(c) 2023 am|dev

(A) :: Governo aprova versão final do novo regime de heranças e pressiona partidos na Habitação

Governo aprova versão final do novo regime de heranças e pressiona partidos na Habitação

Governo acredita ter dado mais um passo importante para colocar mais casas no mercado. Ministro da Presidência acusa PS de não assumir responsabilidades pelo legado que deixou na Habitação.

Miguel Santos Carrapatoso
text

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a versão final do regime de heranças indivisas, já depois de ter sido discutido na Assembleia da República e promulgado pelo Presidente da República. Em declarações aos jornalistas, António Leitão Amaro, ministro da Presidência, explicou o grande objetivo do Executivo com esta alteração: “Existem, de acordo com dados oficiais, 485 mil casas vagas, mais de metade em boas condições” e que, “muitas destas casas estão presas em heranças”.

“Com este regime, resolvemos a situação em que um único herdeiro poderia bloquear a divisão e a colocação no mercado. Agora, um único herdeiro passa a poder exigir a venda a partir de dois anos sem acordo”, argumentou o ministro.

Já na fase de respostas aos jornalistas, Leitão Amaro responsabilizou a ‘geringonça’ pelo regime de arrendamento atualmente em vigor, um regime “castrador”, que “castiga” o proprietário e que retira casas ao mercado. Numa resposta direta ao apelo epistolar de José Luís Carneiro, o ministro da Presidência desafiou o PS a sair da posição fechada em que se encontra. “Quem escreve cartas devia pedir para mudar a lei que os próprios aprovaram. Que haja sentido de responsabilidade dos partidos. A lei do PS é a lei que tira casas do mercado. Precisamos de uma lei que ponha casas no mercado.”

Leitão Amaro deixou também uma palavra sobre o Chega, recordando que o Governo até tem uma proposta mais blindada que o partido de André Ventura inscreveu no programa eleitoral. Mas desdramatizou: “Vamos prosseguir as sugestões [do Chega] com a confiança de que é preciso mudar o mercado de arrendamento”.

Leitão Amaro falou também sobre a relação entre imigrantes e o aumento do preço das casas. “Ao longo dos últimos sete anos, houve mais um milhão e 200 mil imigrantes. São 200 mil novas pessoas à procura de casa por ano. Estivemos a construir 15 mil casas por ano… Estamos a ver a diferença. A culpa não é do imigrante que procura casa; é da irresponsabilidade dos políticos que governaram o país nesse tempo.”

O governante rejeitou, por fim, qualquer responsabilidade do atual Governo no aumento do preço da habitação. “Para conseguirmos uma inversão significativa dos preços não basta aumentarmos muito o número de licenciamentos ou aumentarmos o número de casas construídas. Isso está a acontecer. Só que a dimensão da diferença entre a população adicional do país e as casas que são precisas é muito grande.”