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Flávio Bolsonaro já terá chegado aos EUA "em segurança". Candidato presidencial derrotado deve pedir asilo a Donald Trump

Senador não cumpriu ordem do STF para entregar passaportes. Candidato presidencial derrotado terá viajado a partir da Argentina. Marco Rubio foi o "cérebro" da operação, diz aliado de Trump.

António Moura dos Santos
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Ricardo Reis
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Larissa Faria
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Flávio Bolsonaro terá aterrado esta terça-feira nos Estados Unidos acompanhado pela mulher e pelas duas filhas. A informação foi avançada por fontes ligadas ao Governo norte-americano à CNN Brasil. O candidato à presidência do Brasil pelo Partido Liberal (PL) terá atravessado a fronteira entre o Brasil e a Argentina e recorrido a um voo privado (a partir da Argentina) na noite de segunda-feira para viajar para os EUA. Aliados do opositor de Lula da Silva já haviam confirmado a viagem ao mesmo meio de comunicação social. O filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro deve pedir asilo político a Donald Trump, segundo o jornal brasileiro Metrópoles.

Lula da Silva, reeleito para a presidência, classificou como “vergonhoso” o facto de Flávio abandonar o país após a derrota. O Presidente brasileiro, que completa 81 anos esta terça-feira, disse numa transmissão em direto que o filho de Bolsonaro deve ter “culpa na consciência”. “Esse cidadão foi a figura mais mentirosa que vi no planeta Terra, não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele. Quando mente, está a desrespeitar as pessoas que estão em casa”, disse o vencedor das eleições.

Numa publicação no X, o advogado mexicano Simón Levy, aliado de Donald Trump, afirmou que Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos “livre e em segurança”. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi o “cérebro” responsável pela operação, segundo Levy. Naquele país, é previsto que Flávio “lidere a oposição” a Lula da Silva. Uma fonte próxima da família Bolsonaro disse à Reuters que Flávio teria aterrado na Flórida.

https://x.com/SimonLevyMx/status/2115146277310873758

Donald Trump não abordou o caso diretamente, mas afirmou que as eleições no Brasil podem ser fraudulentas e acusou o Partido Democrata de manipular as eleições nos Estados Unidos.

“[Os democratas] são os maiores batoteiros de eleições da história, embora o Brasil também esteja a fazer um belo trabalho, não está? Viram esta [eleição]? Esta não foi lá muito bonita. Eu não tomei partido, mas não pareceu nada bem”, afirmou num comício em Corpus Christi, no Texas.

Segundo o Infobae, o maior site de notícias da Argentina, o senador brasileiro terá atravessado a fronteira entre o estado brasileiro do Paraná e a província argentina de Misiones, recorrendo à sua Carteira de Identidade Nacional (o equivalente brasileiro ao Cartão de Cidadão). Já no país vizinho, embarcaria num avião Gulfstream G400 na cidade fronteiriça de Puerto Iguazú.

O jornal online avançou ainda que este voo privado teria partida prevista para as 02h00 (hora local, 05h00 em Lisboa), tendo a matrícula LV-JQW e pertencendo à empresa Baires Fly S.A. Além disso, foi avançado que Bolsonaro terá entrado na Argentina a pé, entre as 21h00 e as 22h00 locais. Apesar de todas estas informações, a televisão argentina, citada pela Rádio CBN, da Globo, avançou que a divulgação da notícia teria feito com que o senador desistisse do voo.

Confirmando-se oficialmente a fuga do Brasil, esta viagem ocorre depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter ordenado a Flávio Bolsonaro que entregasse os seus passaportes até às 11h (horário local) de terça-feira devido a um possível risco de fuga, visto que o senador e candidato presidencial derrotado se encontra sob investigação. No entanto, Bolsonaro não cumpriu a ordem e não entregou os passaportes, refere o jornal O Globo, que adianta que a Polícia Federal cancelou os documentos e iria comunicar a Alexandre de Moraes (ministro do STF) o incumprimento da decisão judicial.

https://observador.pt/2026/10/26/flavio-bolsonaro-entrega-passaportes-por-ordem-do-stf-e-prepara-acao-para-anular-vitoria-de-lula/

A Folha de São Paulo adianta que a Polícia Federal está a investigar o caso, encontrando-se a rastrear diferentes pontos da fronteira entre o Brasil e a Argentina. Pelo que foi possível verificar, nota esta força policial, Bolsonaro não passou oficialmente pela fronteira, admitindo ainda assim que há formas de cruzá-la sem passar pela fiscalização fronteiriça. A mesma força de segurança investiga ainda se a viagem para os EUA terá ocorrido a partir de Caracas, na Venezuela (país que está sob o controlo norte-americano).

Do lado argentino, também não há registo da entrada de Bolsonaro no país, aponta o G1, citando informações dadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, o órgão federal responsável pelo controlo migratório no país. A mesma informação foi dada por um porta-voz do presidente da Argentina, Javier Milei, à agência de notícias norte-americana Bloomberg. Ainda antes das declarações de aliados, também o diretor de campanha de Bolsonaro às presidenciais, Rogério Marinho, negou ao site Metrópoles que o senador tivesse abandonado o país.

A medida preventiva tomada pelo STF prende-se com o processo do qual Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são alvos, pendendo sobre os dois suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas recorrendo a alegados esquemas através de casas de apostas. Flávio Bolsonaro, que em 2018 foi eleito senador pelo Estado do Rio de Janeiro, perderá a imunidade parlamentar em fevereiro de 2027, quando se encerra o seu mandato, que é de oito anos. A partir desta data, o político poderá ser preso se condenado pelos crimes pelos quais está a ser investigado. Com a candidatura à presidência, Bolsonaro perdeu a chance de concorrer a uma eventual reeleição ao seu atual cargo.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo na segunda-feira onde assegurou que ia cumprir a ordem do STF e que não pretendia abandonar o país. “Quando estava a sair [da casa de Jair Bolsonaro], a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa declaração do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso”, refere o candidato derrotado no vídeo.

Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual Lula da Silva é líder, solicitaram a Alexandre de Moraes a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e a inclusão do seu nome na lista de alerta vermelho da Interpol, noticiou a Folha de S.Paulo. Não se sabe até ao momento se o pedido foi aceite. Jair Bolsonaro, condenado a 11 de setembro de 2025 por tentativa de golpe de Estado, viajou também para os Estados Unidos em dezembro de 2022, dois meses após ter sido derrotado nas urnas eletrónicas por Lula da Silva. Com a viagem, Bolsonaro não esteve presente para passar a faixa presidencial na tomada de posse do novo líder do Governo em Brasília.