A reformulação da central solar Sophia proposta para a Beira Baixa não convence todos os opositores.
A nova versão reduziu em cerca de um terço a capacidade instalada, para 573 megawatts (MW) de potência, mas a Sophia não deixou de ser uma das maiores centrais solares em licenciamento em Portugal. Irá ocupar uma área vedada de mais de mil hectares distribuída pelos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova, dos quais 250 hectares serão para os painéis fotovoltaicos. E implica a construção de uma linha elétrica de 22 quilómetros que atravessará o concelho do Fundão.
O processo de participação pública sobre a nova versão da central termina esta quarta-feira. Uma das vozes públicas que mais marcou a primeira contestação ao empreendimento voltou a manifestar-se contra. A pianista Maria João Pires, que é residente em Belgais (concelho de Castelo Branco), apelou à participação no processo de consulta pública que termina esta quarta-feira e divulgou através da sua conta de Instagram vídeos de várias figuras públicas, sobretudo do mundo do entretenimento e da cultura, a apelar à intervenção para parar a Sophia, “Stop Sophia”.
Nas últimas 24 horas o número de participações disparou, passando de cerca de 3.700 para mais de 6.500 exposições.
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Zero reconhece progressos feitos pelo promotor, mas defende que é preciso mais para conciliar projeto com ambiente
A associação ambientalista Zero reconhece, por seu turno, o esforço feito de redimensionamento da capacidade, mas insiste que a Central Sophia “ainda está abaixo dos padrões mínimos que devem ser exigidos”. Defende, por isso, um parecer desfavorável para o projeto submetido à consulta pública, mas elenca também as condições que do ponto de vista da Zero permitiriam viabilizar a central.
Entre essas condições estão a adoção das referências usadas para elaborar o mapa verde das zonas de aceleração de energias renováveis, em particular no que toca à definição da dimensão e continuidade das áreas de painéis e à manutenção das cortinas de vegetação entre blocos de painéis. A exclusão da área crítica para a cegonha preta e dos núcleos de montados, a salvaguarda das linhas de águia e a garantia financeira das medidas de integração paisagística, de compensação e de benefícios são outras exigências.
A Zero reconhece contudo pontos positivos na reformulação do projeto, destacando a quase exclusão da área de carvalho negral, a redução de área da reserva ecológica nacional afetada, o afastamento das habitações e a opção de construir apenas uma linha de muito alta tensão em vez de duas.
Outra das preocupações que continua em cima da mesa está o efeito cumulativo com outros grandes empreendimentos de energias renováveis, em particular solares, previstos para a região, não obstante o promotor da Sophia ter deixado cair outro projeto que tinha para a região.
Na primeira fase de consulta pública, o projeto Sophia suscitou um recorde de mais de 12 mil intervenções, a maioria das quais foi negativa. Nesta primeira tentativa de avaliação de impacte ambiental, o promotor decidiu reformular o projeto para evitar o chumbo e mudar a sua estratégia no terreno.
O diretor-geral da Lightsource BP, Miguel Lobo, garantiu numa conversa com jornalistas que a empresa esteve todos os dias no terreno a ouvir as pessoas, o que resultou num processo “muito diferente” do inicial. Para além de procurar ir ao encontro das principais preocupações manifestadas, afastando na medida do possível o projeto de zonas mais sensíveis do ponto de vista ambiental e aumentando as medidas de compensação como a plantação de árvores. O promotor reforçou a interação junto das entidades e da população e acenou com um pacote de medidas de compensação e benefícios para as comunidades locais.
https://observador.pt/especiais/mega-central-sophia-encolhe-um-terco-promotor-acena-com-luz-mais-barata-e-banco-de-ovelhas-para-vencer-oposicao/