Depois de mais uma deceção na Europa, a resposta no plano interno. Tudo correu mal ao AC Milan quando foi a Inglaterra defrontar o Bournemouth, do penálti consentido nos minutos iniciais à expulsão do capitão Mike Maignan num canto que originou o segundo de três golos, mas a deslocação a Udine, que não contaria com adeptos rossoneri pelo boicote anunciado previamente em protesto com os valores exorbitantes que estão a ser cobrados nas bancadas dos visitantes, mostrou de novo a melhor versão do conjunto de Milão: sóbrio, a defender bem, capaz de marcar e gerir o encontro. Apesar da irritação invulgar de Ruben Amorim após esse desaire no regresso aos estádios britânicos, a equipa superou o desaire e não tremeu na Serie A.
https://observador.pt/2026/10/22/tres-golos-dois-penaltis-um-vermelho-infantil-e-a-derrota-que-podia-ser-ainda-pior-amorim-cai-com-estrondo-no-regresso-a-inglaterra/
“Estou feliz e orgulhoso dos jogadores. Queríamos ser competitivos desde o início e demonstrámos isso. Estou verdadeiramente contente e orgulhoso pela equipa, agora temos de pensar no próximo jogo. Gestão de jogadores? Acho que é impossível com este calendário no momento… Todos têm lesões. Portanto, todos os jogadores têm de estar prontos. O meu trabalho não é apenas ganhar, mas é também garantir o futuro do AC Milan. Temos muitas lesões, estes jogadores demonstraram-me que estão prontos para gerir a pressão de jogar por este clube. Estou muito feliz, quando estão em campo eu sou o responsável e quero que eles se saiam bem”, comentou depois de um encontro onde voltou a apostar em Bartesaghi como titular e lançou no segundo tempo Cissé, Camarda e Comotto perante as várias lesões que têm assolado o plantel.
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“Temos muito trabalho pela frente. Mas estou orgulhoso porque não tivemos tempo de trabalhar no que não correu bem no último jogo. Praticamente não tivemos forma de trabalhar no campo, apenas em vídeo. Se tiver de dizer a verdade, nas últimas semanas praticamente não temos treinado, por isso estou verdadeiramente orgulhoso”, acrescentou ainda sobre esse triunfo diante da Udinese por 2-0, com golos de Pulisic e Omari Hutchinson, que colocou os rossoneri na terceira posição apenas atrás de Inter e Lazio.
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E como um mal parece nunca vir só, Loftus-Cheek, que ainda entrou na segunda parte da última partida da Serie A, também se lesionou, juntando-se a um leque de opções que estavam de fora entre Saelemaekers (que foi operado ao tornozelo), Matteo Gabbia, Terracciano, Chukwueze, Diego Moreira, Mario Gila e Adrien Rabiot. Várias ausências num encontro em San Siro com pouca margem para escorregadelas, tendo em conta os resultados já conhecidos da jornada entre a goleada da Lazio ao Sassuolo e os triunfos tardios da Roma (com um golo de Rodrigo Mora) e do Como, frente a Cagliari e Torino, respetivamente. E, apesar de o português não ligar muito a esses registos, a possibilidade de Ruben Amorim passar a ser o segundo técnico com melhor série sem derrotas na Serie A na estreia, batendo Ettore Puricelli (1955) e ficando cada vez mais perto de Luis Carniglia, antigo campeão europeu pelo Real Madrid que treinou o AC Milan em 1963/64 (13).
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Apesar dessa “motivação” extra, as coisas não começaram da melhor forma. Longe disso. Num encontro em que os rossoneri continuaram a defender a cinco mas tiveram várias vezes uma linha de quatro atrás, com Tomori como defesa direito e Estupiñan na esquerda tendo os alas Hutchinson e Bartesaghi a fecharem sem bola, o Bolonha aproveitou o início errático dos visitados com muitos passes errados no seu meio-campo para inaugurar o marcador numa jogada desenvolvida pela direita com Zortea a assistir Mbangula sozinho na área para o 1-0 (8′). O AC Milan “ofereceu” um golo, os visitantes não ficaram atrás: o internacional belga Arthur Theate “assistiu” de forma involuntária Cissé para o empate numa tentativa errada de sair a partir de trás (14′). Voltava tudo à estaca inicial mas por pouco tempo, com os rossoneri a fazerem a reviravolta pouco depois de novo por Cissé, neste caso a concluir uma insistência do defesa central Tomori (21′).
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O inglês era um bom exemplo do upgrade individual e coletivo da equipa, passando da lista de dispensados para o plantel no final do mercado de transferências, no início de setembro, e tendo agora mais algumas oportunidades perante as várias ausências no plantel comandado por Ruben Amorim. Foi num movimento feito numa posição menos habitual, tendo em conta que é central e não lateral direito, que ajudou em esforço o AC Milan a chegar à vantagem ainda na primeira parte depois do golo inaugural do Bolonha. No entanto, e depois de ter acabado lesionado, acabou por não voltar após o intervalo, dando lugar a Modric. A parte física e as várias baixas teriam um peso determinante no que se seguiria diante de um Bolonha que faz da fisicalidade do meio-campo e da agressividade da defesa a três os principais argumentos do seu jogo.
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Em mais uma adaptação perante a falta de alternativas para essa posição, Musah passava para o lado direito da defesa, com Modric em dupla no meio-campo com Jashari. Apesar de haver outra capacidade para ter o controlo do jogo com o experiente médio croata, o AC Milan não conseguiu prolongar o bom ritmo. E, como nesta altura um mal nunca vem só para a formação de Ruben Amorim, o Bolonha marcou dois golos em apenas três minutos, com Bartesaghi a desviar para a própria baliza um livre lateral da esquerda (60′) e Mbangula a aparecer completamente isolado na área em mais um erro coletivo da defesa para o 3-2 (62′). A segunda reviravolta estava confirmada, a bola estava agora do lado dos rossoneri, que demoraram a criar uma oportunidade de golo mas viram Camarda a cabecear a rasar o poste nos últimos dez minutos (83′), antes de ser o Bolonha a fechar por completo a questão com novo erro a oferecer o hat-trick a Mbangula (86′) que carimbou a primeira derrota do conjunto de San Siro antes do dérbi com o rival Inter na Serie A.