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Assalto. Chega desconfia da segurança do Parlamento, Bloco quer que "bom nome" dos polícias seja reposto

Líder parlamentar do Chega sugeriu que serviços de segurança podem ser responsáveis pelo assalto ao gabinete de Ventura. Bloco fala em acusações graves e pede consequências.

Mariana Lima Cunha
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O assalto ao gabinete de André Ventura continua a provocar ondas de choque dentro da Assembleia da República. Depois de o presidente, José Pedro Aguiar-Branco, ter decidido constituir o Parlamento como assistente no processo de investigação, o Bloco de Esquerda veio acusar o Chega de sugerir que os serviços de segurança da Assembleia da República podem ser os culpados pelo que aconteceu no gabinete de André Ventura — e pedir a Aguiar-Branco que tome medidas para “repor o bom nome” dos agentes colocados no Parlamento.

Na corrente de emails trocados a propósito da constituição da Assembleia como assistente, a que o Observador teve acesso, os partidos saudam a iniciativa de Aguiar-Branco. Mas na mesma sequência de mensagens é levantado outro tema, a propósito de um vídeo gravado pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, em que sugeria que saiu dos serviços de segurança uma fuga de informação sobre os deputados do partido que entraram no gabinete de André Ventura naquele dia.

E levantava outra suspeita: “Será que aqueles que fizeram essa fuga na videovigilância foram também o autor do assalto ao gabinete do André Ventura? Fica a questão, porque quem é capaz de ter esta fuga de informação é capaz, certamente, de muita coisa dentro desta Assembleia da República”.

Ora partindo deste vídeo, o chefe de gabinete do Bloco de Esquerda no Parlamento, Bruno Góis, regista que foram “lançadas suspeitas graves sobre os serviços de segurança do Parlamento, agentes da PSP e guardas da GNR”, e, manifestando “toda a confiança” nesses elementos, questiona se “será tomada alguma diligência sobre este assunto que reponha o bom nome dos mesmos e os exima de qualquer e lamentável suspeita lançada pelo Presidente do Grupo Parlamentar do Chega”.

Em resposta, Pedro Pinto pergunta se já foram tomadas diligências para saber “de onde partiu a fuga de informação ou quem teve acesso às imagens de videovigilância para lançarem suspeitas sobre o deputado do Chega, Francisco Gomes, atentando o seu bom nome e honra”, uma vez que foi noticiado logo no dia do assalto que o deputado madeirense entrou na Assembleia da República às 7h da manhã e foi o primeiro a chegar ao gabinete de Ventura (depois da responsável pela limpeza).

“Creio ser importante averiguar e saber toda a verdade, até para não dar azo a tentativas de aproveitamento político de micro partidos!”, remata Pedro Pinto.

Na mesma troca de emails, o PAN vem dizer que também mantém a confiança e o respeito pelos elementos das forças de segurança e que “o próprio corpo de segurança já identificou sucessivas fragilidades e propostas de medidas a adotar, medidas essas que nunca foram implementadas em diferentes legislaturas, precisamente por não existir o acolhimento por parte da maioria necessária para esse efeito”, pedindo que numa próxima conferência de líderes se crie um grupo de trabalho para rever as medidas de segurança no Parlamento.