O secretário-geral do PS lamentou esta quarta-feira que PSD e CDS tenham “destratado e desconsiderado” os socialistas com “ataques políticos incompreensíveis” no debate orçamental, considerando que o primeiro-ministro tem que definir “um perfil” no tratamento ao PS.
José Luís Carneiro falava aos jornalistas à entrada para uma sessão com militantes em Loures, Lisboa, no dia em que o PS permitiu, através da abstenção, que o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) fosse viabilizado.
“Naturalmente que nós tivemos ataques políticos incompreensíveis vindos de responsáveis e de pessoas muito próximas do primeiro-ministro e o primeiro-ministro tem que definir também um perfil na forma como trata e como se relaciona com o PS“, condenou.
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Na perspetiva do líder do PS, Luís Montenegro “não pode destratar um partido que mostra esta atitude de responsabilidade para com o país e também para com um Governo que, como se vê, está cada vez mais fragilizado”.
“Não apenas me destrataram e desconsideraram, enquanto secretário-geral do PS, como o fizeram em relação a colegas meus, ao secretário-geral que me antecedeu nestas funções, ao Pedro Nuno Santos, àquela que teve funções de responsabilidade na política de habitação, à Marina Gonçalves, ao nosso líder parlamentar”, criticou.
Segundo Carneiro, o atual “perfil de intervenção política” do PSD e do CDS-PP não é “nada compatível” com a história dos dois partidos. “(…) Por vezes as pessoas, quando estão mais inseguras, é quando se tornam mais agressivas. Portanto, não quero crer que seja esse sentimento de insegurança do Governo que faz com que o Governo esteja mais agressivo em relação ao Partido Socialista”, sugeriu ainda.
Carneiro insistiu que ter agora uma crise política com um eventual chumbo do Orçamento do Estado “significaria criar dificuldades adicionais a quem já está a viver problemas graves no custo de vida, na habitação, nos salários”. “E, ao mesmo tempo, seria abrir as portas do país para aquilo que é hoje uma polarização, uma demagogia, que está a criar graves dificuldades às democracias”, considerou.
Para o líder do PS, o seu partido “tem um primeiro dever” que é com o país e com os portugueses “que já vivem momentos muito difíceis nas suas vidas e que exigem um grande sentido de responsabilidade” que tem que imperar nestes momentos.
“Se eu estivesse na vida política para me preocupar comigo, e para me preocupar estritamente com o partido, seria um fator de bloqueio. Mas como eu estou aqui para me preocupar com o país e por isso não constituirá motivo de rutura e de crise política no país”, respondeu quando questionado se esta atitude dos partidos que suportam o Governo poderia significar um sentido de voto diferente na votação final global.
Carneiro voltou a insistir em algumas das propostas que o PS vai levar à especialidade do OE2027, argumentando que nenhuma destas é uma “afronta ao Governo”. “Nós não estamos aqui para afrontar o Governo, essa não é a nossa atitude, nem é a nossa perspetiva. O que eu quero é que os portugueses saibam que nós estamos aqui para servir as pessoas, para servir as pessoas”, disse.
Questionado sobre as manifestações que continuam em Lisboa e no Porto, o socialista afirmou que é preciso “olhar para as causas fundamentais das questões”, que neste caso “é a falta de habitação e o custo de vida“.
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“O Governo está a mostrar-se incapaz, pelo diálogo e pela concertação, de construir soluções com os partidos que estão na oposição, com as estruturas representativas da sociedade, a estabelecer também o diálogo e canais de diálogo com os manifestantes”, lamentou. Carneiro referiu que na terça-feira os deputados do PS “foram dialogar com as pessoas que estavam nas manifestações” em frente ao Parlamento. “Nós temos procurado criar canais de diálogo e de contacto com quem está nessas manifestações e o Governo tem que ter essa capacidade, porque é isso mesmo que é ser Governo”, apelou.