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Trump anuncia programa de 25 milhões de dólares para quem denunciar fraudes no Governo

Qualquer pessoa (incluindo jornalistas) que denunciar fraudes no Governo dos EUA, pode vir a receber até cerca de 30 mil dólares (cerca de 27 mil euros). O programa é novo mas já houve um caso.

Francisco Vilaça
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Donald Trump anunciou nesta terça-feira, ao lado do vice-presidente norte-americano, JD Vance, um pacote de 25 milhões de dólares (22.268.500,00 euros) para incentivar a população a denunciar qualquer suspeita de fraude contra o Governo norte-americano. Ou seja, qualquer pessoa que submeta alguma denúncia que leve a uma condenação ou a alguma ação significativa da polícia federal, fica elegível a receber até cerca de 30 mil dólares (cerca de 27 mil euros), informa a Associated Press.

Chama-se Fraud Whistleblower Incentive Program e será da responsabilidade do Departamento de Justiça americano, sendo que a palavra final cabe a Donald Trump. “Eu serei o árbitro de todas essas decisões”, disse o Presidente dos EUA no Salão Oval, com Vance e outros funcionários do governo atrás dele. “Será uma arbitragem vinculativa.”

Durante o anúncio da medida, Trump disse ainda que os pagamentos serão equivalentes a uma comissão de 1% da fraude que a denúncia ajudar a revelar e em casos de serem várias pessoas a denunciar, será Trump a decidir quem recebe o prémio monetário. Os jornalistas também são abrangidos pelo programa, fez questão de dizer o chefe de Estado.

Esta é a mais recente iniciativa da Casa Branca na sua luta contra a fraude dentro do Governo, tendo já estabelecida uma task force, sob o comando de Vance, em março. Não se livrou de críticas: várias vozes acusaram Trump bem como a sua família de lucrar com a presidência, uma vez que têm acesso a iunformação privilegiada através dos seus inúmeros empreendimentos comerciais. A Casa Branca tem respondido que Trump age apenas no melhor interesse do povo americano.

Por seu turno, Vance diz que o seu trabalho à frente da task force é “divertido” e que o dinheiro dos impostos está a ser roubado. “O Presidente diz que isto tem de acabar. E está a acabar. E se quiserem ajudar-nos a acabar com isto, podem usufruir dos benefícios”, disse o vice-presidente.

Para que não restassem dúvidas, Trump anunciou já um caso. Um cheque de 10.000 dólares (cerca de nove mil euros) foi entregue a Nick Shirley, um influenciador de direita que publicou um vídeo no ano passado alegando que membros da comunidade somali de Minnesota estavam a administrar creches falsas para receber subsídios federais. O vídeo do jovem de 24 anos chamou a atenção da administração de Trump e de ativistas conservadores e foi assim que Shirley foi chamado à Casa Branca e estava ao lado de Trump na terça-feira durante o anúncio da medida. Mas o dinheiro, sublinha a CBS, não lhe foi entregue na presença de jornalistas.

Na sala Oval, Shirley afirmou que a fraude rouba dos pobres e necessitados, dizendo que “ao expor fraudes, estão a ajudar a salvar a América”.

No seguimento da divulgação do vídeo online, onde Shirley denunciou cerca de meia dúzia de creches que estariam alegadamente a receber dinheiro público sem prestar qualquer serviço, as autoridades estatais do Minnesota e a Segurança Interna americana realizaram várias perícias nos locais.

Segundo uma análise da CBS NEWS feita em registos estatais do Minnesota, na altura em que o vídeo foi divulgado nas redes sociais, todos os centros, exceto dois, possuíam licenças ativas e os órgãos reguladores tinham visitado os centros que se encontravam ativos nos seis meses anteriores. A análise encontrou, no entanto, dezenas de notificações por violações de segurança e outras infrações, mas nenhuma evidência registada de fraude até 30 de dezembro de 2025.

Mas um dos centros mostrados no vídeo de Shirley, o Quality Learning Center em Minneapolis, fechou em janeiro, de acordo com registos estatais. O centro tinha recebido 1,9 milhão de dólares (cerca de 1,7 milhão de euros) do Programa de Assistência à Infância de Minnesota no ano fiscal de 2025, informou o estado.

E em julho, Fahima Mahamud, que apareceu num dos vídeos de Shirley, declarou-se culpada de fraude eletrónica e conspiração para defraudar os EUA, ao apresentar pedidos de reembolso inflacionados por refeições supostamente servidas a crianças na sua creche, de acordo com o Departamento de Justiça americano.

Texto editado por Dulce Neto