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“O Stephen está a caminho de casa”. A publicação foi feita esta quarta-feira de manhã na Truth Social de Donald Trump, horas depois de o seu enviado especial Steve Witkoff ter aterrado em São Petersburgo para um encontro com Vladimir Putin. “Stephen” é Stephen James Hubbard, um antigo professor de 74 anos do estado norte-americano do Michigan que foi capturado pela Rússia no início de 2022 e acusado de lutar como mercenário ao lado das tropas ucranianas.
O pedido para a libertação de Hubbard foi feito pelo Presidente dos Estados Unidos ao seu homólogo russo durante uma chamada telefónica na semana passada, pode ler-se na publicação. “Os Estados Unidos, por respeito ao Presidente Trump, não têm de dar nada em troca — uma situação sem precedentes na Rússia. Não foi precisa uma “troca” para esta libertação”, lê-se ainda.
Num vídeo partilhado pela imprensa norte-americana, Stephen Hubbard cumprimenta Steve Witkoff. “Acabámos de estar com o Presidente Putin e ele envia as suas bênçãos e deseja-lhe tudo de bom”, diz o enviado norte-americano a Hubbard. No encontro com Putin, Witkoff estendeu os elogios diretamente ao Presidente russo. “Por sua causa, ele vai regressar à sua família. Fala muito do facto de o meu Presidente, Donald Trump, ser um humanitário. Mas o senhor também é um humanitário“, disse ao chefe de Estado russo, em declarações citadas pela Associated Press.
https://x.com/Reuters/status/2112936962281840711
Os mesmos motivos foram invocados pela Rússia para a libertação do antigo professor, que estava detido há mais de quatro anos e tinha sido condenado, em 2024, a quase sete anos de prisão. “[A questão] tinha vindo a ser levantada pelo lado americano há algum tempo”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que justificou a libertação com “considerações humanitárias“. Ao longo dos últimos dois anos, a família de Hubbard tinha expressado preocupações com o seu estado de saúde.
Como um professor de inglês acabou condenado num tribunal russo
Stephen Hubbard nasceu e cresceu em Big Rapids, no Michigan, mas os anos levaram-no a vários pontos do globo, escreve o New York Times. Depois de uma juventude marcada por uma passagem pela Força Aérea, a Guarda Nacional, um casamento e um divórcio, Hubbard voltou a casar na década de 1980 e mudou-se para o Japão, onde se converteu à Igreja Ortodoxa Russa. Um dos filhos mora até hoje no país, mas já voou para os Estados Unidos para se reencontrar com o pai.
Depois do segundo divórcio, Hubbard mudou-se para o Chipre, onde mora outro dos filhos, do primeiro casamento, Joseph Coleman. Foi aí que Hubbard conheceu uma mulher ucraniana. Em 2014, o casal mudou-se para o leste da Ucrânia, onde o norte-americano se dedicou a ensinar inglês.
Em entrevista ao New York Times, os dois filhos e outros familiares descreveram um homem “solitário” e “desconfiado” da vigilância no espaço digital. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, atualizava os filhos de forma frequente sobre a sua situação. Mas as mensagens duraram pouco — poucas semanas depois do início da guerra, Hubbard foi capturado no leste da Ucrânia. Foi acusado pela Rússia de ter assinado um contrato para lutar ao lado dos ucranianos, em troca de treino militar e mil euros mensais. Em outubro de 2024, foi condenado a seis anos e dez meses de prisão numa colónia penal, depois de, segundo a imprensa russa, se ter declarado culpado.
Hubbard passou os últimos anos em pelo menos cinco centros de detenção, onde terá sido vítima de “espancamentos constantes, tortura e fome”, segundo uma carta enviada no ano passado por uma organização internacional, a Hostage Aid Worldwide, que tem apoiado a família de Hubbard, à Casa Branca. A organização, a família do prisioneiro e a anterior administração norte-americana recusam as acusações imputadas pela justiça russa, que classificam como “fabricadas”.
Vários cidadãos norte-americanos continuam em prisões russas
Na reação à libertação de Hubbard, um outro grupo internacional, a Global Reach — que trabalha para a libertação de cidadãos norte-americanos presos em vários pontos do globo — elogiou a ação da administração Trump, mas ressalvou que há pelo menos outros cinco norte-americanos detidos em prisões russas. Estas cinco pessoas, como aponta a CNN que olhou para os seus casos, estão presas por acusações que vão do tráfico de armas e droga a violência doméstica.
No entanto, Hubbard era o único norte-americano na Rússia classificado pelo Departamento de Estado dos EUA como “detido injustamente”. Apesar da atenção dada pela administração Biden à situação de Hubbard, Trump aproveitou a sua libertação para deixar novas críticas ao seu antecessor. “Este regresso de grande importância já deveria ter ocorrido há muito tempo por parte da Administração Biden, que não conseguiu avançar nas suas negociações com o Kremlin”, lê-se na publicação na Truth Social.