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(A) :: Ministro do Interior francês assume fracasso do dispositivo de segurança nos protestos de outubro

Ministro do Interior francês assume fracasso do dispositivo de segurança nos protestos de outubro

Nuñez disse que o erro foi não ter antecipado o regresso de férias da Polícia e da Gendarmaria. Estudantes mantêm mobilizações e bloqueios para esta semana.

Agência Lusa
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O ministro do Interior francês assumiu esta terça-feira ser o “único responsável” pelo “fracasso” da segurança montada em outubro, quando as manifestações a favor da melhoria do sistema educativo degeneraram em graves distúrbios nas principais cidades da França.

Laurent Nuñez manifestou-se satisfeito por comparecer perante uma comissão de inquérito criada pela Assembleia Nacional para esclarecer os acontecimentos de 17 de outubro e a resposta das forças de segurança, num dia em que foram saqueados estabelecimentos comerciais e incendiados edifícios públicos, como a Câmara Municipal de Limoges.

“É uma oportunidade para dedicar algum tempo a expor a minha análise técnica”, afirmou, garantindo que “nunca teve dificuldade em assumir responsabilidades nem em prestar contas”.

O ministro do Interior insistiu na declaração de ser “o único responsável” pela operação de segurança de 17 de outubro, embora tenha defendido que o erro consistiu em “não ter pedido o regresso antecipado de férias dos efetivos da Polícia e da Gendarmaria” para aquela data.

Neste sentido, reconheceu que “o balanço de 17 de outubro é um fracasso” e lamentou que “não tenha sido possível garantir a segurança dos edifícios públicos e dos estabelecimentos comerciais”, enquanto “as forças de segurança enfrentaram violência sem precedentes”.

Segundo dados do Ministério do Interior, a 17 de outubro realizaram-se 441 ações de protesto, que mobilizaram 550 mil pessoas, das quais 110 mil em Paris.

Os estudantes do ensino secundário mantiveram as mobilizações durante o fim de semana, apesar da proposta do Governo para reformar o sistema de acesso ao ensino superior, conhecido como “Parcoursup”, exigindo a sua abolição.

Os chamados “coletes amarelos” e os sindicatos também participaram nas manifestações para protestar contra o elevado custo de vida e a violência policial, bem como para manifestar apoio à greve geral convocada para a próxima quinta-feira.

As organizações estudantis francesas convocaram duas novas jornadas de mobilização e bloqueio de instituições de ensino para esta terça-feira e quinta-feira em França, num braço de ferro com o Governo que já dura há mais de um mês.

Na segunda-feira, a União Nacional dos Estudantes de França (UNEF) convocou uma “jornada negra” para esta terça-feira nas universidades, com assembleias gerais e bloqueios, e apelou também para uma mobilização em massa nas ruas para quinta-feira, coincidindo com a greve sindical em defesa do poder de compra e dos serviços públicos no país.

Este apelo junta-se às convocatórias de outras organizações estudantis e de alunos do ensino secundário, que anunciaram bloqueios para segunda-feira, terça-feira e quinta-feira, bem como a participação na jornada de greve geral de 5 de novembro, promovida pelos sindicatos franceses.

As mobilizações surgem depois de o executivo ter anunciado, há uma semana, várias medidas para responder às reivindicações do setor educativo.

Entre elas, destacam-se uma maior transparência nos critérios de admissão e rejeição de candidaturas através do “Parcoursup”, a plataforma de acesso à universidade, a eliminação das cartas de motivação, a renovação de infraestruturas degradadas nas escolas e a redução do número de alunos por turma.