(c) 2023 am|dev

(A) :: Supremo recusa pedido da administração Trump para que não sejam contados 20 mil votos na Califórnia

Supremo recusa pedido da administração Trump para que não sejam contados 20 mil votos na Califórnia

Governo federal argumenta que votos podem ter sido enviados por pessoas que não são cidadãos. Tribunais dizem que pedidos são inconstitucionais porque eleições são competências dos estados.

Madalena Moreira
text

A pouco menos de 48 horas de as urnas fecharem na Califórnia, o Supremo Tribunal colocou um ponto final na luta do Governo federal norte-americano para bloquear a contagem de 20 mil votos por correspondência para as eleições intercalares no estado mais populoso dos Estados Unidos. Depois de um juiz federal ter rejeitado o pedido na passada quarta-feira, a administração Trump recorreu esta segunda-feira da decisão para o Supremo Tribunal, que em poucas horas confirmou a decisão da instância mais baixa.

Na base do pedido está o argumento de que as pessoas que enviaram esses 20 mil boletins podem não ser cidadãos norte-americanos, não tendo, portanto, o direito a votar. A administração federal exige que os votos só sejam contados depois de ser confirmada a sua cidadania — um processo que tem insistido que é relevante neste ciclo eleitoral.

Os responsáveis eleitorais da Califórnia já tinham rejeitado o argumento da administração federal, apontando erros nas listas desenhadas pelo Governo, mas também problemas logísticos. Isto porque o voto por correspondência neste estado, o maior bastião democrata, começou no início de outubro. Desde aí, já foram enviados 23 milhões de boletins de voto por correspondência, a maior parte dos quais já foram processados. Identificar os boletins visados pela administração Trump seria impossível, escreve a Associated Press.

Esta não foi a única derrota imposta pelos tribunais ao Executivo federal esta segunda-feira. Um outro juiz federal de Washington ordenou que a administração devia parar com os pedidos para controlar os votos por correspondência. “O braço executivo provavelmente viola a cláusula eleitoral da Constituição, que atribui a autoridade sobre uma eleição apenas aos Estados e ao Congresso”, pode ler-se na decisão do juiz James Boasberg, citada pela agência noticiosa.

O mesmo argumento, num tom bem mais crítico, foi deixado pelo procurador-geral da Califórnia. “[O recurso] tresanda a desespero e é mais uma tentativa de minar as nossas eleições e atropelar o Estado de Direito”, acusou Rob Bonta.