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(A) :: Primeiro "Presidente eleito", depois "líder". Depois da fuga, Flávio Bolsonaro reivindica poder e promete governar a partir de Miami

Primeiro "Presidente eleito", depois "líder". Depois da fuga, Flávio Bolsonaro reivindica poder e promete governar a partir de Miami

Senador saiu do Brasil com a família durante a noite pela fronteira terrestre para a Argentina. Voaram para o Equador e, entretanto, já chegou a Miami. Trump disse que família Bolsonaro é bem-vinda.

Martim Andrade
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Madalena Moreira
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Quase 48 horas depois de terem surgido os primeiros relatos da sua fuga do Brasil, Flávio Bolsonaro quebrou esta quarta-feira à noite o silêncio, “[dirigindo-se] ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro Presidente eleito do Brasil“. A formulação, deixada numa carta aberta, foi posteriormente alterada para se declarar apenas como “o líder do Brasil”.

https://x.com/SamPancher/status/2115530753001832948

O candidato que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais brasileiras saiu do país e entrou na Argentina pelas 22h50 (1h50 em Lisboa) de terça-feira, permaneceu apenas 40 minutos em território argentino, antes de ter embarcado num voo privado em direção ao Equador. Pelas 13h40 desta quarta-feira, aterrou, finalmente, em Miami.

https://x.com/AP/status/2115448243454652623

Foi já nos Estados Unidos, esta quarta-feira à noite, que o senador do Partido Liberal (PL) publicou uma longa carta em que denuncia o que diz ter sido “uma fraude eleitoral” e a “atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado de Lula [o juiz do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin] permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse”. “A resposta ao meu questionamento veio rápida”, continua na carta aberta, partilhada nas redes sociais.

Sem nunca o mencionar pelo nome, Flávio acusa Alexandre de Moraes, juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), de ter “posto em andamento a máquina de perseguição política do regime”, ao ter ordenado a entrega dos seus passaportes. “Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, elabora, dizendo que o pai, Jair Bolsonaro, foi vítima da mesma “caça às bruxas politicamente motivada”.

https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2115544562219315474

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado e preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, frisa, comparando a sua situação à de Charles de Gaulle durante o regime de Vichy ou à dos opositores ao regime chavista venezuelano Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado e prometendo liderar o Brasil a partir de fora.

A longa carta, com mais de duas páginas, inclui ainda agradecimentos aos Presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, por o terem ajudado e acolhido, e apelos às instituições brasileiras, à comunidade internacional, aos políticos eleitos do PL e aos eleitores que votaram nele para que continuem a lutar pela democracia brasileira. “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar”, remata o ex-candidato presidencial.

https://observador.pt/2026/10/27/dois-processos-criminais-passaportes-cancelados-fuga-para-os-eua-o-caso-flavio-bolsonaro-apos-a-derrota-nas-eleicoes/

Argentina por terra, paragem no Equador e jato de luxo até Miami. A rota da fuga e as dúvidas da Polícia Federal

Depois de múltiplas informações contraditórias, publicadas por aliados de Flávio Bolsonaro, a passagem do senador do Brasil para a Argentina foi confirmada na madrugada desta quinta-feira pela Direção Nacional de Migrações de Buenos Aires. Segundo a agência, Flávio seguiu acompanhado pela mulher, Fernanda, e as filhas, Carolina e Luiza. Foi por terra que o filho do ex-Presidente passou a fronteira, tendo atravessado a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a Foz do Iguaçu a, no estado brasileiro do Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina. “Atravessaram a fronteira com documentos de viagem válidos e sem qualquer impedimento legal para entrar no país. Para além disso, as passagens foram registadas pelas autoridades competentes sem qualquer incidente”, escreve a Direção Nacional de Migrações na rede social X.

https://x.com/Migraciones_AR/status/2115308014546657747?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2115308014546657747%7Ctwgr%5Ec1a783b286393a8c1f881a2c47b8c543feba4a42%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.cnnbrasil.com.br%2Finternacional%2Fargentina-diz-que-flavio-entrou-no-pais-na-noite-de-terca-e-voou-ao-equador%2F

Apesar do relato feito pelas autoridades argentinas, a Polícia Federal (PF) suspeita que Flávio e a família tenham, na verdade, entrado no país de avião privado, relata o G1. Certo é que, na viagem da Argentina para o Equador, o líder do Partido Liberal (PL) viajou com o seu passaporte italiano, que obteve em 2023.

Foi só pelas 23h30 (2h30 em Lisboa) que Flávio Bolsonaro entrou num avião operado pela Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, a maior cidade do Equador. A notícia chegou após o Governo de Javier Milei ter garantido, na terça-feira, que o candidato derrotado não tinha entrado em solo argentino ou sequer emitido um pedido de asilo no país vizinho, numa altura em que se especulava sobre o paradeiro de Bolsonaro. O destino final eram os Estados Unidos da América, onde já se encontra o irmão, Eduardo, no estado da Flórida.

https://observador.pt/2026/10/28/afinal-so-saiu-do-brasil-na-terca-feira-a-noite-flavio-bolsonaro-fugiu-num-jato-privado-luxuoso/

A partir do Equador, Flávio Bolsonaro viajou num jato privado de luxo — o Gulfstream G400 da companhia aérea Baires Fly. Conta com poltronas (que se podem transformar em camas) e pode levar até doze passageiros e dois pilotos. O senador fugiu com a família nesta aeronave e chegou aos Estados Unidos esta quarta-feira.

https://twitter.com/GulfstreamAero/status/2112673076534255711?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2112673076534255711%7Ctwgr%5Ec92702a6b6d7c7706e550c3ce3461bc9549cdf8d%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2F%3Fp%3D8395239preview%3Dtrue

O registo online do departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, consultado pelo G1, revela que o senador deu entrada no país com o seu passaporte diplomático. Porém, este passaporte, tal como o seu passaporte comum, já estava cancelado desde domingo, devido à decisão do juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) para que os passaportes fossem entregues — o que não aconteceu.

Esta quarta-feira, já com Flávio no ar rumo a Miami, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na “mansão do senador em Brasília”, segundo o Globo. O objetivo destas buscas será recolher documentos e equipamentos eletrónicos que tenham sido deixados para trás, mas que possam contribuir para a investigação sobre lavagem de dinheiro.

Donald Trump admitiu, esta quarta-feira, que “aprovava” a ida de Flávio Bolsonaro para solo norte-americano. “Acho que são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, acho que foi terrível. Recebi críticas negativas, vejam o que aconteceu no mercado”, comentou o Presidente dos EUA em declarações à imprensa, na Joint Base Andrews, ao regressar de uma viagem em campanha no Texas. E apesar de assegurar que o candidato seria bem recebido, diz que “não toma lados”. “Conheço ambos. Conheço o Lula, conheço o Flávio, um pouco, mas conheço o pai [Jair] muito bem”, cita a Reuters.

De acordo com a agência Reuters, que cita fontes do Departamento de Estado, Flávio e a família já terão recebido vistos para entrar e permanecer nos Estados Unidos da América.