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"A maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo": Cristiano Ronaldo deixa a Seleção Nacional

Mais de um mês depois de abandonar o estágio, da carta, da multa e da suspensão, Cristiano Ronaldo anuncia agora que vai mesmo deixar a Seleção. Seria convocado por Jorge Jesus esta sexta-feira.

Mariana Fernandes
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Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a saída de Ronaldo da seleção

Na véspera da convocatória de Jorge Jesus que iria incluí-lo, antecipou-se e tomou uma decisão: Cristiano Ronaldo acabou de anunciar que vai deixar a Seleção Nacional. Através de um longo vídeo publicado nas redes sociais, onde surge a ler uma carta dirigida aos portugueses entre imagens dos anos em que jogou por Portugal, o jogador de 41 anos confirmou que não vai voltar a ser internacional.

“Aos portugueses. Chegou o dia de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios no mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração”, começou por dizer.

“Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que durante 90 minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque no fim de tudo, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas. Durante toda a minha carreira na Seleção, procurei superar os meus limites. Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história”, acrescenta.

Mais à frente, Cristiano Ronaldo lembra as vitórias, mas também as derrotas. “Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por esta camisola. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei. Houve derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal”, atira.

Ao longo destes anos aprendi coisas muito simples. Os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar, o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez vos fiz felizes, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação, mas só sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, levantamo-nos juntos. Acreditamos outra vez. Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem que é possível chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si próprio”, sublinha.

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Em seguida, o capitão da Seleção Nacional deixa algumas palavras aos “companheiros desta estação”. “Quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão. Mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história”, indica, dirigindo-se depois às equipas técnicas e ao staff.

“A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nestas fotografias. Mas sem vocês, nenhuma dessas fotografias teria sido possível. À minha família, obrigado por terem dividido comigo este sonho. Obrigado por compreenderem as ausências, sacrifícios e os momentos em que a seleção teve de ocupar um espaço que também vos pertencia. Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre de mãos dadas”, explicou.

Por fim, Cristiano Ronaldo dirige-se novamente aos portugueses. “A todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer-vos uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo. O momento em que começa o hino nacional. Olho à minha volta, vejo os meus companheiros, vejo as bancadas, vejo crianças, mães, pais e avós. Vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão. Portugal”, afirma.

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“É este o sentimento que levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina a minha caminhada dentro do campo com a Seleção Nacional, saio de cabeça levantada com o orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês, continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com o ‘sim’. Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por estes 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando era apenas um menino na Madeira, a correr atrás de uma bola. A camisola fica, o orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim. Até sempre, Cristiano Ronaldo”, termina.

Cristiano Ronaldo deixa a Seleção Nacional com 234 internacionalizações, sendo não só o jogador mais internacional de sempre por Portugal como também o jogador mais internacional de sempre por qualquer outra seleção. É também o melhor marcador da história da Seleção, com 146 golos, e o melhor marcador da história de qualquer outra seleção. Conquistou o Campeonato da Europa em 2016, em França, e duas Ligas das Nações, em 2019 e 2025, para além de ter disputado a final do Campeonato da Europa de 2004, em Lisboa, que os portugueses perderam para a Grécia.

O último jogo de Cristiano Ronaldo pela Seleção Nacional aconteceu no Estádio José Alvalade, a 24 de setembro e contra o País de Gales, na jornada inicial da Liga das Nações. O avançado do Al Nassr foi titular e substituído na segunda parte, sendo que na jornada seguinte, em Oslo e contra a Noruega, perdeu a titularidade para Gonçalo Ramos. Aqueceu durante mais de 20 minutos no segundo tempo, acabando por nunca entrar, e abandonou o estágio de Portugal dias depois e na sequência de um conflito claro com as escolhas de Jorge Jesus. Falhou os dois jogos seguintes, contra Dinamarca e Noruega, escreveu uma longa carta onde se desculpava, mas também deixava críticas ao selecionador nacional, e foi suspenso e multado. Agora, despede-se definitivamente da Seleção na véspera de mais uma convocatória de Jorge Jesus — onde seria incluído.

Montenegro: “O que fizeste por Portugal ecoará na eternidade”

As reações não se fizeram esperar. O primeiro-ministro português foi dos primeiros a agradecer ao jogador poucos minutos após a notícia da sua saída. Luís Montenegro afirma que o que Cristiano Ronaldo fez dentro de campo ao longo de todos estes anos pela seleção nacional “ecoará na eternidade”.

“Agora, fora do campo continuarás a ser Portugal no mundo”, remata.

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Também o Presidente da República agradeceu a Cristiano Ronaldo “pela forma como representou a Seleção Nacional, inspirou os portugueses e levou o nome de Portugal pelo mundo”.

Numa mensagem publicada na conta oficial da presidência no Instagram, António José Seguro afirmou imaginar que este seja “um dos dias mais difíceis da vida desportiva de Cristiano Ronaldo”, mas manifestou a certeza de que o jogador continuará a contar com o apoio dos portugueses.

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