O Santander Portugal obteve lucros de 663,8 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, uma descida de 8,8% face ao período homólogo que o banco explica com custos com reformas antecipadas e com modernização das agências. Também a penalizar a comparação com os primeiros nove meses de 2025 está o facto de nesse período transato o Estado ter reembolsado, retroativamente, 27,6 milhões de euros que o banco tinha pago de contribuição adicional de solidariedade (que foi considerada inconstitucional).
De acordo com o que o banco diz em comunicado difundido através da CMVM, o regulador do mercado bolsista, sem esses efeitos não recorrentes (reformas, custos com agências e reembolso da contribuição), os lucros teriam descido 1% face ao período homólogo. E foi, também, 1% (1,3%, em rigor) que baixou o indicador da margem financeira, de 1.029,5 milhões para 1.015,7 milhões, sendo esta a diferença entre aquilo que o banco paga para se financiar (depósitos, BCE, etc.) e os juros que cobra nos empréstimos que concede.
As comissões “cresceram sustentadamente”, diz o banco, justificando o aumento de 4,8%, para 382,9 milhões de euros, com o “crescimento e vinculação da base de clientes, assim como da sua transacionalidade”. Os lucros apresentados pelo banco representam uma rentabilidade dos capitais próprios de 29,6%.
Por outro lado, o balanço do banco indica que no final de setembro de 2026, a carteira de crédito a clientes (bruta) subiu para 56,5 mil milhões de euros, mais 8,3%, ao passo que os recursos de clientes aumentaram 6,3% para 51,6 mil milhões de euros.

“Os resultados dos primeiros nove meses de 2026 confirmam que o Santander continua a crescer de forma sólida em Portugal, com mais clientes, mais crédito à economia e relações cada vez mais fortes com as famílias e as empresas”, afirma Isabel Guerreiro, presidente do banco, no comunicado de imprensa divulgado a propósito dos resultados trimestrais – não foi marcada uma conferência de imprensa com jornalistas.
Relativamente ao crédito à habitação, que “continua a ser uma importante alavanca de captação e vinculação de clientes”, nos primeiros nove meses, o banco originou cerca de três mil milhões de euros em crédito hipotecário. A carteira de crédito à habitação cresceu 6,7% face ao mesmo período de 2025, para 26,4 mil milhões de euros.
O Santander diz que “continua a apoiar os jovens na aquisição de habitação própria permanente” e salienta que, desde o início de 2025, e até ao presente, os créditos a jovens com idade até 35 anos representaram 43% dos novos créditos (num total de mais de 19,3 mil pessoas), dos quais quase metade foram efetuados dentro da garantia pública (correspondendo a um volume de crédito de 1,8 mil milhões de euros).