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(A) :: Diomande tem milhões nas costas, Bernardo leva milhões às costas, Mourinho não vira as costas: Real goleia RB Leipzig

Diomande tem milhões nas costas, Bernardo leva milhões às costas, Mourinho não vira as costas: Real goleia RB Leipzig

Num jogo que parecia muito complicado ao longo de toda a primeira parte, o Real Madrid acabou a golear o RB Leipzig para manter o pleno na Champions, com Bernardo a estrear-se a marcar (4-1).

Mariana Fernandes
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O destino tem maneiras mais ou menos bonitas de se desenrolar e no futebol, mais vezes do que menos, acaba por proporcionar reencontros que só poderiam ser escritos pelas mentes mais românticas. Só isso, na verdade, pode explicar o facto de Yan Diomande, costa-marfinense de 19 anos que nasceu em Abidjan, saber que esta quarta-feira iria jogar com a camisola do Real Madrid contra o clube que lhe permitiu chegar precisamente ao Real Madrid.

No RB Leipzig, o adversário da terceira jornada da Liga dos Campeões, Yan Diomande só precisou de uma temporada para marcar 13 golos em 36 jogos, garantir a convocatória para o Mundial 2026 onde liderou a Costa do Marfim no primeiro apuramento de sempre para as eliminatórias e assegurar o salto de gigante para o Real Madrid. Um salto que não foi um salto qualquer: custou 125 milhões de euros, tornou-se a maior contratação da história dos merengues, o jogador africano mais caro de sempre e o primeiro costa-marfinense a jogar pelo clube.

https://observador.pt/2026/07/27/yan-diomande-o-novo-craque-do-real-madrid-que-joga-pela-irma-e-que-ja-nao-ve-o-futebol-como-um-jogo/

Agora um dos trunfos de José Mourinho no Bernabéu, Yan Diomande deixou uma marca tão vincada no RB Leipzig que até o atual treinador, que nem sequer se cruzou com ele porque substituiu Ole Werner no verão, se desmancha em elogios. “Não pude desfrutar muito dele, fui contratado em julho e ele estava no Mundial. Conheço-o mais por ver na televisão ou no computador do que por ter podido apreciá-lo no relvado. É um daqueles jogadores que fazem a diferença, tanto pela esquerda como pela direita, tem uma grande capacidade técnica e controla a bola com os dois pés. A forma como poderá acompanhar a evolução vai depender dele, mas não tenho dúvidas de que terá grandes treinadores e grandes companheiros de equipa”, disse Martín Demichelis na antevisão.

José Mourinho, naturalmente, é mais pedagógico nos elogios — e não esquece a etiqueta dos milhões. “Ele tem muito que melhorar e ainda há muito espaço para evoluir. É jovem, ingénuo e ainda está em formação. Aqui o nível de exigência é muito alto. Ele não joga com o número 25 nas costas, joga com os 125 que pagaram por ele. Está a evoluir, precisa de melhorar a finalização. Muitas vezes, chega a áreas perigosas e tem dificuldade para manter a calma no momento decisivo, dar assistências melhores, levantar a cabeça para ver os companheiros. Mas vai conseguir. Lembro-me muito do Vinícius quando chegou e dois ou três anos depois já era um jogador de alto nível”, defendeu o treinador português da vitória do fim de semana, contra o Sevilha, em que o costa-marfinense marcou um golo e assinou uma assistência.

Assim, no Bernabéu, Yan Diomande era suplente num Real Madrid que vinha de três vitórias consecutivas e que levava seis pontos na Liga dos Campeões, depois dos triunfos contra Inter Milão e Roma. José Mourinho optava por Arda Güler e Vinícius no apoio a Kylian Mbappé, com Bernardo, Eduardo Camavinga e Jude Bellingham no meio-campo. Do outro lado, num RB Leipzig com três pontos na Champions, mas acabado de ser atropelado pelo Bayern Munique na Bundesliga, Martín Demichelis apostava em Antonio Nusa, Brajan Gruda e Rômulo no ataque, com Christopher Nkunku nas costas, e já contava com o regressado Christoph Baumgartner no banco de suplentes.

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Numa primeira parte muito discutida, onde o Real Madrid nunca conseguiu ter propriamente o ascendente da partida e acabou por ser o RB Leipzig a beneficiar dos momentos mais longos de superioridade, a primeira ocasião de perigo pertenceu precisamente aos alemães, com Ridle Baku a rematar na área para Courtois encaixar (20′). O guarda-redes belga voltou a ser testado já perto da meia-hora, respondendo da melhor maneira a uma tentativa de Rômulo (28′), e Vinícius também obrigou Maarten Vandevoordt a uma intervenção atenta logo a seguir (29′).

Os alemães cresceram na ponta final da primeira parte, atuando quase por completo no meio-campo contrário e muito à boleia de uma exibição acima da média de Antonio Nusa, e Courtois ainda voltou a ser crucial ao parar um cabeceamento de Rômulo (33′) e um remate de Nkunku (41′). A eficácia, porém, acabou por fazer a diferença. Já à beira dos descontos, na sequência de uma defesa incompleta de Vandevoordt a um remate de Arda Güler na área, Bernardo foi oportuno e apareceu na recarga para abrir o marcador e estrear-se a marcar pelos merengues (44′). Ao intervalo, o Real Madrid estava a vencer o RB Leipzig no Bernabéu.

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Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o Real Madrid poderia perfeitamente ter aumentado a vantagem logo nos instantes iniciais, com Fede Valverde a rematar na área para Vandevoordt fazer mais uma boa defesa (47′). Pouco depois, o segundo golo apareceu mesmo. Cruzamento de Jude Bellingham na esquerda, Mbappé voou ao segundo poste para cabecear e Arda Güler desviou para marcar (52′), acabando a pedir desculpa ao francês por lhe ter “roubado” o golo, entre muitas gargalhadas.

Mbappé quase marcou logo a seguir, com um remate na área que saiu à malha lateral (55′), e o Real Madrid ia atravessando a melhor fase na partida, encostando o RB Leipzig às cordas e aproveitando o resultado para encontrar os primeiros minutos de verdadeira tranquilidade. Martín Demichelis fez as primeiras substituições já depois da hora de jogo, para lançar Andrija Maksimovic e Rocco Reitz, e o encontro foi entrando numa toada cada vez mais morna, até porque os alemães quebraram muito com o segundo golo sofrido.

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José Mourinho colocou Yan Diomande e Marc Cucurella a cerca de 20 minutos no fim, abdicando de Vinícius e Álvaro Carreras, e Martín Demichelis ainda apostou em Tidiam Gomis e Max Finkgrafe, com este último a testar os reflexos de Courtois com um remate potente de fora de área pouco depois de entrar (75′).

Brahim Díaz ainda teve direito a alguns minutos e Mbappé, já perto do fim, não permitiu que o jogo acabasse sem entrar na ficha, aumentando a vantagem com um grande pontapé em jeito (83′). Os alemães ainda reduziram logo a seguir, por intermédio de Tidiam Gomis e num merecido golo de honra por tudo o que fizeram principalmente na primeira parte (85′), mas Yan Diomande ainda foi a tempo de fechar as contas com um golo brutal de primeira, na área (87′), festejando de forma contida e juntando as mãos para pedir desculpa à antiga equipa.

No fim, o Real Madrid goleou o RB Leipzig, somou a terceira vitória em três jornadas da Liga dos Campeões e parte da melhor maneira para o El Clásico de domingo, em Camp Nou e contra o Barcelona, no primeiro jogo gigantesco de José Mourinho na segunda passagem pelo Bernabéu — até porque está a seis pontos da liderança dos catalães na La Liga. E tudo com direito à melhor exibição de Bernardo Silva desde que trocou Inglaterra por Espanha, de forma clara, e também um lance que mostra o porquê de Yan Diomande ser o jogador mais caro da história de um clube com História.

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