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Para dar a volta às eleições e derrotar Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva precisou de um Exército mais “vitorioso” que o “da China, da Rússia ou dos Estados Unidos”: o “Exército da democracia brasileiro”. Encontrou-o nas ruas, mas também nas redes sociais, declarou este domingo à noite, no seu discurso de vitória, depois de ser reeleito, aos 80 anos, para um quarto mandato como Presidente.
Ofegante e de lágrimas nos olhos, subiu ao palco em São Paulo de mão dada com a mulher, Janja, e rodeado pelos seus “generais”: o seu vice-presidente Geraldo Alckmin, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o deputado federal por Minas Gerais, André Janones, que coordenou o canal do WhatsApp, “O Exército do Lula”. Foram estes dois últimos que mostraram a Lula a necessidade de levar a luta para o espaço digital e, conquistada a vitória, o Presidente reeleito prometeu levar essa lição para o Planalto — juntamente com o novo telemóvel que Fonteles lhe arranjou, brincou.
“Essas eleições me ensinaram muitas lições. Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões e que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu Governo. Não vou permitir ser interpretado por jornalista de má-fé”, afirmou.
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Neste novo campo de batalha, o petista abraçou também um grupo que considerou essencial para a reviravolta levada a cabo neste dia 25 de outubro: os jovens, representados em palco por Guilherme Cortez, o recém-eleito deputado federal por São Paulo que se popularizou nas redes sociais. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro e neste segundo turno agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para a rua defender a democracia brasileira”, frisou.
O espaço digital serviu ainda de mote para lançar ataques às plataformas digitais que acusou de se tentarem “intrometer” na campanha. E do ataque às grandes tecnológicas, partiu ao ataque aos seus adversários, sem nunca os mencionar diretamente. “O Brasil não é quintal de ninguém“, atirou, de olho nos Estados Unidos.
“Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo”, declarou sobre Flávio Bolsonaro. O peso da declaração é suportado pelo longo currículo de Lula como chefe de Estado. Em inúmeros debates, cimeiras e encontros internacionais, nunca se deparou com um interlocutor assim, elaborou, apelidando-o de “um representante genuíno do milicianismo”.
Assinalados os desafios, Lula prometeu “fazer o melhor mandato que um Presidente já fez”, com investimentos na saúde, na educação, na “economia digital, verde e criativa”, na segurança, em particular na segurança das mulheres, de forma a transformar o Brasil num “país desenvolvido e central”.
A intervenção em clima de festa incluiu um reconhecimento dos dados inéditos alcançados na segunda volta: um quarto mandato, o Presidente mais velho de sempre, uma queda histórica na abstenção e nos votos nulos. Mas, em tom brincalhão, Lula recusou como histórico o facto de se ter tornado o primeiro candidato a perder numa primeira volta para depois vencer na segunda. “[Todos estão a dizer que] foi a primeira vez que a gente virou. Não sei o que virou, porque eu nunca ganhei nenhuma eleição no primeiro turno, mas nunca perdi nenhuma no segundo turno”, atirou ao público eufórico.