O primeiro-ministro espanhol aceitou esta quarta-feira a demissão do ministro dos Transportes, na sequência da colisão de dois comboios de alta velocidade na localidade de Urda. Pedro Sánchez anunciou também que Carlos Cuerpo, o primeiro vice-presidente do governo e ministro da Economia, vai assumir a pasta até à realização das eleições gerais, marcadas para o final do mês. Sublinhou que o governo “saiu sempre mais forte de cada crise”. “Vamos voltar a fazê-lo, dando a cara e as respostas que defendem os interesses da maioria nacional”, garantiu.
“Óscar Puente renunciou ao cargo, primeiro por empatia às vítimas, depois por coerência e, finalmente, por dignidade política. É uma decisão que aceito com gratidão e respeito”, começou por dizer Pedro Sánchez, numa declaração ao país a partir do palácio de Moncloa.
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Destacou que, ao longo dos anos de serviço, o ministro “trabalhou para melhorar a vida do nosso país” e enfrentou vários desafios com “dedicação, transparência e integridade”. “Esta semana voltou a fazê-lo. O ministro Puente deu a cara, deu explicações, deu também soluções a uma sociedade que as exigia e também as merecia”, defendeu.
Óscar Puente anunciou a sua demissão na terça-feira, explicando que a decisão “foi tomada nos primeiros minutos após a tragédia”. “Um ministro dos Transportes de um país como Espanha não pode continuar no cargo depois de dois acidentes em menos de um ano”, disse numa declaração à Comissão Permanente do Congresso.
Puente evocou as palavras do antigo ministro português Jorge Coelho, que em 2001 se demitiu depois da queda da ponte de Entre-os-Rios. “Utilizou então uma frase que quero fazer minha: ‘A culpa não pode morrer solteira'”, afirmou. E acrescentou: “A minha decisão é, portanto, uma decisão de dignidade política, e é assim que deve ser vista”.
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Para o presidente do governo espanhol, a atitude de Óscar Puente é uma prova de que “nem todos os servidores públicos são iguais”. “Com a sua renúncia, Óscar ajuda Espanha a recuperar a confiança no nosso sistema ferroviário, mas também na dignidade política. O nosso dever é honrar o seu gesto e continuar a trabalhar”, sublinhou.
Sobre a substituição de Puente por Carlos Cuerpo, Sánchez afirmou que demonstrou nesta legislatura “uma enorme capacidade de gestão e integridade”. “Estou convencido de que fará um grande trabalho e que dará continuidade às reformas iniciadas pelo ministro Puente”, destacou.
Segundo os dados divulgados pelas autoridades espanholas, 69 pessoas, incluindo um português, morreram na passada quarta-feira quando os comboios da Iryo e da AVE da Renfe, em que viajavam mais de 500 pessoas, colidiram em Urda. Mais de uma centena ficou ferida.
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