A Caixa Geral de Depósitos terminou os primeiros nove meses do ano com lucros de 1.434 milhões, mais 2,5% do que no período homólogo. O banco aumentou em 41,2% a concessão de novo crédito à habitação neste período, teve uma redução moderada na margem financeira mas aumentou ligeiramente as comissões. A partir destes resultados, o banco prevê entregar 1.660 milhões de euros em dividendos ao Estado com base nos lucros da totalidade deste ano em curso.
A apresentação de resultados foi a primeira feita na nova sede da Caixa Geral de Depósitos, no Parque das Nações. Paulo Macedo, presidente da comissão executiva, salientou que o novo edifício onde a Caixa concentra os seus serviços centrais tem um terço da área que anteriormente era ocupada na anterior sede na zona do Campo Pequeno (Avenida João XXI) – edifício que foi entregue ao Estado, como dividendo em espécie, para ser a nova sede do Governo.
Quanto aos resultados, a descida ligeira da margem financeira (a diferença entre os juros pagos e cobrados) baixou de 1.916 milhões para 1.895 milhões, uma descida de 20 milhões que foi mais do que compensada pelo aumento de 30 milhões de euros nas comissões cobradas (para 469 milhões de euros). Apesar da descida de cerca de 1% da margem financeira nos primeiros nove meses, a tendência trimestre a trimestre é mais positiva, o que está relacionado com o aumento das Euribor nos últimos meses.
“A evolução positiva dos resultados continuou a beneficiar do crescimento do volume de negócios, que permitiu compensar parcialmente o impacto da redução da margem financeira”, refere o banco em comunicado.
Apesar da persistência de incerteza no contexto internacional e da emergência de novos fatores de risco, o enquadramento macroeconómico em Portugal manteve-se favorável. “Os elevados níveis de emprego, conjugados com a redução e cura de exposições relevantes e com a manutenção de fortes recuperações de crédito, continuaram a suportar a qualidade dos ativos e uma evolução favorável das provisões e imparidades”, afirma o banco, que conseguiu reverter 256 milhões de euros em imparidades, sobretudo em exposições “antigas”, indicou a CGD em questão colocada pelo Observador.
Os custos de estrutura aumentaram em 15 milhões para 824 milhões. Em Portugal, a CGD aumentou em 17 o número de agências (529) mas tinha, no final de setembro deste ano, menos 234 colaboradores (5.728). Paulo Macedo anunciou que chegou a acordo com quatro dos sindicatos de trabalhadores para um aumento de 3%, tal como foi noticiado que aconteceu esta quinta-feira com o Millennium BCP.
Nos primeiros nove meses de 2025, o banco público tinha tido lucros de 1.399 milhões de euros, menos 35 milhões do que no mesmo período deste ano. A atividade em Portugal contribuiu com 1.306 milhões de euros para o resultado líquido consolidado (1.296 milhões no período homólogo), enquanto a atividade internacional contribuiu com cerca de 127 milhões de euros.
Caixa concede um em cada três créditos com garantia do Estado
A produção de crédito à habitação a particulares ultrapassou 5,8 mil milhões de euros, incluindo um máximo histórico mensal de 775 milhões de euros, diz o banco.
O crédito habitação com garantia pública do Estado, destinado a jovens até aos 35 anos na aquisição da primeira habitação, alcançou uma produção acumulada desde 2025 de 3,1 mil milhões de euros, dos quais cerca de 1,7 mil milhões de euros em 2026″, afirma o banco, destacando que a quota de mercado no crédito jovem com garantia ronda um terço do mercado.
A CGD diz, também, que apoiou o setor da construção com 1,6 mil milhões de euros em crédito, “financiando [a construção de] mais de 8.700 frações habitacionais”.
A rentabilidade (bruta) dos capitais próprios do banco, que é 100% detido pelo Estado, baixou de 24,9% para 23,5%, mantendo-se num nível elevado na comparação entre os bancos europeus. O banco tem um rácio de capital de primeira qualidade (core tier 1) que subiu uma décima para 21,3%.