As ruas de França já nos habituaram aos actos violentos. Por vezes, jogos de futebol são suficientes para haver confrontos com a polícia. Todos os fins de semana, há carros queimados (é o novo divertimento dos jovens revoltados). Mas violência como a do passado fim de semana não se via há décadas. Nem mesmo as manifestações e os protestos dos “coletes amarelos” chegaram a este nível de violência.
Os protestos começaram nas escolas e universidades, mas foram muito além dos estudantes. Os franceses estão zangados, sem esperança e, politicamente, radicalizados. A violência do passado fim de semana foi o resultado dos protestos de dois grupos: a extrema-esquerda e grupos radicais islâmicos. Estes grupos lideram dezenas de milhares de jovens e menos jovens delinquentes, radicalizados politicamente e imigrantes (ou descendentes) que cultivam a violência gratuita. Há um ponto que une a extrema-esquerda ao radicalismo islâmico: o ódio à França. Juntaram-se o ódio ao capitalismo, à democracia liberal e ao Ocidente, com o ódio racial e religioso.
Nos protestos, via-se lado a lado bandeiras comunistas com bandeiras do Hamas. Foi a aliança entre o comunismo (no sentido lato, marxismo-leninismo) e o radicalismo islâmico que encheu as cidades de França de violência. O 17 e o 18 de Outubro foi o momento em que a maioria dos franceses percebeu que a imigração está fora de controlo, e que o país importou mais radicalismo político, como se o que tivesse não fosse suficiente.
Melenchon é o líder político da aliança islamo-esquerdista. Na televisão portuguesa, Louçã elogiou Melenchon e sintetizou a aliança entre a extrema-esquerda e o radicalismo islâmico quando disse esta frase extraordinária: “usar o símbolo do Hamas é o mesmo que usar o cravo da revolução.” Voltando a França, Melenchon sabe que não ganhará as eleições. O seu objectivo principal é ir à segunda volta com Marine Le Pen. O segundo objectivo é que MLP seja eleita Presidente de França. Com MLP no Eliseu, Melenchon vai tentar radicalizar ainda mais a França. Finalmente, vai tornar-se no líder de um movimento “anti-fascista” (o sonho de todos das extremas-esquerdas). Melenchon tem estado a fazer campanha para a eleição de MLP.
Mas ainda pode acontecer que nem tudo corra bem ao líder Marxista-Leninista. Se os protestos forem longe de mais, e a verdade é que nem Melenchon os consegue controlar inteiramente, podem reduzir os votos do líder da Frente Insubmissa de tal modo que nem à segunda volta conseguirá ir. No caso de passar à segunda volta, Melenchon vai fazer de Marine Le Pen uma moderada. Muitas figuras moderadas, do centro-direita e até algumas do centro-esquerda, vão apelar ao voto em MLP. Hoje pode parecer muito improvável, mas todos os governos europeus e as instituições europeias vão desejar que MLP seja eleita. Para os mercados financeiros, a eleição de MLP poderá ser decisiva para evitar a bancarrota francesa.
A extrema-esquerda é tão destruidora que acaba por se destruir a si mesma. A violência revolucionária das ruas de França vai ajudar Marine Le Pen a ser eleita Presidente de França. Se Melenchon for à segunda volta, ajudará a concluir a normalização política de Le Pen e fará dela o rosto da moderação em França.