Cerca de 70 queixas de abusos sexuais de padres sobre crianças foram arquivadas pelo Ministério Público. Segundo o Expresso, nenhuma das queixas apresentadas nos últimos quatro anos, que foram enviadas para a Procuradoria-Geral da República, avançou para uma acusação formal na Justiça.
Na sua maioria, os arquivamentos deveram-se ao facto de as suspeitas já estarem prescritas criminalmente. Nos outros casos, viram o mesmo destino por não haver provas sólidas suficientes para se avançar com um despacho de acusação.
Apesar de a lei dizer que os crimes só podem prescrever após o 25.º aniversário da vítima, o Expresso escreve que muitas das queixas foram apresentadas já muitos anos após os factos reportados. Uma grande parte dos casos aconteceu nos anos 80 e 90 e, em alguns, testemunhas ou mesmo os padres suspeitos já terão morrido.
De acordo com os dados agora revelados, sabe-se que os 15 inquéritos que foram abertos após denúncias avançadas à Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica em Portugal acabaram arquivados, tal como as 28 queixas formais de abusos que chegaram ao Grupo Vita, que sucedeu à comissão criada em 2022 e extinta em 2023.
Ao Expresso, fonte oficial do Patriarcado de Lisboa revela que, no último ano, não receberam qualquer novo alegado caso de abuso sexual na Igreja.