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Maus Hábitos em risco de sair da rua Passos Manuel e de se mudar para o último andar do Centro Comercial STOP

Daniel Pires, fundador do emblemático espaço cultural do Porto, avança ao Observador que saída da rua Passos Manuel pode estar iminente: "Temos contrato até dezembro de 2027, depois não sabemos".

Joana Moreira
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Daniel Pires, fundador dos Maus Hábitos, admite a possibilidade do fecho de portas do mítico espaço cultural na Rua Passos Manuel, no Porto. “Temos contrato até dezembro de 2027, depois disso não sabemos”, diz ao Observador.

Avança que foi submetido um pedido para classificar o Maus Hábitos no programa Porto de Tradição, o mecanismo municipal destinado a proteger e garantir a sustentabilidade de estabelecimentos com interesse histórico, cultural ou social local. “O processo de loja com história teve parecer positivo [por parte da comissão], mas está a ser reavaliado por vontade do senhorio, que fez reclamação”, explica a este jornal. A classificação, detalha, “prevê um novo contrato e contenção no aumento de renda”. “O senhorio aspira ter uma renda maior do que a que tem”, atira.

O futuro do espaço na Rua Passos Manuel deverá estar decidido “até ao final do ano”, prevê o responsável. “Ainda assim, se tivermos de sair, não estamos numa situação tão precária”, revela, já que adquiriu um novo espaço para onde pretende continuar o “projeto Maus Hábitos”.

Trata-se do último piso do Centro Comercial STOP, na Rua do Heroísmo, que a Câmara Municipal do Porto classificou em 2025 como monumento de interesse municipal. “É o quarto piso do edifício, onde antes funcionava uma antiga danceteria. Tem 750 metros quadrados de área e uma varanda”, adianta. A expectativa passa por abrir portas neste novo local — seja um Maus Hábitos ou um “Maus Hábitos 2” — em setembro de 2027.

“No fundo, vou ter de me endividar novamente para continuar o projeto Maus Hábitos”, lamenta Daniel Pires. “É triste que se possa despejar sem qualquer justificação uma empresa, sem qualquer proteção. Já uma habitação é terrível, uma empresa é ainda pior, são muitas vidas”, continua, lembrando que a estrutura emprega atualmente 47 funcionários, entre os quais vários casais.

Apesar da incerteza e dos planos de transição para o Bonfim, a expectativa imediata do responsável passa por conseguir manter o espaço fundador da Passos Manuel em funcionamento, pelo menos com as valências de restaurante e bar ativas.

Criado no final dos anos 1990, o Maus Hábitos afirmou-se na cena artística portuense, desempenhando um papel pioneiro na revitalização da zona histórica muito antes do boom turístico. Em conjunto com o adjacente Passos Manuel (que mudou em agosto de gerência), o famoso 4.º andar assumiu-se como o grande precursor da noite da Baixa, sobretudo após o encerramento do histórico Aniki Bobó, que deslocou a centralidade da noite portuense da Ribeira para a Rua Passos Manuel.

Nos últimos vinte anos, o espaço — hoje um espaço cultural que combina restaurante, bar, sala de concertos, galeria de arte e discoteca — sobreviveu às mutações do tecido imobiliário da cidade enquanto laboratório de criação e resistência cultural independente.

O Observador contactou a Câmara Municipal do Porto, a quem compete a decisão de reconhecimento e proteção no âmbito do programa municipal Porto de Tradição, e aguarda resposta.