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(A) :: PSP não enviou agentes ao festival neonazi na Póvoa de Varzim após licença revogada e justifica ausência com festejos de Halloween

PSP não enviou agentes ao festival neonazi na Póvoa de Varzim após licença revogada e justifica ausência com festejos de Halloween

A autarquia revogou a licença do evento na manhã de 31 de outubro, mas a PSP não enviou agentes para o festival, optando por concentrar meios nos festejos de Halloween. Caso vai ao Ministério Público.

Manuel Nobre Monteiro
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A PSP não enviou nenhum agente ao festival neonazi que decorreu na Póvoa de Varzim no passado fim de semana, apesar de ter sido informada pela Câmara Municipal de que a licença especial de ruído tinha sido revogada, noticiou o jornal Expresso esta quarta-feira. Em esclarecimento enviado ao Observador, a polícia justifica a decisão com a falta de denúncias de incidentes e a necessidade de concentrar meios nos festejos de Halloween.

A licença tinha sido inicialmente emitida para a realização de um evento de natureza cultural e recreativa, com atuações de bandas de música ao vivo, nos dias 30 e 31 de outubro, entre as 20h00 e as 24h00, na Associação Cultural e Recreativa da Matriz. Segundo a PSP, no primeiro dia, o evento decorreu “sem qualquer incidente” e “em estrito cumprimento das condições presentes na Licença Especial de Ruído”.

Na manhã de 31 de outubro, a autarquia comunicou à PSP a revogação da licença, por ter concluído que o evento não era promovido pela entidade que tinha apresentado o pedido, mas por uma terceira entidade. A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim garantiu ainda que não partilha “ideais contrários ao espírito democrático” nem é “conivente com ideologias apologistas da intolerância e da violência”.

No comunicado, a PSP confirmou ter recebido a comunicação da autarquia na manhã de domingo. Porém, não deslocou agentes ao local. A polícia explica que, por se tratar de um período festivo e de elevado empenho operacional, direcionou os meios para a sua “missão fundamental de segurança e a ordem pública dos cidadãos”.

A PSP esclarece ainda que não recebeu qualquer pedido de intervenção relacionado com o festival, mas apenas “reclamações telefónicas para a Esquadra da Póvoa de Varzim”, motivadas pela “indignação” com a realização de um evento associado à ideologia de extrema-direita.

Apesar de não ter sido chamada para nenhuma ocorrência suscetível de colocar em causa a ordem e a tranquilidade públicas e de não ter conhecimento de comportamentos violentos durante o evento ou contra pessoas no exterior, a polícia elaborou “um auto de notícia com toda a factualidade conhecida” que será enviado ao Ministério Público. A decisão teve em conta as “vicissitudes apresentadas acerca do processo de licenciamento e a necessidade de garantir a segurança pública no local e nas imediações”.