A Europa está sob ataque. Um ataque repentino, vindo por várias frentes, em diversos sítios. Um ataque execrável, sem quaisquer escrúpulos, cujo seus comandantes são os que se querem sentar no trono do poder e pelo caos pretendem vir a governar. A vitória das ruas contra a vitória nas urnas. A vingança dos derrotados contra os vencedores. Qual o desfecho desta batalha? Qual o destino dos países europeus?
Já vivemos neste ambiente há umas semanas. Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Grécia e outros que se vão juntando à lista são alvo destas investidas político-ideológicas, disfarçadas de pacifismo e liberdade, apenas para ganharem a aprovação popular provinda da ignorância e da revolta do povo que sente verdadeiramente as dores, contrariamente aos que compõem as fileiras do exército marxista que avança por toda a Europa em busca do momento oportuno para agir, querendo provocar a confusão e manipular as mentes dos que os escutam. Edifícios vandalizados, palavras de ódio ao Estado e às polícias, subversão da justiça e da verdade, perseguição ao governo, totalitarismo votado em assembleias populares, mentira apregoada em todos os fóruns destinados para o efeito. O “tempo da palavra” está a passar, enquanto dá lugar ao “tempo da luta”.
A História conta o domínio do “Império do Mal”: as mortes que provocou, as suas purgas, os seus campos de concentração, a sua censura, cujo prelúdio foram as palavras de ordem provindas de um ideal disseminado. Se temos dificuldade em reconhecer o modus operandi, olhemos para o passado, pois o mesmo repete-se, se com ele não aprendermos. Há 70 anos, em 1956, a Hungria revoltou-se contra o regime comunista imposto no seu país; ao dia de hoje, 4 de novembro, o Exército Vermelho invadiu Budapeste para esmagar a revolta. Hodiernamente, vemos os principais países da União Europeia tomados nas ruas por pseudo-manifestantes que enveredam os mesmos símbolos e apoiam os mesmos ideais que há 70 anos dispararam sobre as pessoas em Budapeste, que perseguiram os párocos e os crentes católicos, assim como o sindicato independente Solidariedade na Polónia, que invadiram a Checoslováquia em 1968, no episódio que ficou conhecido como a Primavera de Praga, por meio de uma agressão que tinha como objetivo pôr fim às reformas políticas e de liberalização do regime. O Leste Europeu ensina e deve continuar a ensinar a Europa num todo, pois as barbáries de que padeceram devem lembrar-nos todos os dias, a nós, cidadãos europeus, sobre aquilo que queremos e o que não queremos para a Europa de que fazemos parte.
As atitudes, os símbolos, as palavras estabeleceram a civilização ocidental por tempos e tempos gloriosos, mas, noutros períodos, também a guiaram para a sua vivência mais negra. Cabe-nos conhecer o passado trágico para impedirmos a sua repetição no futuro. O que vivemos não são apenas manifestações sociais, são a nova frente vermelha a procurar, uma vez mais, um meio para efetivar o seu poder. Olhemos e procuremos os justos e com esses conversemos, mas não saudemos falsos profetas, rejeitando a sua doutrina. Lembremo-nos do que os lobos em pele de cordeiro no passado provocaram. As atrocidades que outros viveram devem ser sentidas como se fossem nossas, porque somos todos europeus, todos somos Europa. O maior respeito que podemos prestar às vítimas do comunismo no nosso continente é saber o que passaram e defender cada um dos países europeus de ataques do mesmo género, para podermos, sim, firmarmo-nos como uma Europa de paz, valores, prosperidade e progresso, para podermos ser uma União Europeia.