Estamos doentes e não sabemos.
Temos um vírus a entrar no nosso corpo e, como sempre, vem disfarçado, sem mostrar ao que vem.
No princípio provoca um pouco de tosse e achamos que é apenas do frio da noite anterior.
Mas, de seguida, vai começando uma febre levezinha, que ainda desconsideramos.
Mais tarde vem a dor de cabeça, a dor de garganta, a falta de ar enfim, quando nos damos conta já o caso é grave.
Já só o hospital poderá resolver, se o tema não for fatal.
É isso que nos está a acontecer hoje em Portugal.
Estamos a ser atacados por um vírus que se disfarça de estar apenas preocupado com problema da habitação, mas que vem com muito maiores objectivos.
A sua imagem de bondade, que cai nos jornalistas e comentadores, como o frio da noite anterior, não é mais que o disfarce necessário ao vírus para se instalar.
Depois virá o pior, a destruição do poder institucional.
A sua substituição pelo poder popular, que nunca está nas mãos do povo e que sempre é dominado por manipuladores. E são estes dominadores do poder que se encontram em posições de referência que, suavemente e utilizando as instituições, se disponibilizam a introduzir a disrupção do sistema dentro das próprias instituições.
E assim, este vírus que ataca a nossa sociedade, vai dominando o caminho até à destruição da democracia e das instituições, até ao momento da sua morte, tempo em que se apresentará como a solução de todos os males instituindo uma ditadura, a que dará o nome de liberdade e que o servirá apenas a si e aos bens, explorando todos os outros.
A esquerda tentou a primeira via, levar-nos a este destino jogando o jogo da democracia.
Foram, ao longo de 50 anos tentando conquistar o poder, sem nunca deixar de defender todos os regimes que resultaram daquele percurso viral, como foi caso da União Soviética, entre outros.
Com o descalabro da sua capacidade de obter representação eleitoral, a esquerda entrou em pânico de desaparecer e a única solução que lhe surge como possível para a sua sobrevivência é a revolução popular e a destruição da democracia.
Para a esquerda, é esta a hora de voltar a ser vírus.
E o vírus é o Bloco de Esquerda, mas é também a Renata e a juíza que lhe deu uma decisão, que como bem diz Ascenso Simões, é totalmente incompetente.
Para todos nós, para que não nos caia em cima um novo tempo de miséria e exploração, é hora de acabar com vírus para não acabarmos no hospital ou pior.