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Variante genética presente em metade da população da UE altera as plaquetas, demonstra estudo

Alteração reduz em cerca de 50% os níveis de molécula conhecida pelas funções anti-inflamatórias e reguladoras do sistema imunitário. papel desta molécula nas plaquetas ainda não tinha sido descrito.

Agência Lusa
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Uma investigação demonstrou que uma variante genética, presente em mais de 50% da população europeia, altera o funcionamento das plaquetas e favorece a sua hiperativação em situações de stress patológico, como uma pneumonia.

O estudo, realizado por investigadores da Universidade de Múrcia (UMU) e do Instituto Murciano de Investigação Biossanitária (IMIB), publicado na revista “Molecular Therapy”, testou ainda em ratos uma terapia experimental que conseguiu uma taxa de sobrevivência de 100% face ao tromboembolismo pulmonar.

O trabalho, liderado pelos médicos Sona Águila, Constantino Martínez e Rocío González-Conejero, em colaboração com investigadores do IIS La Fe, de Valência, e equipas dos Estados Unidos e de França, mostrou a primeira evidência de que a variante genética rs2431697 modifica a resposta das plaquetas, noticiou na quarta-feira a agência Efe.

Os investigadores verificaram que esta alteração reduz em cerca de 50% os níveis de miR-146a, uma molécula conhecida pelas suas funções anti-inflamatórias e reguladoras do sistema imunitário.

Até ao momento, o papel desta molécula nas plaquetas ainda não tinha sido descrito, destacou à Efe a investigadora González-Conejero.

A diminuição desta molécula provoca uma reprogramação do metabolismo plaquetário, com um aumento da oxidação dos ácidos gordos, o que leva a um comportamento mais reativo e propício à formação de trombos.

O estudo testou também, pela primeira vez, uma estratégia terapêutica baseada em moléculas sintéticas que mimetizam a função do miR-146a.

Em modelos de trombose pulmonar, o tratamento reduziu significativamente a agregação plaquetária nos pulmões, restabelecendo o metabolismo celular e proporcionando uma proteção total contra a mortalidade por tromboembolismo pulmonar.

Os resultados abrem uma via de investigação para desenvolver novos tratamentos antiagregantes baseados na regulação do metabolismo das plaquetas, segundo este estudo.