Aos 71 minutos, Gabri Veiga marcou e festejou a apontar para o céu, visivelmente emocionado. Aos 90 minutos, Samu marcou e levantou a camisola, mostrando outra onde se lia “Toledo e Jesús nos nossos corações”, lembrando também o desastre ferroviário que matou dezenas de pessoas na semana passada. Um dia depois de o futebol espanhol ter ficado chocado com a morte de Jesús de Miguel, quis o destino que fossem dois espanhóis a marcar dois dos quatro golos do FC Porto — e eles responderam com homenagens.
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Ora, para lá dos momentos bonitos de Gabri Veiga e Samu, o FC Porto goleou o Nápoles no Dragão e conseguiu finalmente pontuar na Liga dos Campeões, alcançando a primeira vitória depois de três derrotas nas três jornadas iniciais. Os dragões foram quase sempre superiores, alavancaram-se ainda mais na segunda parte e acabaram por beneficiar também da fragilidade dos italianos, já que Massimiliano Allegri tinha nove baixas por lesão e só contava com cinco jogadores de campo no banco de suplentes.
Depois do apito final, Francesco Farioli estava naturalmente satisfeito. “Penso que merecemos, claramente. Tivemos muitas oportunidades para potencialmente fechar o jogo mais cedo, mas temos de ter em conta que o nível do adversário que enfrentámos é muito alto. Competimos muito bem num ambiente fantástico no Dragão, que nos empurrou bastante, e os jogadores tiveram um desempenho fantástico”, explicou.
“Penso que as boas exibições e, naturalmente, os resultados, mas sobretudo certos níveis exibicionais, os detalhes e o espírito, ajudam sempre. De certa forma, as coisas boas que fizemos em Viseu, com muitas mexidas, o que fizemos no fim de semana e o que realizámos hoje estão, com certeza, interligadas. Estou muito feliz pelo resultado e por somar os primeiros pontos para iniciar a nossa caminhada na Liga dos Campeões”, acrescentou, garantindo que o eventual apuramento para o playoff dos oitavos de final terá de ser pensado “jogo a jogo”, já que agora “é momento de mudar o foco, recuperar e acalmar as emoções”.
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Mais à frente, o treinador italiano abordou a gestão do plantel. “Acredito muito nessa gestão e também em dar minutos aos outros, porque a partir do jogo de Viseu muitos jogadores começaram a somar tempo de jogo. Hoje a entrada do Santi [Giménez] foi fantástica, não é coincidência que os 90 minutos que fez lhe tenham trazido coisas muito boas. Foi extremamente positivo a vários níveis. Em relação ao Gabri, esta manhã estava adoentado, quando saiu disse-lhe que devia estar sempre assim, para apanhar o mesmo vírus”, sublinhou, deixando ainda mais elogios à exibição do avançado mexicano, que “esteve muito bem” e “teve um grande impacto”.
“Estes rapazes mereciam claramente alcançar esta primeira vitória. É sempre importante. Hoje os nossos dois defesas-centrais polacos tiveram um impacto fantástico. A bola parada é algo que trabalhamos intensamente, temos um departamento excelente a analisar e preparar muito bem os pequenos detalhes para ajustar as movimentações. Foi isso que fizemos uma vez mais e, depois, a qualidade de quem bate o canto somada à capacidade de cabeceamento dos homens da área permitiu-nos marcar de bola parada”, terminou.
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Já Diogo Costa lembrou que já tinha avisado que o FC Porto europeu acabaria por chegar. “Disse no último jogo que faltavam algumas coisas para acertar. Também dar mérito à equipa, que soube adaptar-se dentro das nossas ideias. Treinamos para ser previsíveis, mas imprevisíveis na mesma. Sabia que este FC Porto de Champions estava para chegar. Realçar que temos jogadores muito jovens a habituarem-se a estes palcos. Um especial agradecimento aos nossos adeptos. Foi importante o apoio de toda a gente, vamos continuar a acreditar”, começou por dizer, explicando depois o que melhorou na segunda parte.
“Estávamos a fazer um bom jogo até aí. Estávamos a conseguir ter bola e a segurá-la, não jogámos com pressa. Demonstrámos mais maturidade e voltámos a ser aquele FC Porto agressivo e de pressão alta. Tínhamos que voltar a ter aquela chama, o que fizemos foi dar continuidade ao jogo com o Estoril. Este é o nosso jogo e a nossa identidade, queremos transportá-la”, acrescentou.
Por fim, o guarda-redes abordou a situação física da equipa. “Obviamente, é um jogo de Champions, temos de andar sempre no limite. Somos uma equipa que consegue rodar, o mister consegue fazer muita rotação, todos somos muito importantes, trabalhamos para que todos tenham a mesma importância. Aqui não há favoritos, não há jogadores de jogo, há jogadores de treino. Têm que demonstrar isto todos os dias. O mister tem confiança em todos os jogadores”, concluiu.
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