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Seguro e Felipe VI inauguram exposição em Madrid sobre vida, obra e influência de Camões

Antes do arranque da cimeira Ibero-Americana, na quarta e quinta-feira, Seguro foi recebido pelo Rei de Espanha à entrada da Biblioteca Nacional de Espanha para inaugurar exposição dedicada a Camões.

Agência Lusa
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Os chefes de Estado de Portugal e de Espanha inauguraram esta terça-feira em Madrid a exposição dedicada a Luís Vaz de Camões que vai estar na Biblioteca Nacional de Espanha até 14 de fevereiro de 2027.

O Presidente da República, António José Seguro, iniciou esta terça-feira uma deslocação a Espanha para participar na Cimeira Ibero-Americana, na quarta e quinta-feira, em Madrid, e assistir ao doutoramento honoris causa de António Guterres pela Universidade de Salamanca, na sexta-feira.

Ainda antes do arranque da cimeira, Seguro foi recebido pelo Rei de Espanha, Felipe VI, esta terça-feira de manhã, à entrada da Biblioteca Nacional de Espanha (BNE).

Juntos fizeram depois uma visita à exposição “Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica”, minutos antes de abrir ao público. Acompanharam os dois chefes de Estado a ministra da Cultura de Portugal, Margarida Balseiro Lopes, e o homólogo de Espanha, Ernest Urtasun. António José Seguro e Felipe VI não fizeram declarações aos jornalistas.

Os dois chefes de Estado fizeram uma visita à exposição guiada pelo comissário da mostra, o professor e doutor em Filologia Românica Aurelio Vargas Díaz-Toledo, da Universidade Complutense de Madrid.

Em declarações aos jornalistas antes da chegada de Seguro e Felipe VI, o comissário congratulou-se com a visibilidade que dá à exposição a presença dos dois chefes de Estado na inauguração, sublinhando que o objetivo da iniciativa é dar a conhecer “um dos maiores poetas de Portugal” a Espanha, onde a poesia de Camões não é especialmente conhecida pela sociedade e leitores de poesia em geral.

Aurelio Vargas Díaz-Toledo sublinhou que nesta exposição estão reunidas várias “obras emblemáticas”, a maioria delas conservadas pela BNE, como crónicas de Fernão Lopes, a crónica da conquista de Ceuta em 1415, um manuscrito de “Menina e Moça”, de Bernardim Ribeiro ou a edição comentada de “Os Lusíadas” de Manuel de Faria y Sousa, publicada em Madrid em 1639, além de algumas das primeiras edições de “Os Lusíadas”, em português e em castelhano.

Estão também em Madrid obras que foram levadas desde várias instituições em Portugal propositadamente para esta exposição, como a única edição que se mantém completa hoje de “Saudades da Terra” (escrita entre 1586 e 1590), de Gaspar Frutoso, que viajou desde a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nos Açores.

Ainda vindas de Portugal estão em exposição obras cedidas pelo Museu Militar de Lisboa (de José Malhoa) e pelo Museu de Lisboa (o quadro “A Morte de Camões” de Francisco Augusto Metrass).

A Biblioteca Nacional de Espanha disse num comunicado que “conserva um importante património sobre Portugal e a sua história literária” e esta exposição convida também “a descobrir a cultura e riqueza do povo português”.

Através das peças e coleções expostas, Luís Vaz de Camões “é apresentado como produto de um contexto histórico e cultural ibérico e simultaneamente como fonte de inspiração para autores dos dois lados do Atlântico“, explicou a BNE.

Essa inspiração e influência mantêm-se até hoje e a exposição termina com uma seleção de obras “do mundo literário hispânico” de autores como Rosalía de Castro, Francisco Villaespesa, Jorge Luis Borges ou o escritor espanhol Antonio Muñoz Molina, autor do livro “Un andar solitario entre la gente”, título que retirou do verso “É um andar solitário entre a gente”, do soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Camões.

António Muñoz Molina é o único escritor vivo que integra a exposição.

A exposição “Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica” resulta de uma colaboração do Governo de Portugal com a BNE (tutelada pelo Ministério da Cultura espanhol).

Insere-se na programação desenvolvida dentro da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões, prevista para o período 2024-2026.

As entidades envolvidas assumem que esta exposição é um “ponto alto” e pretendem fechar “com chave de ouro” a programação internacional destas comemorações.