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(A) :: Detidas duas "Mães pela Acampada" por alegado crime de desobediência. "É inacreditável o que se está a passar e há que tomar uma posição"

Detidas duas "Mães pela Acampada" por alegado crime de desobediência. "É inacreditável o que se está a passar e há que tomar uma posição"

Duas "Mães pela Acampada" foram detidas no Porto. À saída da esquadra, uma das mães explicou que como não se quis identificar na manifestação acabou detida. Vai a tribunal segunda-feira.

Miguel Pinheiro Correia
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Alexandra Machado
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Duas “Mães pela Acampada” estão entre as sete pessoas detidas na intervenção policial na Praça D. João I na última madrugada e que, entretanto, já foram libertadas. Estas duas detidas faziam parte de um grupo de quatro mulheres que estavam sentadas em bancos na praça, entre o cordão humanitário dos manifestantes e as dezenas de polícias, antes da carga policial.

Segundo relatou uma dessas mães, as duas detidas recusaram identificar-se às autoridades no momento da carga. No entanto, a PSP não terá sido violenta com nenhuma destas mulheres que dizem representar as mães dos manifestantes que têm protestado “de forma pacífica” pelo direito à habitação.

Uma das mães que não foi detida acabou por ser levada ao hospital, mas por ansiedade e não com ferimentos físicos, tendo sido acompanhada pela outra mãe que também não foi detida.

À saída da esquadra, uma das mães, Célia Moreira, explicou, em declarações transmitidas pelas televisões, que “não me quis identificar e trouxeram-me presa”. Está acusada de crime de desobediência, por ter recusado identificar-se na manifestação, segundo declarou. “Aqui [na esquadra] foi tranquilo, foram educados”, acrescentando que amanhã irá ser presente a tribunal.

“É inacreditável o que se está a passar e há que tomar uma posição. Não sou a favor daquilo que eles fazem”, assumindo que se manifesta “pelo futuro deles [dos filhos]”. “Tenho de lutar pelos meus direitos também, não são só os jovens que estão a sofrer”.

Sobre a intervenção da polícia assume que foi “muito má”, explicando que a polícia, “as mães queriam isolar-nos e, depois, como nós queríamos ir, começaram a querer desviar-nos”. “A PSP é que nos veio buscar para não corrermos algum risco”.

Estava identificada como “Mãe da acampada”. “É uma tristeza muito grande ver que a democracia, se não tivermos cuidado, num instante desaparece. É esse o receio e o medo de todos nós”.

Acabou os diretos das televisões a dizer estar cheia de fome: “quero é ir comer”.