Um novo recolher obrigatório foi decretado para a noite desta terça-feira em zonas de Paris, após os graves distúrbios e pilhagens registados no fim de semana na capital francesa e noutras cidades.
A medida estará em vigor entre as 23h00 de terça-feira e as 06h00 de quarta-feira (22h00 e 05h00 em Portugal continental), nas zonas em redor da Praça da República e de Les Halles, segundo um decreto da polícia.
Um segundo decreto proíbe “qualquer concentração não declarada” entre as 20h00 desta terça-feira e as 06h00 de quarta-feira (19h00 e 05h00 em Portugal continental), abrangendo vários locais considerados sensíveis da capital.
A proibição aplica-se, nomeadamente, às imediações do Palácio do Eliseu, da Assembleia Nacional e do Senado, assim como à Avenida dos Campos Elísios e às principais estações ferroviárias.
As medidas surgem depois dos graves confrontos e pilhagens ocorridos no fim de semana em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades francesas, durante protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.
Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas em todo o país durante os incidentes, que incluíram pilhagens de centenas de estabelecimentos comerciais e ataques contra edifícios públicos.
https://observador.pt/2026/10/20/franca-vive-noite-tranquila-gracas-ao-recolher-obrigatorio-diz-o-primeiro-ministro/
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou esta terça-feira que o dispositivo policial para as novas manifestações previstas para sábado será “massivo”, reconhecendo que a estratégia utilizada durante os protestos do último fim de semana foi “demasiado estática e pouco móvel”.
Lecornu acusou também grupos de extrema-esquerda e de “ultraesquerda” de terem planeado, em alguns locais, um “esquema insurrecional”.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou uma revisão da estratégia policial, com reforço do número de agentes, dos meios disponíveis e da capacidade de reação e mobilidade das forças de segurança.
Nuñez apresentou na segunda-feira a demissão devido aos distúrbios, mas o Presidente Emmanuel Macron recusou-a, alegando a necessidade de manter o comando das forças de segurança durante a atual situação de emergência.
Macron exigiu também esclarecimentos sobre as falhas de planeamento e de recolha de informações que antecederam a violência e pediu a adoção de novas táticas policiais no terreno.