(c) 2023 am|dev

(A) :: O terramoto das intercalares - 3 opiniões

O terramoto das intercalares - 3 opiniões

O Partido Republicano sofreu uma pesada derrota nas eleições intercalares. Manuel Castello Branco, José António Rodrigues do Carmo e José Maria Cortes analisam as implicações do resultado.

José António Rodrigues do Carmo
text
Manuel Castello Branco
text
José Maria Cortes
text

Trump perdeu as eleições. E talvez ainda não tenha percebido porquê

José António Rodrigues do Carmo

Donald Trump pediu aos americanos que votassem como se ele próprio estivesse no boletim e eles fizeram-lhe a vontade. O resultado foi uma derrota de dimensões históricas, com os democratas a vencerem em territórios onde, até há pouco, tinham as mesmas probabilidades de vitória de um vegetariano num concurso de churrasco.

O Texas, o Kansas, a Carolina do Sul, o Ohio e o Iowa produziram resultados que, há dois anos, pareceriam delírios de um estratega democrata sob o efeito de substâncias proibidas.

Esta derrota não resulta apenas da rejeição das políticas de Trump mas também da sua personalidade. Após uma extraordinária vitória em 2024, dedicou os dois anos seguintes a demonstrar que não sabia bem o que fazer com ela.

Esteve no cerne de uma oportunidade histórica. A recuperação de sectores importantes do eleitorado operário, o avanço entre hispânicos e jovens, a rejeição dos excessos identitários e a fadiga generalizada perante o moralismo progressista davam-lhe condições para construir uma maioria política e cultural duradoura.

Poderia ter governado com firmeza, sem deixar de ser magnânimo. Poderia ter estendido a mão aos adversários derrotados, distinguindo os fanáticos dos milhões de americanos que simplesmente votaram noutro candidato. Poderia ter demonstrado que a vitória eleitoral não é uma licença para humilhar os derrotados.

Nos Comandos portugueses, o Código Comando manda ser generoso na vitória e paciente na adversidade. Trump nunca terá lido nada do género. Confundiu a legitimidade da vitória com a infalibilidade do vencedor e transformou uma oportunidade de reconciliação nacional num prolongamento prepotente da campanha eleitoral.

Em dezembro passado, escrevi no Observador, reconhecendo os méritos de Trump no combate aos excessos ideológicos da esquerda, mas criticando o seu egocentrismo, a hostilidade aos aliados e a tendência para confundir a força com a humilhação.

Seria injusto negar que a pressão sobre os europeus para aumentarem os investimentos em defesa produziu resultados que décadas de diplomacia convencional não tinham conseguido. A denúncia dos excessos do identitarismo, a recuperação da importância das fronteiras, a identificação da China como principal desafio estratégico e a recusa de certas ilusões diplomáticas correspondiam a problemas reais.

Mas mesmo uma política certa, executada com arrogância, pode produzir resultados contrários aos pretendidos. Em estratégia, não basta saber onde se quer chegar, importa também não destruir a estrada e insultar os companheiros de viagem.

Que consequências terá esta derrota para a segurança internacional?

Quanto ao Irão, Trump iniciou uma guerra que prometia resolver problemas estratégicos antigos. Problemas reais. O facto é que o regime iraniano continua de pé, os preços da energia dispararam e os objectivos políticos e militares americanos não foram alcançados.

Pior, uma das suas consequências entrou directamente no bolso dos eleitores americanos. A gasolina, a inflação e o custo de vida tornaram-se argumentos eleitorais muito mais persuasivos do que os discursos sobre a grandeza da América.

A partir de 3 de janeiro, Trump enfrentará limitações substanciais para financiar operações militares prolongadas.

É verdade que pode ordenar operações com os meios disponíveis e recorrer à autoridade executiva, dentro dos limites legais. Mas não pode inventar dotações orçamentais nem financiar indefinidamente uma guerra de grande intensidade contra a vontade do Congresso.

Uma campanha aérea limitada é uma coisa. Uma guerra prolongada, com consumo maciço de munições, necessidade de reposição de equipamentos, mobilização de forças adicionais e eventual empenhamento terrestre, é outra.

O Congresso poderá condicionar verbas, impor restrições, exigir autorizações e escrutinar a condução da guerra. Trump terá de negociar aquilo que até agora podia simplesmente ordenar.

E os iranianos sabem fazer contas. Sabem que Washington dispõe de capacidade para desencadear ataques devastadores, mas tem dificuldades políticas em sustentar uma campanha prolongada, pelo que poderão concluir que vale a pena resistir.

Trump pode reagir à derrota eleitoral, procurando uma vitória militar espectacular que restitua a imagem de omnipotência. Um ataque intenso, curto e mediaticamente impressionante. Mas isso não equivale a alcançar objectivos estratégicos. Arrasar instalações não garante o desmoronamento da vontade política do adversário.

Na Ucrânia, a situação é potencialmente mais favorável a Kiev.

A nova composição do Congresso poderá permitir recuperar apoios militares e financeiros, reforçar sanções contra Moscovo e dificultar algumas das concessões que Trump tem andado a oferecer a Putin.

Mas o Presidente conserva o poder de veto, só ultrapassável com maiorias de dois terços em ambas as câmaras.

A vitória democrata não significa automaticamente o regresso de uma política americana plenamente favorável à Ucrânia, mas Trump terá muito mais dificuldade em impor uma solução contrária aos interesses de Kiev e da segurança europeia e haverá certamente situações em que vários senadores republicanos irão juntar-se aos democratas, neste assunto.

A Europa poderá beneficiar desta nova correlação de forças, mas nenhum resultado eleitoral repara instantaneamente a confiança destruída.

Quanto a Israel, a nova composição do Congresso introduz outro factor de incerteza. O Partido Democrata está profundamente dividido entre os defensores da aliança estratégica tradicional e uma corrente “progressista” cada vez mais hostil ao Estado judaico. O financiamento militar, os fornecimentos de armamento e a política relativamente ao Irão poderão transformar-se em campos de confronto entre o Congresso e a Casa Branca, quando Israel enfrenta desafios de segurança particularmente graves.

Pequim observará de longe. Não precisa de derrotar militarmente os EUA, basta-lhe que Washington continue a desgastar os seus próprios aliados, a dispersar recursos e a transformar compromissos duradouros em negócios sujeitos ao humor presidencial.

Há ainda nas cartas a hipótese de Trump aprender alguma coisa com a derrota, procurar entendimentos parlamentares, moderar a retórica e concentrar os dois anos restantes em objectivos estratégicos alcançáveis. Seria a reacção de um estadista racional.

Infelizmente, parece-me mais plausível que interprete os resultados como um ataque à sua grandeza, e reitere o modus faciendi que o trouxe a este momento.

Os democratas também não devem confundir este resultado com uma conversão nacional ao progressismo. Muitos americanos votaram apenas contra os excessos de Trump e o preço da gasolina. Se interpretarem a vitória como uma autorização para ressuscitar o catecismo identitário, poderão descobrir, em 2028, que o eleitorado continua a não apreciar sermões sobre os seus próprios defeitos morais.

Para mim, a tragédia política de Trump é que identificou problemas reais, teve razão em algumas questões importantes e recebeu uma oportunidade extraordinária para alterar o rumo da América e do Ocidente, mas confundiu a Presidência com um palco, os aliados com empregados, os inimigos com aliados e a sua vontade pessoal com o interesse nacional.

O eleitorado retirou poder a Trump mas foi ele que, durante dois anos, se encarregou de o corroer e desperdiçar.

Na política, como na guerra, a arrogância pode ganhar batalhas, mas é uma péssima maneira de ganhar guerras. Ou, como disse alguém, “trata bem aqueles por quem passas ao subir, porque podes voltar a encontrá-los ao descer”.

A derrota que Trump escolheu

Manuel Castello Branco

A derrota republicana desta noite não foi propriamente uma surpresa. Mas o que aconteceu vai muito além do castigo habitual para quem ocupa a Casa Branca. Os resultados são avassaladores, desfazendo os pressupostos com que os Republicanos pensavam o futuro do partido e põem em causa a autoridade de Donald Trump dentro dele.

Os Democratas têm agora controlo de ambas as câmaras do Congresso, conseguindo uma maioria considerável na Câmara dos Representantes e, num cenário que, até para os Democratas mais otimistas, parecia uma miragem, também controlo do Senado. No Kansas, Adam Hamilton tornou-se o primeiro democrata eleito para o Senado desde 1932. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton de forma expressiva num estado que não elegia um democrata para o Senado desde 1988 (Gina Hinojosa conseguiu ainda vencer Greg Abbott, tornando-se governadora do estado). Num dos maiores choques da noite, Annie Andrews venceu Darline Graham na Carolina do Sul. No Iowa, que Trump venceu por mais de 13 pontos há dois anos, Josh Turek e Rob Sand venceram as eleições para o Senado e governador, respetivamente, encabeçando uma abordagem marcadamente moderada que parece ter recompensado os Democratas. O Ohio devolveu o lugar a Sherrod Brown, e na Carolina do Norte Roy Cooper (que mantém o seu registo eleitoral invicto no estado) deu aos Democratas a primeira vitória para o Senado desde 2008. Nem a independência de Susan Collins no Maine foi suficiente para a salvar da onda azul que varreu os EUA. Depois de quase 30 anos no Senado, Collins perdeu para Troy Jackson. Os Democratas garantem assim uma maioria no Senado sem precisarem sequer do Alasca (onde Mary Peltola lidera). A noite, em resumo, dificilmente poderia ter corrido melhor para o Partido Democrata.

A primeira consequência desta noite é para a autoridade de Trump dentro do próprio partido. Ao longo da campanha, o presidente repetiu que os seus eleitores só aparecem quando ele está no boletim de voto. Pediu-lhes, por isso, que fingissem que o seu nome estava lá. A teoria tem um problema de origem. Em várias das corridas decisivas, Trump esteve de facto no boletim, através de candidatos que escolheu pessoalmente. Paxton foi endossado contra a vontade das lideranças do partido, que avisavam que o lugar se podia perder. No final, nem com os mais de 250 milhões de dólares gastos em seu apoio, Paxton conseguiu fazer frente a Talarico. Darline Graham, irmã do falecido Lindsey Graham, foi recomendada diretamente por Trump para o lugar do irmão. Ambos os casos demonstram que o apoio de Trump até pode ganhar primárias, mas já não ganha eleições. Durante dez anos, o GOP submeteu-se a Trump porque percebeu que o presidente tinha uma capacidade de mobilização que o partido não tinha. Se essa capacidade deixar de se traduzir em vitórias, o partido poderá começar, lentamente, a afastar-se de Trump. O presidente é agora um lame duck que, sem controlo do Congresso, terá ainda mais dificuldades em impor a sua agenda interna, pelo que quererá virar-se para a política externa para reencontrar alguma da sua autoridade.

A segunda consequência desta noite é o colapso dos pressupostos sobre os quais os Republicanos imaginavam o futuro do partido. A coligação de Trump em 2024 assentou numa mistura muito ad hoc: a mobilização de eleitores tipicamente pouco motivados e uma fatia crescente de jovens e latinos. Esta coligação eleitoral que se imaginava duradoura desvaneceu-se. Em Cameron e Hidalgo, condados no sul do Texas com uma população esmagadoramente hispânica, que Trump venceu em 2024, Talarico conseguiu cerca de 70% dos votos. Na Florida, quatro distritos, o 9º, o 14º, o 22º e o 25º, foram redesenhados pelo GOP a contar, em parte, com a permanência desse voto latino. Os Democratas venceram em pelo menos três, com o 9º ainda por fechar. E a erosão não se ficou pelo voto latino. No 6º distrito do Kentucky, que Trump venceu por 16 pontos, Zach Dembo conquistou o lugar para os Democratas. Nos subúrbios de Indianápolis, J.D. Ford derrotou Victoria Spartz no 5º distrito do Indiana, onde Trump tinha ganho por 17 pontos.

Do lado democrata, a lição mais importante está na forma como os candidatos ligaram o custo de vida a uma linguagem moral, terreno que durante décadas os Republicanos trataram como seu. Mas se a mensagem foi a mesma, há duas figuras que merecem destaque porque a expressaram de maneiras algo diferentes. Talarico, seminarista presbiteriano, foi buscar essa linguagem ao Evangelho, quebrando a ideia, enraizada entre os Democratas, de que o partido tinha perdido de vez a luta pelo voto religioso. Já Jon Ossoff, reeleito para o Senado na Geórgia, fez um caminho paralelo, mas pela via cívica. Pôs os abusos de poder da administração Trump e a corrupção no centro de uma campanha de programa moderado, e transformou a Geórgia, um swing state que Trump venceu em 2024, num estado democrata por quase 20 pontos.

O que deu aos Democratas uma vitória desta dimensão foi a disciplina em torno de duas ou três mensagens centrais, conjugada com a liberdade de cada candidato para as traduzir na sua própria linguagem e adaptar às realidades do seu estado. Praticamente todos fizeram campanha sobre o custo de vida e a corrupção, e no entanto dificilmente se encontraria um conjunto de candidatos mais diferente entre si. Abdul El-Sayed, no Michigan, chegou a esses temas a partir da esquerda do partido. Turek, no Iowa, apresentou-se como um moderado que fez questão de dizer que votou em candidatos republicanos no dia da eleição. Foi esta combinação que permitiu aos Democratas ganhar em estados tão diferentes, mas é também o que torna o futuro do partido mais incerto.

O fim de uma noite eleitoral intercalar é também o início da campanha presidencial seguinte, e os dois partidos chegam a 2028 com um caminho por definir, por razões diferentes. Os Republicanos serão agora forçados a imaginar um futuro sem o fator Trump, cujo apoio já não vale o que valia. Os Democratas saem da noite com uma vitória que cada ala do partido vai ler à sua maneira. A ala mais próxima de Alexandria Ocasio-Cortez terá na vitória de Abdul El-Sayed no Michigan a prova de que um candidato assumidamente progressista consegue vencer num estado essencial. A ala mais moderada apontará para o inegável sucesso de candidatos ao centro em estados republicanos, como prova de que é a moderação que vence. A coligação que deu aos Democratas esta vitória foi construída, em grande medida, contra Trump. Só em 2028 se perceberá o que, além da oposição ao presidente, sustenta a maioria que saiu desta noite.

O Presidente omnipotente

José Maria Cortes

No rescaldo da coça colossal que os Republicanos levaram nestas eleições intercalares, as sondagens à boca da urna indicam que a maioria do eleitorado optou pelo voto de arremesso: isto é, preencheu o boletim para castigar a política da Administração Trump, com a inflação (particularmente nos combustíveis e na alimentação) e a guerra no Irão a receberem especial destaque.

Nos próximos dias, os comentadores prodigalizarão a exegese destes dados e repartirão as culpas, esforçando esta ou aquela narrativa. É, porém, interessante notar que, no essencial, estas eleições se inscrevem na lógica que encontramos nas intercalares pelo menos desde 1994 (com a única exceção das eleições de 2002, motivadas por uma fugaz união nacional depois do 11 de setembro), nas quais a motivação predominante do voto é reprovar o executivo em funções. Retiramos daqui duas coisas.

Primeiro, uma ideia já bastante badalada: a política, hoje (e talvez, com ligeiras variações, sempre), é movida pela aversão ao inimigo comum, que mais facilmente nos põe a correr até à urna do que a afeição pelo nosso lado. É uma ideia de sabor schmittiano, claro, mas tem sido também mastigada pelos estudos da psicologia; estes, ao longo da segunda metade do século XX, têm mostrado que os nossos estados mentais são, em geral, mais determinados pelo mal sofrido do que pelo bem obtido, pelo que acabamos motivados não tanto pela busca do ganho, mas pela evitação do risco (o chamado “viés negativo”). Os apologistas desta ideia avançam várias explicações para esse facto surpreendente, muitas delas de feitio evolucionista – o primordial primata só sobreviveria se pensasse mais em catar as cobras nos arbustos do que nas maravilhas da criação –, mas certo será que, por alguma razão misteriosa, o mal parece ser, para nós, mais gravítico do que o bem (o que explicará também o fascínio mórbido que tem empoleirado a audiência das séries de true crime e do horror em geral).

Segundo, é curioso perceber que, há pelo menos três décadas, umas eleições para preencher os lugares do Congresso – isto é, o poder legislativo federal – e alguns executivos dos Estados federados sejam motivadas pela antipatia para com o executivo federal. Ora, isto mostra um desencontro crónico entre as razões da democracia liberal e as razões do eleitorado real. Isto é, a ideia de separação de poderes, de checks and balances, de freios à concentração do poder político, é, em parte, o que explica que, em muitos sistemas ocidentais, se separem os sufrágios do poder executivo e do poder legislativo, e também os sufrágios do poder nacional e do poder local. Pensou-se que, assim, o povo soberano, cuja vontade geral emprestaria uma espécie de racionalidade superior ou legitimidade preferível ao cuidado da comunidade, poderia julgar serenamente cada um dos poderes e distribuir os seus apoios em função dos atributos de cada um. Ou seja, votaria no poder executivo pelos méritos ou deméritos da execução feita ou prometida; votaria no poder legislativo para corrigir leis más e promover leis boas; ponderaria os poderes federais para votar nas eleições federais, e levaria sempre em conta as competências e limites do poder federado para carimbar este ou aquele governador.

Sucede, contudo, que as razões do executivo federal, ou as reações que o seu exercício suscita no eleitorado, acabam por eclipsar quase todo o discurso e a mobilização política. Isto quer dizer uma de duas coisas. Ou o povo não é tão racional quanto supõe a democracia, porque vota num governador para punir o presidente; ou o sistema não funciona como devia, de modo que a única esfera de poder que interessa mesmo é a Casa Branca e, assim, para a influenciar ou pressionar, não interessam muito os programas dos candidatos em que se vota ou o que a lei lhes permite fazer, interessa antes usar tudo o que está ao dispor do cidadão para esbravejar o seu desagrado contra quem pauta a política, mesmo que os tratados e as convenções digam outra coisa.

A verdade estará algures no meio: por um lado, uma fatia grande do eleitorado vota sem uma noção das consequências do seu voto, usando o garfo para cortar a carne e a faca para levar o naco à boca; por outro, como toda a gente sabe que o voto nas intercalares é, acima de tudo, um referendo sobre a política presidencial, e sabe ainda que, à luz do funcionamento real do sistema, é a Sala Oval quem manda mais, possuindo um poder que excede largamente o da maioria dos reis, tanto a discussão como a ação política acabam por se resumir a um “sim” ou “não” a um presidente (quase) omnipotente.

Seja como for, a política americana – e, de resto, grande parte da política ocidental – parece, hoje, assente em premissas caducas, dizendo de si uma coisa muito diferente daquilo que, levantando o véu da propaganda, encontramos lá por baixo.