A startup portuguesa Granter fechou uma ronda de financiamento seed de 1,6 milhões de euros. A empresa criou uma solução em que é usada inteligência artificial (IA) para acelerar as candidaturas a fundos europeus.
A ronda foi liderada pela 3XP Global, através do fundo Impact Innovation Fund, no âmbito do Programa de Venture Capital do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo Banco Português de Fomento. Este financiamento conta também com a participação da Celtis Venture Partners e da Gateway Ventures.
Ao Observador, o CEO Bernardo Seixas explica que o montante angariado vai permitir “passar de uma equipa de cinco para 15 pessoas até ao fim do ano, maioritariamente na parte tecnológica”. Ou seja, ter mais pessoas para “trabalhar no produto, mais engenheiros de software”.
O financiamento servirá ainda para “apoiar a expansão” da startup nos mercados internacionais. “Portugal foi um bom começo, uma boa cobaia. Conseguimos aprender muito com este mercado, mas precisamos de nos expandir para mercados maiores”, explica o fundador. “Vamos começar com Espanha e a região da Alemanha e Áustria”.
“A médio prazo”, a empresa pretende chegar aos EUA, “provavelmente em 2028”. “Temos mais facilidade no mercado europeu do que nos EUA”, refere o fundador. Além disso, para entrar no mercado norte-americano “é imperativo contratar pessoas lá, o que é financeiramente inviável” nesta fase da empresa.
Em Portugal, a Granter “tem clientes já com algum tamanho, como a Fidelidade, a Marinha Portuguesa, a ANA Aeroportos e a Galp”, diz Bernardo Seixas. “Mas a nossa missão, na realidade, sempre foi apoiar as pequenas empresas a democratizar o acesso a financiamento público.”
No último ano, a Granter refez o produto, criando um chatbot que assume o papel de um “consultor” para ajudar nas candidaturas a financiamento, com contexto específico para o trabalho de candidaturas a fundos. “Conhece os projetos da empresa, os projetos na área de inovação. Consegue, por exemplo, verificar automaticamente se uma empresa é elegível para se candidatar a determinado programa”, explica Bernardo Seixas.
O fundador da startup explica que a Granter trabalha com “vários LLM [grandes modelos de linguagem]”, que depois são adaptados “com contexto específico, especialização e a experiência em candidaturas a fundos públicos”.
“O ChatGPT não sabe ganhar candidaturas”, explica Bernardo Seixas, referindo que os chatbots de uso geral têm pouco contexto sobre os processos. “São genéricos, não têm acesso a dados reais de candidaturas aprovadas”, diz. Além disso, “os documentos das candidaturas são privados porque, regra geral, têm propriedade intelectual, salários de pessoas, planos futuros — e portanto não podem ser submetidos” a soluções genéricas.
Bernardo Seixas diz que a privacidade é um ponto crucial no desenvolvimento da tecnologia da Granter. “Construímos estes agentes em silos e, portanto, a informação que qualquer empresa põe lá fica única e exclusivamente dessa empresa”, afirmando também que a empresa “não usa informação de clientes” para afinar a sua solução tecnológica.
O modelo de negócio da startup passa por uma subscrição anual. Neste momento, diz Bernardo Seixas, a subscrição mínima “é de 1.500 euros por ano”. Em breve, a empresa “quer avançar para a cobrança da subscrição anual e uma pequena taxa de sucesso” caso a sua tecnologia ajude a conquistar o acesso a algum fundo.
A Granter, que foi criada em 2023, venceu o concurso Pitch da Web Summit no ano passado. Segundo números avançados por Bernardo Seixas, a startup “apoiou mais de 140 empresas a candidatarem-se a mais de 30 milhões de euros em financiamento”.
https://observador.pt/2025/11/13/startup-portuguesa-granter-e-a-vencedora-do-pitch-da-web-summit-2025/