É uma situação em que o FC Porto raramente esteve desde que Francesco Farioli chegou ao Dragão. Esta terça-feira, os dragões procuravam alcançar os primeiros pontos na Liga dos Campeões, procuravam evitar a terceira derrota na competição e ainda procuravam fugir ao segundo desaire consecutivo — algo que nunca tinha acontecido às ordens do treinador italiano. O adversário, porém, não era propriamente o mais indicado para concretizar tudo isto.
Uma semana depois da derrota em Sevilha contra o Betis, concluindo as duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões sem qualquer ponto depois da primeira derrota contra o Manchester City, o FC Porto recebia o PSV num reencontro de má memória para Francesco Farioli, que há cerca de ano e meio perdeu o Campeonato dos Países Baixos para a equipa de Eindhoven depois de ter nove pontos de vantagem com o Ajax. O italiano, contudo, não queria propriamente saber de fantasmas — e preferia falar de uma realidade mais palpável.
Ficha de jogo
FC Porto-PSV, 0-1
Fase de liga da Liga dos Campeões
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Daniel Siebert (Alemanha)
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Zaidu (Souza, 69′), Victor Froholdt (Seko Fofana, 76′), Pablo Rosario, Gabri Veiga (Hwang In-beom, 59′), Pepê, Samu (André Silva, 59′), Oskar Pietuszewski (Borja Sainz, 59′)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa, Nehuén Pérez, Alan Varela, Santiago Giménez, Martim Fernandes, Francisco Moura
Treinador: Francesco Farioli
PSV: Matej Kovar, Sergiño Dest, Lutsharel Geertruida, Yarek Gasiorowski (Armando Obispo, 74′), Filip Kostic (Amir Bouhamdi, 88′), Kodai Sano, Guus Til, Mauro Júnior (Noah Fernandez, 81′), Esmir Bajraktarevic (Dennis Man, 81′), Sven Mijnans, Ivan Perisic (Ryan Flamingo, 88′)
Suplentes não utilizados: Nick Olij, Tijn Smolenaars, Mikkel Bro Hansen, Ayoni Santos, Shuryjano Cornecion
Treinador: Peter Bosz
Golos: Guus Til (57′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Lutsharel Geertruida (39′), a Mauro Júnior (75′)
“É claro que os conheço do tempo em que estive lá, conheço as qualidades deles, vi muitos jogos… Sei o quão bons são. Nos últimos três anos marcaram sempre mais de 100 golos no Campeonato, conhecemos bem as qualidades deles. É sempre bom quando defrontas pessoas que conheces, mas não há tempo para emoções extra, porque estamos aqui para tentar ganhar jogos e não interessa muito quem é o adversário, a abordagem não muda, o que queremos é sempre o mesmo. O passado é o passado, o que aconteceu, aconteceu”, explicou o treinador dos dragões na antevisão da partida.
Assim, depois de um fim de semana limpo e sem jornada do Campeonato, Francesco Farioli tinha a boa notícia de já poder contar com Jan Bednarek, que cumpriu dois jogos de castigo depois da expulsão contra o Nottingham Forest ainda na época passada e realizava a estreia absoluta na carreira na Liga dos Campeões. Samu e Oskar Pietuszewski saltavam para o onze, com Zaidu a aparecer na esquerda da defesa e Pablo Rosario a regressar ao meio-campo com Victor Froholdt e Gabri Veiga. Do outro lado, num PSV que também ainda não tinha vencido na Europa, mas tinha um ponto, Peter Bosz não contava com o lesionado Ruben van Bommel e lançava os experientes Ivan Perisic e Filip Kostic, com Sven Mijnans como referência ofensiva.
https://x.com/_Goalpoint/status/2112625021692604871
Numa primeira parte que terminou sem golos, não foi preciso esperar muito para perceber que seria o PSV a ditar grande parte dos ritmos no Dragão. Apesar de Oskar Pietuszewski ter tido duas situações de perigo nos dez minutos iniciais, com um remate à malha lateral (7′) e outro ao lado (9′), foram os neerlandeses a assumir a superioridade desde muito cedo e poderiam ter inaugurado o marcador por Ivan Perisic, que cabeceou ao lado (7′), ou Guus Til, que também falhou o alvo com um pontapé em jeito (11′).
A partir do quarto de hora, na verdade, o ascendente do PSV intensificou-se. O FC Porto tinha muitas dificuldades para responder à pressão alta do adversário, insistindo em saídas mais diretas e longas de Diogo Costa, mas perdendo a bola muito rapidamente na zona do meio-campo, e não conseguia sequer chegar ao último terço contrário. Os neerlandeses não asfixiavam, mas só precisavam de alguns passes para criar situações de remate à entrada da grande área, com Mauro Júnior a protagonizar duas ocasiões com um pontapé ao lado (17′) e outro por cima (32′).
https://x.com/_Goalpoint/status/2112627184800338409
Os dragões foram resistindo e conseguiram até alcançar algum equilíbrio depois da meia-hora, numa fase em que Pietuszewski teve mais uma aproximação com um remate ao lado após arrancada na esquerda (37′) e Gabri Veiga também falhou o alvo na sequência de um livre ensaiado (40′), mas a grande oportunidade da primeira parte pertenceu mesmo aos neerlandeses, com Filip Kostic a acertar no poste aproveitando um erro de Alberto Costa (42′).
No fim da primeira parte, que não teve descontos e só viu Sergiño Dest rematar para Diogo Costa defender já para lá da hora (45+1′), FC Porto e PSV estavam empatados sem golos no Dragão. A equipa de Francesco Farioli não estava a ser manietada, mas também não conseguia responder às boas indicações dos neerlandeses e nem sequer fez um remate enquadrado — e estava a perder por completo o meio-campo, algo que ficava comprovado com a total ausência de Victor Froholdt ao longo de 45 minutos.
https://x.com/_Goalpoint/status/2112633624910610870
Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o FC Porto teve a primeira situação de perigo depois do intervalo, com Pablo Rosario a rematar por cima de primeira e de fora da grande área (48′). Os dragões regressaram com outra intensidade, subindo as linhas e procurando acelerar nas transições para fugir à pressão do PSV e condicionar o meio-campo contrário, e Samu também ficou perto de marcar ao atirar ao lado após cruzamento de Gabri Veiga na esquerda (56′).
Do outro lado, contudo, a resposta foi brutal. Já depois de Esmir Bajraktarevic acertar no poste (57′), Guus Til aproveitou uma arrancada do bósnio pela direita e um desvio de Sven Mijnans para encostar ao segundo poste e abrir o marcador (57′). Francesco Farioli reagiu com três substituições, lançando Hwang In-beom, André Silva e Borja Sainz de uma vez, mas os dragões sentiram muito o golo sofrido e quase cederam o segundo logo a seguir, valendo Diogo Costa a parar um remate de Bajraktarevic com uma boa defesa (62′).
https://x.com/_Goalpoint/status/2112640283955601543
Farioli voltou a mexer à beira dos últimos 20 minutos, trocando um esgotado Zaidu por Souza, que se estreou oficialmente. O jogo parecia praticamente sentenciado, até pela serenidade do PSV e pelo aparente conformismo do FC Porto, mas o desgaste dos neerlandeses foi forçado pelas entradas de Hwang, Sainz e Silva e os erros começaram a aparecer. André Silva e Froholdt podiam ter empatado numa oportunidade brutal em que Matej Kovar defendeu primeiro e Geertruida fez de guarda-redes depois (72′) e Alberto Costa, logo a seguir, quase aproveitou uma saída em falso do guardião (73′).
Seko Fofana entrou para os últimos dez minutos, Peter Bosz procurou dar oxigénio à equipa com Armando Obispo e Noah Fernandez e os dragões, apesar de terem navegado a onda do desnorte neerlandês, nunca conseguiram chegar ao empate — com Pepê a ter a última chance, já nos descontos, com um remate cruzado que passou ao lado (90+1′). O FC Porto perdeu com o PSV no Dragão, somou a segunda derrota consecutiva pela primeira vez com Francesco Farioli e continua sem pontos ao fim de três jornadas na Liga dos Campeões.
https://x.com/_Goalpoint/status/2112650140955668953