“Drácula”
De um filme sobre Drácula pelo romeno Radu Jude poderíamos esperar pelo menos duas coisas: iconoclastia cerrada e desarrumação deliberada. E é o que encontramos nas quase três horas de Drácula, narrado por um realizador sarcástico que faz de porta-voz de Jude, e que além da história principal, sobre um par de atores de uma produção de Drácula em café-concerto para turistas (aos quais também fornecem serviços sexuais), inclui vários segmentos de durações variáveis: uma adaptação às três pancadas do primeiro livro de terror sobre vampiros romeno (Vampirul, de G.M. Amza e Al. Bilciurescu, editado em 1938), uma sucessão de versões do célebre vampiro (numa delas, Drácula cria uma empresa de software cujos trabalhadores entram em greve, atalhada por um ataque de vampiros-zombies convocados pelo enraivecido patrão), ou miniaturas erótico-gore–kitsch criadas por IA. No final, aproveita-se alguma (pouca) coisa desta molhada feita de paródia, sátira, nonsense, humor negro, provocação de mau gosto e pornografia softcore (Jude usa e abusa das piadas sobre e com pénis), caso da anedota sobre a troça que se faz na Roménia do sotaque romeno de Gary Oldman no Drácula de Francis Ford Coppola.
https://www.youtube.com/watch?v=jmY5WOH7BP0
“Duas Estações, Dois Desconhecidos”
Vencedor do Festival de Locarno de 2025, Duas Estações, Dois Desconhecidos, do japonês Sho Miyake, fará as delícias dos apreciadores de slow cinema de narrativa minimalista e “meta”, e emocionalmente reservado. Adaptado de duas bandas desenhadas de Yoshitaru Tsuge, o filme passa-se em dois tempos, e duas estações do ano, verão e inverno. A primeira decorre na imaginação de Li, uma argumentista coreana que está no Japão a tentar escrever um filme, e envolve duas personagens solitárias, os jovens Nagisa e Natsuo, que se conhecem numa praia e procuram relacionar-se, de forma tímida e algo desastrada. Depois de um breve interlúdio passado numa universidade, onde o filme é apresentado e comentado por professores e alunos, encontramos Li numa aldeia do interior do Japão coberta de neve, instalada numa estalagem cujo cínico e brusco proprietário se separou da mulher, que ficou com o filho de ambos. Duas Estações, Dois Desconhecidos é tão subtil, circunspecto e delicado como inescrutável e entediante.
https://www.youtube.com/watch?v=KrROj31uccw
“Floresta Mágica”
Realizado por Travis Knight, o autor de Kubo e as Duas Cordas, e produzido pelos estúdios Laika (Coraline e a Porta Secreta, ParaNorman, Mr. Link), Floresta Mágica é o mais longo e o mais caro filme de animação stop motion já feito, com um orçamento de 100 milhões de dólares. A história centra-se numa adolescente chamada Prue McKeel, cujo irmão mais novo é raptado por um bando de corvos. Decidida a ir salvá-lo, Prue e Curtis, o seu melhor amigo e colega de escola, embrenham-se na densa floresta que existe para lá da cidade de Portland, onde vivem, ali descobrindo um reino de magia cheio de criaturas encantadas, aliados cativantes e adversários formidáveis. E percebendo que caíram no meio de uma guerra civil larvar entre dois grupos de habitantes da mesma. Prue e Curtis acabam por ser separados e a jovem tem de aplicar toda a sua inteligência para encontrar e salvar o irmão, e para que eles e o seu colega consigam sobreviver e sair da maravilhosa mas perigosíssima floresta.
https://www.youtube.com/watch?v=-GeMrECIqQ4
“Sensibilidade e Bom Senso”
Uma nova adaptação ao cinema do romance clássico de Jane Austen, rodada por Georgia Oakley e escrita por Diana Reid, e que sucede à realizada por Ang Lee em 1995, com argumento oscarizado de Emma Thompson, também uma das intérpretes, ao lado de Kate Winslet, Hugh Grant, Alan Rickman, Gemma Jones ou Hugh Laurie, entre outros. A realizadora disse que este Sensibilidade e Bom Senso é uma “nova interpretação dirigida a uma nova geração”, começando logo pelo elenco, cheio de caras da nova vaga de atores britânicos, como Daisy Edgar-Jones (Elinor Dashwood), Esmée Creed-Miles (Marianne), Bodhi Rae Breathnach (Margaret), George MacKay (Edward Ferrars), Frank Dillane (Willoughby) ou ainda o norueguês Herbert Nordrum (coronel Brandon). Sensibilidade e Bom Senso foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.