ao encontrar frentes ativas e zonas montanhosas, poderá alimentar as depressões e aumentar, bastante, os níveis de precipitação.