A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, lançou uma confissão inesperada a meio do debate orçamental desta quarta-feira quando, depois de ser questionada sobre os preços dos combustíveis, assegurou que gostaria de se deslocar de “boleia”, até porque lhe “custa” andar de carro com motorista.
“Só não venho à boleia porque não posso, porque das coisas que mais me custam no Governo é vir de motorista”, lançou a ministra, numa tirada que agitou as bancadas das oposições.
A frase veio na sequência de uma série de críticas da deputada do Chega Patrícia Carvalho, que tinha perguntado à ministra “que boleia” é que tinha apanhado para chegar ao Parlamento — e acusado o Governo de “sacar” dinheiro por via dos impostos sobre os combustíveis.
No final de setembro, a ministra tinha aconselhado os portugueses, a quem pedia “consciência”, a adotarem soluções como a partilha de carros, por exemplo, para fazerem face ao aumento do preço dos combustíveis. “Alguns comportamentos de partilha, de boleias, de reduzir a velocidade. Em 2022, foram feitas essas recomendações (…) que são de bom senso de como poupar combustível”, dizia então Maria da Graça Carvalho, num momento que gerou inúmeras críticas vindas da oposição.
Durante a sua intervenção de fundo, a ministra tinha anunciado que, na frente da mobilidade, existirá pela primeira vez um “apoio à aquisição de veículos elétricos dirigidos aos mais carenciados” (mais de 20 mil, com comparticipação de 80%) e que serão mantidos os apoios para a população em geral, com uma “dotação de 50 milhões”, assim como um apoio para a aquisição de nove mil veículos elétricos para microempresas e veículos pesados mais sustentáveis.