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(A) :: Que Mundo este

Que Mundo este

Temos de ser capazes de fazer uma verdadeira revolução cultural e voltar a olhar o outro como a garantia da qualidade da minha vida.

Bruno Bobone
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Vivi quase toda a minha vida num Mundo que vivia em paz, numa sociedade organizada, em democracia e em crescimento económico.

É verdade que, nesse mesmo tempo, em muitos lugares da Terra, havia guerras, sociedades desestruturadas, ditaduras e anarquias a par de grande pobreza.

Mas essa não era a realidade da minha vida, e eu, ainda que consiga reconhecer e até preocupar-me com os problemas e com as pessoas que viviam nesse Mundo diferente do meu, não consigo deixar de sentir que vivia nas minhas circunstâncias.

Por isso, hoje, assistindo a duas guerras, a uma revolução nas relações internacionais, a uma perda de respeito pelas autoridades, que não se preocupam em dar-se a esse mesmo respeito, fico frustrado, preocupado e ansioso por não conseguir a visão confiável do futuro que vou enfrentar. Já os que viviam nas más condições que acima descrevi, não têm provavelmente essa sensação de preocupação e estarão mais tranquilos com aquilo que os espera no futuro.

Isto não significa que eu não tenha razão para a minha preocupação, mas não convence como razão a quem não sente essa preocupação. E isto sim é um factor de preocupação. Que metade do Mundo não consiga entender a outra metade, é a garantia de que um dia vamos chegar ao desentendimento total e aí só encontraremos uma solução se começarmos tudo de novo.

E isso significa uma revolução global que obrigatoriamente passará por uma guerra mundial.

Uma guerra diferente das anteriores em que o poder bélico é infinitamente superior e que não nos permite ter qualquer ideia sobre o seu desfecho. Mas a falta de atenção às frustrações dos outros, que nós não compreendemos, é um factor de crescimento da agressividade e é isso que estamos a assistir nas várias manifestações que vão acontecendo em diferentes países.

E esta tensão não desaparece por sermos mais ou menos permissivos na reacção à agressividade.

Desaparece, ou pelo menos diminui sempre que enfrentamos corajosamente os problemas, ouvindo verdadeiramente o outro e usando a nossa responsabilidade para encontrar soluções. No caso português, a questão levantada foi a da habitação e isso é verdadeiramente um problema absoluto para quem não a tem.

Não é o caso dos nossos políticos, nem de 70% da população portuguesa que têm casa própria, mas para os 30% que a não têm é um problema vital. E é também verdade que os partidos e os políticos de esquerda – que hoje, mais uma vez erradamente, se tentam aproveitar dos acontecimentos para tentarem parar o seu caminho para a irrelevância política – foram os maiores responsáveis pela situação actual, atirando teorias absurdas, inventadas e sem qualquer base de conhecimento para disfarçar os problemas, sem nunca os tentarem resolver nem precaver.

Foi assim na permissão da entrada de uma população que atingiu mais de 15% de crescimento, sem que tivesse havido qualquer tentativa de criar as soluções indispensáveis à sua justa e humana integração.

Mas hoje, se queremos que este Mundo em mudança nos permita nele continuar a viver em sociedade, em harmonia e em desenvolvimento temos de ser capazes de fazer uma verdadeira revolução cultural e voltar a olhar o outro como a garantia da qualidade da minha vida.

Compreender que quando o outro está bem eu vivo melhor é um conceito que caracteriza a filosofia do mundo oriental e que devíamos nós apreender.

E assim poderemos melhor conhecer este novo Mundo em que vivemos sem termos que passar pela sua destruição.