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Greve geral em França: centenas de milhares nas ruas contra a precariedade, com riscos de violência em Paris

Sindicatos, "coletes amarelos" e estudantes unem-se numa greve nacional. Em Paris, a polícia prevê até 80 mil manifestantes e "graves distúrbios públicos".

Joana Moreira
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A revolta nos liceus em protesto contra a precariedade dos serviços públicos que começou nos subúrbios de Paris alastrou-se a todo o país, e centenas de milhares de manifestantes participam em grandes protestos por toda a França, esta quinta-feira, numa greve nacional que envolve sindicatos, o movimento dos “coletes amarelos”, estudantes e trabalhadores de vários setores.

Segundo um documento a que o jornal francês Le Monde teve acesso, a Polícia de Paris prevê entre 40 mil e 80 mil participantes nas marchas parisienses, cujo início está marcado para as 14 horas (menos uma hora em Portugal continental) na Praça da República. A polícia prevê “riscos de graves distúrbios públicos “, com o possível envolvimento de “400 a 600 ativistas do movimento de protesto de extrema-esquerda ” .

Há receios de vandalismo e violência, segundo os agentes, que listam entre os alvos de alto risco “locais de poder “, como o Palácio do Eliseu ou a Assembleia Nacional, além de câmaras municiais, esquadras, redações de jornais, centros comerciais “particularmente nos subúrbios mais afastados”, e “símbolos do capitalismo “, como bancos, discriminam.

Para já, a imprensa francesa está a divulgar enchentes de pessoas em cidades como Marselha, Lyon, Toulouse, Sens, Paris. Em Tournefeuille, perto de Toulouse, um grupo de pessoas encapuzadas invadiu uma escola secundária e ateou fogo à área de serviços estudantis dentro. Os alunos foram evacuados e ninguém ficou ferido, reporta o Le Monde.

Segundo um balanço do Ministério da Educação ao meio-dia (11h em Portugal), 15,81% dos professores estão em greve. Já o Snes-FSU, principal sindicato do ensino secundário, afirmou ter registado 52% dos funcionários em greve nas escolas, cita o periódico francês.

A greve está também a afetar monumentos e espaços culturais. “Devido à greve nacional, a Torre Eiffel está fechada hoje”, anunciou a empresa responsável pela gestão do monumento na manhã desta quinta-feira no site oficial. O Museu do Louvre permanece aberto, mas “algumas salas estão excepcionalmente fechadas”, especifica o site do museu. O Museu d’Orsay anunciou o encerramento antecipado às 18h, com a última entrada às 17h.

O clima de contestação em França acontece em vésperas de eleições presidenciais no próximo ano para a sucessão de Emmanuel Macron. Os favoritos, segundo as sondagens, para chegar a uma segunda volta são a candidata da extrema-direita Marine Le Pen e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon.