(c) 2023 am|dev

(A) :: Os novos influencers são ‘maduros’ e estão a revolucionar a ideia de idade. Sabe o que é ser NOLT?

Os novos influencers são ‘maduros’ e estão a revolucionar a ideia de idade. Sabe o que é ser NOLT?

Estamos a falar dos ‘avós’ ou dos bisavós que decidiram, e muito bem, viajar e documentar tudo no instagram, desde as rotas aos pratos de comida. No tiktok juntam-se às danças trend e são virais.

Sandra Figueiredo
text

Já não se pode dizer que alguém é ‘velho’, aliás pode, mas fica muito mal. Isto lembra-me uma rubrica da Jéssica Athayde (muito apropriada) sobre o que fica ou não fica bem. É como as calças de boca de sino que não ficam bem a ninguém, mas muitas vezes aparecem. Agora, seguindo, como sempre nos meus artigos, a linha da ciência e a do comentário social queirosiano: ser NOLT é mais que uma moda geracional, é como um suplemento vitamínico. Um idoso (além dos 65 anos ou mais) que adere a atividades não convencionais como o típico ‘descanso mortificado’ dos reformados pode ser considerado um NOLT (New Older Living Trend = Novo modo de vida para os mais velhos). Estamos a falar dos ‘avós’ ou dos bisavós que decidiram, e muito bem, viajar e documentar tudo no instagram (não no Facebook), desde as rotas aos pratos de comida que adornam o feed. Já, no tiktok, juntam-se às danças trend e tornam-se virais.

Enquanto viajo e sobretudo quando viajava na miudeza dos meus 20 anos (sem saber nada de Nolt ou Bolt, etc), reparava que havia sempre muitos casais idosos nas tours. Em todas elas. Aliás, eram os mais representativos em termos de idade nos grupos de turismo. Ou seja, NOLT já tinha um prelúdio, mas não havia a tendência de partilhar o modo de vida ativo na rede social jovem. Eram recatados, não os via a captar muitas fotografias, apenas a ‘viver’ o momento. Havia o lado negativo que muito observada: as tours eram pouco feitas à medida para as pessoas com mais idade e sobretudo com mobilidade reduzida. Costumavam atrasar imensas tours ou um jipe atolar algures porque um senhor ou um casal tinha dado uma queda no penhasco de Bali, ou porque uma senhora estava a desidratar (e a delirar). Portanto, atenção que não estamos a falar de NOLT forçados (com andarilhos a fazer escaladas e fotografias na piscina do 6 estrelas do Dubai).

Na conclusão, penso que cultivar o modus vivendi NOLT é ótimo, pois combatemos o idadismo, implementa-se o envelhecimento ativo (sem hidroginástica limitada) e especialmente isto: a mulher idosa tem destacado como se pode ser socialmente ativa, funcional, feliz e muito bonita em sociedade patriarcal. Acho que mais que os jovens, são os NOLT que vão dar a volta a isto. São eles/elas que mais estão a agarrar as grandes marcas de publicidade e a fazer um giro de sucesso. Têm o tempo todo do dia par se dedicarem a serem NOLT. Até porque, no caso dos europeus, com uma demografia cada vez mais velha, a solução está para mais para isso. E a longevidade é mais lógica, assim.