O diretor nacional da Polícia Judiciária tomou a decisão de não renovar a comissão de serviço do atual diretor financeiro, Álvaro Pires, avançou a RTP e confirmou o Observador.
“Tive conhecimento, mas não me foram transmitidos os motivos. Disseram que não era oportuna a renovação da comissão de serviço”, disse Álvaro Pires ao Observador, afirmando que, para já, não quer prestar mais declarações.
Numa nota divulgada entretanto, a instituição confirmou também oficialmente a saída do responsável. “Na sequência do término das comissões de serviço do Diretor de Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial e do Diretor de Serviços de Inovação e Desenvolvimento da Polícia Judiciária (PJ), confirma-se que a Direção Nacional da PJ não propôs à tutela a renovação das mesmas”, lê-se no esclarecimento da PJ.
Segundo a RTP, Álvaro Pires deu ao diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, informações erradas sobre o custo da destruição do material apreendido pela PJ na Operação Pacoba.
Este afastamento surge também após notícias que dão conta de que o construtor João Santos Carvalho, dono da Construbarcelos e que tinha feito obras num monte de Luís Neves, tinha sido responsável por remodelações em casa de Álvaro Pires.
https://observador.pt/2026/08/07/pj-confrontou-imediatamente-diretor-financeiro-sobre-ligacao-a-construbarcelos-mas-recusou-processo-disciplinar/
O até agora diretor financeiro teria apresentado explicações à direção da PJ, que o manteve em funções e recusou então qualquer ação disciplinar, apesar de uma reportagem da CNN ter divulgado imagens que ligariam a carrinha da empresa de João Santos Carvalho às obras na casa de Álvaro Pires.
O mesmo construtor tinha recebido 17 adjudicações de obras da Polícia Judiciária entre 2019 e 2024, no valor de cerca de 2,3 milhões de euros.
E, de acordo com as informações reveladas por Luís Neves após a polémica desencadeada durante o verão, foi Álvaro Pires a estar na base da sugestão de que o atrelado apreendido na Operação Pacoba pudesse ser guardado nas instalações da Construbarcelos, face à disponibilidade manifestada por João Santos Carvalho para esse efeito.
https://observador.pt/2026/07/28/diretor-financeiro-da-pj-tera-assumido-entrega-do-atrelado-de-droga-apreendido-a-empresa-de-amigo-de-luis-neves/
O atrelado viria depois a ser recuperado pela Polícia Judiciária, que, aparentemente, não estaria a par da situação e abriu inclusivamente um inquérito sobre essa matéria.
Recorde-se que Álvaro Pires estava em comissão de serviço na PJ, depois de ter ocupado vários cargos em diferentes entidades do Ministério da Justiça. Acabou por entrar para o órgão de polícia criminal em 2018 pela mão de Luís Neves, ex-diretor da PJ e atual ministro da Administração Interna, que tem estado há meses no centro de vários casos polémicos.
(Notícia atualizada às 10h32 com esclarecimento da PJ)