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(A) :: Gadi Eisenkot celebra a "mudança" e atira a Netanyahu: "Um líder de valor anunciaria a sua saída da vida política esta noite"

Gadi Eisenkot celebra a "mudança" e atira a Netanyahu: "Um líder de valor anunciaria a sua saída da vida política esta noite"

Sem números para a provar, Gadi Eisenkot cantou vitória e traçou uma clara linha vermelha a Netanyahu e aos ultra-ortodoxos. Menos clara é a posição face ao Likud sem Netanyahu e aos partidos árabes.

Madalena Moreira
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João Porfírio
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“Fizemos história!” Foi com estas palavras que Gadi Eisenkot se dirigiu na madrugada desta quinta-feira aos seus apoiantes, reunidos no quartel-general da campanha do Yashar! em Telavive. À hora do discurso, perto da 1h30 local (23h30 em Lisboa) ainda não tinham sido apurados nem 1% dos votos e apenas uma de cinco projeções das televisões israelitas é que apontava para uma vitória do seu bloco — mas isso não Eisenkot impediu de cantar vitória.

“A coligação do fracasso perdeu a confiança do povo. O público israelita votou contra a continuação de Netanyahu como primeiro-ministro de Israel”, ditou o líder do bloco pré-eleitoral que reúne quatro partidos da direita e do centro-direita israelita e que liderou as sondagens. Com base nessa análise, Eisenkot apelou à demissão imediata do ainda primeiro-ministro. “Um líder de valor aceitaria a moção de censura do povo e anunciaria a sua demissão da vida política hoje“, afirmou.

A frase foi interpretada por alguns — inclusivamente por pessoas presentes no quartel-general de Eisenkot em Telavive, onde o Observador esteve — como um convite ao Likud para formar um Governo de bloco central, desde que Netanyahu se afaste. Sem maioria no Knesset — nenhuma das sondagens das projeções o prevê — negociar uma solução de Governo, com ou sem Likud, será a prioridade de Gadi Eisenkot. E terá de ser feito “rapidamente”, defendeu. “É imperativo”, acrescentou.

A urgência justifica-se com a necessidade de fazer cumprir a vontade do povo israelita e terminar com “a cultura de mentiras, fracasso e divisão”. Mas também se impõe como forma de evitar um aproveitamento político por parte do atual primeiro-ministro do período de negociações pós-eleições. Essa possibilidade também pareceu ter sido antecipada por Eisenkot na sua intervenção.

Dirigindo-se às autoridades, o candidato instou-as a “manterem-se firmes face a qualquer tentativa de [as] desafiar”, relembrando que “Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”. E a Netanyahu deixou um aviso claro nesse sentido: “Não se atreva a utilizar a segurança de Israel para os seus interesses políticos“.

Avisos feitos a Netanyahu, Gadi Eisenkot traçou outra linha vermelha para as negociações: os ultra-ortodoxos. Perante o mar de apoiantes, o líder do Yashar! defendeu o compromisso com a “aprovação do serviço militar universal” e declarou que “a altura de fuga ao serviço militar obrigatório acabou”. Menos clara ficou a posição face aos partidos árabes. A par com o serviço militar obrigatório, Eisenkot defendeu o “reconhecimento de Israel como um Estado judeu e democrático”, o “compromisso com os valores da Declaração da Independência” e com o “desmantelamento do Hamas”. Ora, foram estes mesmos princípios que o partido defendeu, durante a campanha, como a base para negociar um acordo de Governo com qualquer partido — os mesmos que disse duvidar que fossem aceites pelos partidos árabes.

Todavia, Gadi Eisenkot também sublinhou múltiplas vezes que irá governar para todos os setores da sociedade israelita, sem exceções, nem divisões. “A era do ‘nós’ e do ‘eles’ acabou. Vamos provar que esta não é uma vitória de uma parte do nosso povo sobre outra, mas uma vitória do povo de Israel como um todo. Israel está a caminho de uma nova era“, rematou.