(c) 2023 am|dev

(A) :: Habitação. Associação da Baixa pede medidas para proteção de comerciantes em Lisboa

Habitação. Associação da Baixa pede medidas para proteção de comerciantes em Lisboa

Desde 17 de outubro, comerciantes relatam menos clientes e reforçam segurança por receio de vandalismo. ADBP pede medidas que conciliem direito à manifestação com atividade económica.

Agência Lusa
text

A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) apontou esta quarta-feira o impacto da acampada de Lisboa pela habitação sobre os comerciantes e, tendo em conta o direito à manifestação, pediu medidas que protejam a propriedade e as atividades económicas.

Em comunicado, a ADBP reconheceu “o direito à manifestação e a importância do debate sobre a habitação, um problema que afeta também muitos dos que vivem e trabalham na Baixa” e ainda “que os protestos decorreram, na sua maioria, de forma pacífica”.

Mas a associação, acrescentou, “não pode ignorar o impacto da acampada no Rossio sobre os seus associados”.

“Desde 17 de outubro, os comerciantes e os empresários da restauração instalados nessa praça e da sua envolvente relatam uma redução significativa de clientes, ligada ao corte de ruas, à presença de tendas e de forças policiais e ao ruído“, lê-se na nota.

Segundo a associação, vários estabelecimentos na envolvente da Praça D. Pedro IV “têm reforçado a sua segurança, com proteções nas entradas, por receio de vandalismo e furtos”.

“São sobretudo medidas preventivas, que têm um custo e que se somam a uma insegurança que a Baixa já vivia”, salientou a ADBP, notando que, em julho de 2025, já tinha alertado “para uma vaga de assaltos diários e pediu a intervenção do Governo e a instalação urgente de videovigilância”.

Nesse sentido, a associação solicitou “a quem de direito que sejam tomadas as medidas necessárias que, atendendo ao exercício do direito à manifestação, protejam os direitos de propriedade e de exercício de atividades económicas existentes” naquela “área da cidade”.

A PSP dispersou à bastonada e com recurso a cães, na madrugada de domingo, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa, no Rossio, e no Porto, na Praça D. João I, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial, pedindo esclarecimentos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro. Só o PSD, partido do Governo, defendeu a atuação da polícia.

Milhares de pessoas concentraram-se, na terça-feira, em frente à Assembleia da República, enquanto os deputados debatiam a proposta de Orçamento do Estado para 2027, em mais um protesto motivado pela crise da habitação.