Depois da polémica com John Galliano, o Museu Metropolitan tenta virar a página anunciando um novo tema para a grande exposição de primavera, e que servirá de mote à próxima Met Gala, tradicionalmente agendada para a primeira segunda-feira de maio. A mostra, segundo a Vogue, irá celebrar “a beleza e o fascínio” dos objetos e materiais do quotidiano, dos jeans aos puffer jackets, do papel ao plástico, e a forma como os designers trabalham e transforma a matéria-prima.
“extraORDINARY: Fashion and the Poetics of the Everyday” é o ângulo relevado esta quinta-feira pelo Costume Institute do Metropolitan, que colocará em destaque peças do seu arquivo, bem como empréstimos e aquisições, de forma a ilustrar “como os designers retrabalham roupas familiares, objetos do dia-a-dia e materiais comuns através de artesanato, construção, experimentação de materiais e inteligência conceitual”, refere o museu. “Eu não tinha plano B, para ser honesto”, admitiu o curador Andrew Bolton, citado pela AP, quando a mostra original foi cancelada. Bolton diz ainda que a nova ideia lhe ocorreu enquanto estava a trabalhar no projeto do ano passado, “Costume Art”.
Foi a 31 de agosto, dois meses depois do anúncio do tema original, que o museu inverteu a marcha e comunicou a decisão de deixar a cair a homemagem a Galliano, uma retrospetiva que aconteceria 15 anos depois da controvérsia que o afastou da posição de topo que então ocupava: os comentários antissemitas, uma condenação por um crime de ódio num tribunal de Paris e um período de reabilitação.
A exposição “Horizons” faria de Galliano apenas o terceiro designer vivo a ter direito a semelhante palco no Costume Institute do Museu Metropolitan de Nova Iorque, depois de Yves Saint Laurent em 1983 e Rei Kawakubo em 2017. A exposição previa a exploração do acervo considerável da instituição — que inclui peças do primeiro desfile do designer, em 1984, quando apresentou a coleção de formatura na Central Saint Martins — e ainda roupas, acessórios, esboços, protótipos, cadernos e materiais de arquivo que contam a história dos primeiros anos de Galliano em Londres; passando pelos poucos meses na Givenchy; os 15 anos à frente da Dior e a reinvenção na Maison Margiela, já depois do seu afastamento, entre 2014 e 2024. Dificilmente ficaria esquecido um dos momentos mais emblemáticos da sua carreira, associado ao Met. Há 30 anos, a princesa Diana subia a escadaria do museu para a sua estreia no evento. A edição distinguia Christian Dior e foi num vestido de alta costura da maison francesa que a recém-divorciada fez a sua aparição — não com uma criação original do pioneiro designer, ou um vestido de arquivo, antes um slip dress azul-escuro com o cunho de John Galliano, naquela que seria a sua primeira criação para a Dior depois de um sucesso arrebatador na Givenchy.
Se a Dior foi a sua ascensão e queda, 2026 abençoara já algumas tréguas. Em janeiro, John Galliano esteve no desfile de alta-costura da Dior e posou ao lado de Jonathan Anderson, marcando uma espécie de pazes públicas com a maison francesa. Já em março, foi a Zara a anunciar aposta no designer, uma colaboração com a gigante do fast fashion que chegou ao mercado, e esgotou num ápice, em outubro.
Resta saber o eco que o novo tema terá na próxima gala, que deverá acontecer a 3 de maio. O tema da exposição influencia a noite em questão mas ainda falta anunciar o dress code oficial, em data posterior — assim como o mais recente quadro de anfitriões de celebridades para a gala.