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(A) :: O erro de Altimira multiplicou toda uma estratégia errática de Rui Borges (a crónica do Sporting-LASK Linz)

O erro de Altimira multiplicou toda uma estratégia errática de Rui Borges (a crónica do Sporting-LASK Linz)

É uma sorte haver um Luis Suárez naquilo que foi uma equipa com tendência para procurar o azar mas nem o começo a marcar evitou que os fantasmas do passado ressurgissem apenas por culpa própria (2-3).

Bruno Roseiro
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Não é um nome completamente desconhecido – a própria sonoridade do nome fazia com que isso não fosse possível. Não é também um nome que deixe boas recordações, longe disso. O primeiro duelo entre o Sporting e o LASK Linz remonta ainda à extinta Taça das Cidades com Feira em 1969 com vantagem para os leões, o segundo foi mais recente com um triunfo em Alvalade e uma derrota na Áustria na fase de grupos da Liga Europa em 2019, o último tornou-se um autêntico pesadelo (e logo em casa). Estávamos em 2020, Ruben Amorim fazia a sua primeira temporada de início no clube, os austríacos golearam a formação verde e branca por claros 4-1 no playoff de acesso à Liga Europa. Aí, o lugar do jovem técnico parecia estar tremido. A partir daí, tudo mudou – o treinador, as prestações europeias, o Sporting. Seis anos depois, chegava mais um momento de consolidação do projeto já com Rui Borges no comando técnico desde dezembro de 2024.

https://observador.pt/liveblogs/sporting-lask-linz-leoes-procuram-terceira-vitoria-consecutiva-na-liga-dos-campeoes/

De uma forma assumida, como há muito não se via em Alvalade, o conjunto leonino chegava-se à frente na tentativa de marcar uma posição na Europa. Ainda continuava longe dos topos de gama que são as principais estrelas da Champions, também porque a realidade de Portugal pouco ou nada tem a ver com Inglaterra, Espanha, Itália ou Alemanha, mas passara de Peugeot a Mercedes depois da melhor campanha de sempre na competição em 2025/26. Foi também nesse contexto que, na sequência da vitória em Lens, Rui Borges puxou dos galões, mostrou o seu currículo e começou a visar os críticos na comunicação social. “Sou muito calmo, às vezes calmo demais. Respeito o trabalho de todos e a crítica. Não quero meter-me em polémicas. Tenho de saber lidar com a crítica mas não gosto da crítica disfarçada de opinião. Reservo o direito de defender a minha dignidade, a carreira, o grupo e o Sporting. Quem não se sente não é filho de boa gente”, frisara.

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Não foi um mea culpa a 100%, não deixou de ser o mais parecido possível. Sobrava a ambição de continuar a ganhar, com a possibilidade de chegar aos nove pontos na terceira jornada da Champions que deixava não só o apuramento bem encaminhado como mantinha em aberto o cenário de repetir o top 8 da última época. “É importante manter a ambição e a humildade que temos tido. Favoritismo teórico? As equipas fortíssimas têm tido alguns dissabores que ninguém esperava. Temos de dar seguimento à sequência de vitórias, sobretudo em nossa casa. Vimos isso no ano passado. Jogo de 2020? Serve de aviso mas já lá vão alguns anos. Esse foi para a Liga Europa, agora o Sporting tem vindo a cimentar a sua presença na Liga dos Campeões. Queremos continuar a fazer história”, destacara, numa partida que surgia num contexto diferente tendo em conta a pausa no calendário no último fim de semana: “Foi importante descarregar este excesso de carga”.

https://observador.pt/2020/10/01/os-11-minutos-de-horror-que-mostram-como-um-11-pode-ser-tao-curto-a-cronica-do-sporting-lask-linz/

Ainda sem querer assumir que Kaique Pereira iria continuar na baliza do Sporting em vez de Rui Silva, após a boa estreia no terreno do Lens, Rui Borges falara das dificuldades extra que a revelação Flávio Gonçalves vai tendo nesta fase pela mudança tática que os leões foram assumindo, ao mesmo tempo que elogiou o momento de Luis Suárez mas pedindo ao avançado colombiano que continuasse… sob pena de sair.

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“O Flávio foi um bocadinho mais prejudicado, é certo, mas falei com ele. Vai fazer muitos jogos. Nestes dois encontros, perdeu a titularidade dadas as características do jogo e a estratégia. Precisávamos de dois médios diferentes. É um jogador ofensivo que pode desbloquear em alguns momentos. Tem de estar focado, jogando ou não de início. Se o Suárez é imprescindível? É importante. Está numa boa fase. Fez uma grande época apesar de não termos alcançado os objetivos coletivos. Começou bem, vejo-o focado em ajudar a equipa. Deixa tudo dentro de campo e depois é recompensado pela sua capacidade técnica, tática e de finalização. Mas sabe que se não der à perna, temos mais dois jogadores para jogar…”, ironizara o técnico.

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Mais uma vez, Suárez fez até mais do que era suposto: marcou dois golos, teve os outros dois remates com mais perigo, também soube assistir os companheiros que nunca conseguiram definir da melhor forma, já igualou o recorde de nove encontros seguidos a marcar de Yazalde. No entanto, mais do que ser decisivo, o colombiano conseguiu apenas disfarçar em parte todas as lacunas de um Sporting que teve de mau quase tudo o que tivera de bom em França: a defesa teve várias indefinições, Maxi Araújo nunca apareceu na partida, os alas não desequilibraram, o meio-campo foi um autêntico “buraco” aproveitado da melhor forma pelos austríacos para reavivarem os fantasmas do passado. Com o adversário menos previsível e num contexto que apontava para tudo menos isso, os leões sofreram a primeira derrota da temporada com muitas culpas também para Rui Borges, não só pela estratégia inicial mas sobretudo como não conseguiu ler o encontro durante o descanso para fazer melhorar a equipa e evitar um autêntico descalabro defensivo.

Melhor início era impossível. Naquele período em que as equipas vão tentando perceber a forma como o seu adversário se coloca em campo para criar zonas de pressão, o Sporting foi melhor em duas ocasiões: logo a abrir, na primeira construção a partir de trás, a criar a largura com a bola a passar três vezes por Kaique até chegar a Maxi Araújo e a partir daí chegar ao último terço (e ganhou um canto, por Luis Suárez); depois, no primeiro momento sem posse, Gonçalo Inácio foi com Kalajdzic até ao meio-campo contrário, conseguiu a interceção antes do passe de Suárez para Irankunda e o australiano acabou por ser rasteirado na área, com o inevitável avançado colombiano a transformar a grande penalidade e a igualar a série de nove jogos a marcar de Héctor Yazalde em 1973/74 (5′). Os leões assumiam ainda mais as marcações individuais por todo o terreno, numa opção arriscada mas que condicionava a construção dos austríacos, e tentavam depois jogar com o máximo de largura para criarem espaços para a criação de desequilíbrios pela zona central.

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Com o passar dos minutos e um arrefecimento na intensidade que o Sporting colocava nas ações com e sem bola, Rui Borges começava a fazer as primeiras correções para o relvado, apontando de forma específica para uma zona do corredor central onde via demasiado espaço. Perante a falta de linhas de passe, Luis Suárez foi quase um quarto médio, perdeu a bola no seu meio-campo e o LASK Linz conseguiu mesmo chegar ao 1-1, com Jorgensen a assistir Lang, que em vez de ir para o cruzamento ficou à entrada da área, para o remate rasteiro sem hipóteses para Kaique (15′). Os austríacos, que quando conseguiam sair rápido colocavam várias unidades no último terço, conseguiam criar a dúvida ao Sporting. Dúvida sobre quem ficava quando Maxi Araújo subia com Doumbia no envolvimento, dúvida sobre quem compensava quando os centrais seguiam na marcação dos avançados, dúvida sobre zonas de discussão das segundas bolas. O empate mantinha-se.

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Só mesmo na parte final da primeira parte voltou a haver mais Sporting em termos ofensivos, sobretudo pela forma como Geny Catamo e Irankunda começaram a ser ativados pelas alas e em saídas rápidas. Maxi Araújo ainda teve um desvio de cabeça com perigo na área que saiu ao lado na sequência de um cruzamento de Geny Catamo da direita (37′), Luis Suárez obrigou Jungwirth a uma defesa de puro instinto em cima da linha num lance de insistência que poderia ser depois anulado por fora de jogo (45′) mas a igualdade iria mesmo seguir até ao intervalo, com Kaique em destaque no lado contrário com uma primeira defesa complicada a remate de Lang descaído sobre a esquerda da área (42′) e outro “encaixe” a nova tentativa do avançado dos austríacos (43′) em situações em que o jogo verde e branco voltou a ser traído por decisões precipitadas.

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Ao contrário do que se passou em Lens, onde era o técnico dos franceses que tinha muito para mexer, era Rui Borges que tinha trabalho, e muito, a fazer ao intervalo perante várias ações erráticas em termos individuais e coletivos que impediam outro tipo de exibição do Sporting. Provavelmente até poderia nem haver mexidas logo no descanso (como acabou por não acontecer) mas surgiam muitas correções por fazer na primeira fase de construção para procurar algo que foi conseguido duas vezes nos cinco minutos iniciais da segunda parte: sair com capacidade de criar superioridades numéricas antes da entrada no último terço. Faltou definição do último passe, entre um choque aparatoso entre Jungwirth e Luis Suárez que levou à substituição do guarda-redes dos austríacos, estava aberto o caminho para tentar desbloquear um encontro difícil.

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O primeiro remate da segunda parte acabaria mesmo por ser do LASK Linz na sequência de bola parada, com Mbuyamba a surgir bem ao segundo poste após canto para desviar de cabeça à figura (60′), e, quando Rui Borges parecia estar a falar com os adjuntos para preparar as primeiras alterações, os austríacos chegaram mesmo à reviravolta, com Altimira a perder a bola numa zona proibida, a deixar a equipa desequilibrada sem capacidade de ir fazer a pressão sobre o portador e a permitir uma transição de 3×2 com Ljubicic a assistir Kalajdzic para o remate cruzado na área que fez o 2-1 (63′). Só aí o técnico leonino mexeu na equipa, com a saída de João Simões para a entrada de Flávio Gonçalves, mas foi também aí que começou a complicar ainda mais a vida, sofrendo o 3-1 em mais uma transição concluída por Danek sozinho na área (68′).

Luis Suárez ainda teve uma boa oportunidade para reduzir e reabrir a partida mas tudo nasceu não por haver mérito próprio mas devido a um passe errado que permitiu uma jogada entre o colombiano e Irankunda para o remate cruzado de pé esquerdo na área que foi travado por Schützenauer (75′). Rui Borges tentava arriscar tudo naquilo que não deixou de ser um trio de trocas diretas, lançando Luis Guilherme, Jesse Derry e Fotis Ioannidis para as posições de Geny Catamo, Irankunda e Doumbia, e ainda ganhou uma pequena réstia de esperança já depois de um remate de Jesse Derry que rasou o poste (83′), com Luis Suárez a aproveitar uma recarga na pequena área para fazer o 3-2 (89′). Até ao final, Derry ainda teve uma oportunidade flagrante depois de um cruzamento de Suárez mas falhou a bola na área e o 3-2 já não viria a ser desfeito.

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