Uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas num ataque ocorrido na manhã desta sexta-feira nas localidades de Trappes e La Verrière, nos arredores de Paris, noticiou o Le Monde. Já na noite desta sexta-feira, o Presidente francês classificou o incidente como “atentado terrorista racista”, que marca “um ponto de viragem” no país, enquanto a Procuradoria Nacional Antiterrorista revelou que o suspeito armadilhara o próprio apartamento com botijas de gás.
O suspeito, um homem de 39 anos identificado como Kevin T., foi detido e colocado sob custódia policial, anunciou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. “Todos os meios das forças de segurança e da autoridade judicial estão plenamente mobilizados. O Ministério Público Nacional Antiterrorista anunciou que está em estado de vigilância”, escreveu na rede social X.
https://twitter.com/SebLecornu/status/2113572662236627105
Os disparos ocorreram por volta das 10h30 locais (9h30 em Lisboa), perto de uma escola e de um parque. Segundo uma fonte policial citada pelo jornal Le Figaro, o suspeito, dentro de um carro, terá utilizado uma submetralhadora do tipo Sten, arma associada à Segunda Guerra Mundial.
Entre os feridos estará uma menina de 12 anos. Dois homens, de 29 e 49 anos, também foram atingidos e transportados para o hospital, segundo o presidente da Câmara de La Verrière, Nicolas Dainville, citado pela BFM-TV.
Macron fala em atentado inédito “planeado para matar por causa da cor da pele ou religião”
Na noite desta sexta-feira, o Presidente francês afirmou que o incidente se tratou de um “atentado terrorista racista”, que representa “um ponto de viragem no país”. Macron atribuiu-o ao “ambiente de instabilidade que certos discursos estão a criar”.
“É um ponto de viragem, porque é a primeira vez no nosso país que se comete um ato terrorista planeado para matar os nossos compatriotas, as nossas crianças, apenas por causa da cor da sua pele ou da sua suposta religião”, sustentou Emmanuel Macron, durante uma visita a Trappes, uma localidade a cerca de 30 quilómetros a sudoeste da capital francesa. O presidente da câmara de Trappes, Ali Rabeh, disse que se tratou de um “atentado de conotação racista, provavelmente islamofóbica”.
O Presidente francês salientou que o caráter racista do atentado, a principal linha de investigação apresentada pela Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT), assenta “no que o suspeito disse nas primeiras horas” após a detenção, ao “assumir o seu ato” como motivado pela “cor da pele” das vítimas. Sem nomear qualquer partido, atribuiu tal comportamento “ao discurso que se está a instalar e a criar uma determinada atmosfera”.
“Não cederemos a ideias que se instalam e que justificam este tipo de comportamento, ou que criam a atmosfera capaz de o justificar”, afirmou Macron, acrescentando que França “nunca discrimina”.
Aos habitantes do departamento de Yvelines, que conta com uma elevada percentagem de população de origem imigrante, enviou uma mensagem de solidariedade, pedindo que não se deixem intimidar por estes discursos nem por este tipo de atos. “Vocês são franceses, são a juventude de França, e essa é a nossa sorte. Não baixem a cabeça; o país apoiar-vos-á”, acrescentou Macron.
O chefe de Estado francês sublinhou que sempre combateu “o racismo que se instala no discurso público” e denunciou “um aumento da tensão” num país que sofreu “atentados que podem levar a estigmatizar religiões”.
Também na noite desta sexta-feira, a procuradoria antiterrorismo francesa revelou que o homem tinha armadilhado o seu apartamento com três botijas de gás e fios elétricos ligados a um temporizador, com o objetivo provável de que detonasse quando as forças de segurança chegassem ao local.
Notícia atualizada às 22h15 com as declarações do Presidente de França, Emmanuel Macron