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"Ganhar pelo Sporting tem sempre um sabor especial." Tiago Fernandes, o talismã que voltou a Londres para voltar a ser feliz

O interino dos leões mudou sistema tático, mudou onze, mudou estratégia — e ganhou. 8 anos depois, Tiago Fernandes voltou a ser feliz em Londres e não escondeu que é "especial" ganhar com o Sporting.

Mariana Fernandes
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Quatro jornadas, nove pontos. Em quatro jogos já disputados na Liga dos Campeões, o Sporting somou três vitórias e uma derrota, mantendo o deslize com o LASK como mancha negra de uma campanha europeia que está novamente a ser bastante positiva. Esta terça-feira, em Londres e num jogo muito complexo por tudo aquilo que o envolvia, os leões souberam sofrer e só precisaram de um golo para abater o Shakhtar Donetsk.

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No jogo de transição com Tiago Fernandes ao leme, dois dias depois de a rescisão com Rui Borges ser confirmada e um dia antes de Paulo Fonseca ser confirmado e apresentado, o Sporting conseguiu esconder-se do caos e somar três pontos importantíssimos — não só para a matemática da Liga dos Campeões, mas também para a matemática que vai dentro do balneário e que o treinador português vai encontrar.

Tiago Fernandes quis deixar uma impressão digital antes de voltar à equipa B e promoveu uma pequena revolução no onze inicial, recuperando os três centrais, oferecendo a Eduardo Felicíssimo a estreia na Liga dos Campeões, colocando Issa Doumbia, Silas Andersen e Sergi Altimira em conjunto no meio-campo e Luis Suárez e Ioannidis em simultâneo no ataque. A exibição não foi brilhante, até porque o Shakhtar Donetsk obrigou o Sporting a defender muito e bem, mas a eficácia de Doumbia logo no arranque da segunda parte acabou por fazer a diferença. Depois do apito final, naturalmente, Tiago Fernandes era um homem satisfeito.

“Uma vitória importante. Era o aspeto principal, conquistar os três pontos. Os jogadores foram muito recetivos e os méritos são todos deles. Sabíamos os pontos fortes do Shakhtar. Expliquei antes do início o motivo da linha de três defesas, era muito importante trancar o jogo dos corredores desta equipa e se fizéssemos isso eles teriam mais dificuldades. E, com bola, ter ali um losango com o Fotis [Ioannidis] a jogar como ’10’ para fazer ali um quatro para dois. E, na largura, ter sempre o Maxi e o Geny abertos. Tínhamos soluções por dentro e por fora. Conseguimos fazer isso em alguns momentos. Tivemos as melhores oportunidades na primeira parte e, na segunda, penso que até aos 70 minutos fomos uma equipa muito boa”, começou por dizer, defendendo que a equipa “libertou-se” depois do golo.

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Mais à frente, o treinador explicou que a equipa pode jogar mais vezes com três centrais. “Foi para este tipo de adversários por causa das situações do Ba e do Fresneda. Sabíamos dos pontos fortes desta equipa e com uma linha de cinco em bloco baixo teríamos mais sucesso a defender. O Altimira e o Silas são muito bons na cobertura à entrada da área e encaixávamos na perfeição. Esta equipa, com a qualidade que tem, pode jogar de diversas formas”, garantiu.

Tiago Fernandes continua sem perder na equipa principal do Sporting, levando agora três vitórias e um empate entre os três jogos como interino em 2018 e o jogo desta terça-feira — sendo que, há oito anos e quando rendeu José Peseiro antes da chegada de Marcel Keizer, também foi a Londres, mas na Liga Europa e para empatar com o Arsenal no Emirates. “Sinto-me feliz quando o Sporting me chama. Está um clube completamente diferente daquele que apanhei há oito e há 15 anos. Tive um percurso fora do Sporting e voltei. E hoje sinto que o Sporting está completamente diferente, para melhor. É muito mais fácil chegar hoje. É uma organização de topo. Só temos de nos preocupar em treinar e jogar. Talismã? É fruto dos resultados, mas o mérito é dos jogadores. Sem eles não conseguimos ganhar o jogo. E ganhar pelo Sporting tem sempre um sabor especial, com todo o respeito que tenho pelos outros clubes”, reconheceu.

Por fim, o treinador revelou que já tinha falado com Frederico Varandas. “Deu-me os parabéns pelo resultado. Temos uma relação muito aberta, falamos à vontade e queremos o melhor para o clube. Já sabia que ele estava feliz porque esta vitória era importante”, terminou.

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Já Maxi Araújo, que foi o representante dos leões na zona de entrevistas rápidas, sublinhou a importância da vitória. “Claro. Pelo que aconteceu, também. Temos de agradecer ao mister, fui muito feliz com ele. Era uma vitória que estávamos a procurar e tentar. Graças a Deus conseguimos ganhar a um grande adversário”, atirou, recordando Rui Borges antes de comentar o trabalho de Tiago Fernandes.

“Ele é do Sporting, conhece tudo. O mais importante era que tínhamos de nos adaptar muito rapidamente ao que pedia. Esta vitória também é dele, porque nos ajudou muito”, defendeu o uruguaio, que ainda elogiou Doumbia. “Ele é um grandíssimo jogador, adaptou-se muito rapidamente ao clube. Sabemos que dará muitas alegrias a este clube. Tem de continuar assim. Quando está bem a equipa tem outro andamento. E parabéns para ele por este segundo golo na Champions”, acrescentou.

Mais à frente, Maxi Araújo não confirmou que Paulo Fonseca será o próximo treinador do Sporting. “Não sabemos nada sobre isso. Temos de continuar a trabalhar assim, com muito esforço e humildade. E adaptarmo-nos ao que ele nos peça. Temos de começar a trabalhar as novas ideias”, terminou o lateral, que recebeu mesmo o prémio de melhor jogador em campo.

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